Por Jorge Wahl

Devanir Silva, Diretor-Presidente da ABRAPP, concedeu ontem à noite uma longa entrevista, perto de 1 hora de duração, ao programa *Capital Insights*, do canal de TV *CNN Money*, em parceria com a agência *Broadcast*, do jornal *O Estado de S. Paulo*. Entre outras muitas informações, ele chamou a atenção para o fato de a previdência complementar fechada ter encerrado o ano passado com um superávit de R$ 5 bilhões – resultado que reverte o déficit de R$ 9 bilhões em 2024.
“Os resultados não podem ser encarados como lucro ou prejuízo e são determinados, em grande parte, pela conjuntura do período”, explica. Nesse ponto, segundo notícia distribuída pela Broadcast ao mercado, Devanir sublinha a eficiência pela qual é conhecida a gestão dos recursos garantidores dos benefícios oferecidos aos participantes, ao mesmo tempo em que destaca que a previdência complementar fechada desembolsa uma folha mensal de R$ 10 bilhões em aposentadorias. Em contraste, a previdência aberta paga R$ 5 bilhões anualmente.
A Abrapp reúne mais de 200 entidades fechadas, que possuem cerca de R$ 1,3 trilhão (cerca de 11% do PIB) sob gestão e abarcam aproximadamente 8 milhões de pessoas entre contribuintes ativos, beneficiários e dependentes. Devanir afirma que a solidez do sistema é sustentada por uma supervisão rigorosa e um arcabouço regulatório que têm se mostrado eficaz na prevenção de escândalos, como o que envolveu o banco Master, onde nenhuma entidade fechada investiu.
Informou que a Abrapp trabalha junto com o Governo e o Congresso no intuito de construir uma política pública voltada para a proteção social e previdenciária dos trabalhadores por aplicativos. Nesse sentido, a Associação tenta viabilizar no Brasil as micro pensões, inspiradas em modelos internacionais como o da Índia. Outro objetivo é conseguir despertar o interesse das gerações mais jovens por meio de plataformas digitais e ofertas de cashback.
Em relação aos desafios de 2026, com a esperada queda da taxa de juros básica, Devanir prevê que haverá uma migração gradual para ativos de risco. Atualmente, diante da Selic de 15% ao ano, as entidades fechadas possuem cerca de 84% dos recursos aplicados em renda fixa, sendo o maior percentual em títulos públicos
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Fonte: Abrapp em Foco, em 30.01.2026.