Engana-se quem acredita que sustentabilidade é um conceito ligado apenas às questões do meio ambiente. Quando se trata de investimentos, outros quesitos precisam ser levados em conta, desde aspectos legais, éticos, até medidas de governança e relacionamento com participantes. Tudo que pode interferir no futuro do investimento precisa ser observado, explica o diretor de seguridade da Previ, Marcel Juviniano. “Tem a ver com investir em algo que, no longo prazo, possa garantir a rentabilidade necessária para o pagamento dos compromissos futuros dos planos, que são o complemento das aposentadorias de seus participantes”.
Palestrante no 19º Congresso Nacional da Anapar, que ocorre em 17 e 18 de maio no Rio de Janeiro, o dirigente afirma que “governança” e ética devem ser bússolas para que os fundos de pensão cresçam de maneira sustentável. Na avaliação do diretor da Previ, imediatismo e falta de planejamento são os principais antagonistas da sustentabilidade. “O Brasil ainda pensa a curto prazo. Gestores e associados de fundos de pensão precisam enxergar adiante.”
Aos congressistas, Juviniano reforçará a mensagem de que os participantes devem começar a exigir que o patrimônio do trabalhador seja aplicado de forma a se reverter em favor de si próprios, como é caso dos investimentos direcionados para a produção e de criação de valores, que com isso cria empregos e desenvolvimento, diz ele
Renda fixa
Os fundos de pensão brasileiros têm milhões de participantes e administram grande volume de recursos financeiros, mas se todo esse dinheiro for alocado em fundos de renda fixa, por exemplo, o resultado não atenderá às expectativas e não garantirá o futuro das pessoas. “Se deixarmos tudo isso em renda fixa, como ocorre em alguns fundos de pensão do Brasil, estaremos explorando a nós mesmos, nos alimentando dos juros pagos pela sociedade e deixando de gerar riqueza no longo prazo e de contribuir para um país melhor lá na frente”, pondera.
Entre os aspectos que devem ser levados em conta para se avaliar a sustentabilidade de um investimento estão o respeito às leis trabalhistas e tributárias, a adoção de boas práticas de gestão, ainda mais se a empresa estiver listada na Bolsa de Valores e se seguir os padrões do Novo Mercado – seguimento com mais alto padrão de governança. A instauração de conselhos de administração e de auditorias que prezem pela transparência também são fundamentais. “Quem aplica recursos de terceiros carece prestar contas aos seus interessados diretos”, diz.
Fonte: Anapar, em 10.05.2018.