
O Diretor-Presidente da Abrapp, Devanir Silva, evidenciou, durante o XII Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, promovido pela Fenaprevi nesta quarta-feira, 16 de setembro, o descompasso que configura hoje uma lacuna de cobertura previdenciária que atinge grande parte da força de trabalho do país. Durante o painel “Como proteger uma sociedade que envelhece e vive por mais tempo?”, ele defendeu que, para preencher essa lacuna, é necessário pensar em uma nova estrutura da previdência.
Devanir situou o problema a partir de uma mudança estrutural do mercado de trabalho. “Hoje temos muito trabalho, mas cada vez menos emprego na configuração tradicional”, destacou, lembrando que o sistema previdenciário brasileiro foi desenhado para uma sociedade de emprego formal, vínculo estável e contribuição regular.
Segundo ele, existe hoje um contingente expressivo de brasileiros que trabalha, produz e movimenta a economia, mas permanece fora da proteção previdenciária, entre eles os microempreendedores individuais. “Se nós não incluirmos essas pessoas hoje, teremos amanhã milhões de brasileiros chegando à velhice sem renda suficiente. O problema previdenciário de hoje será o problema social e fiscal de amanhã”, pontuou.
Diante desse diagnóstico, Devanir defendeu não uma nova reforma da previdência, mas uma “nova previdência”, um projeto de país que combine responsabilidade fiscal, solidariedade, capitalização, poupança de longo prazo e proteção social. Ele ressaltou que parâmetros como idade mínima, alíquotas e tempo de contribuição são indispensáveis ao equilíbrio financeiro e atuarial, mas não resolvem isoladamente o problema estrutural de cobertura.
O projeto de uma nova previdência para o país também deve incluir a ampliação da cobertura, segundo Devanir. “Ampliar a cobertura não representa apenas ampliar proteção. Significa também ampliar a base contributiva”, enfatizou, citando a necessidade de incorporar trabalhadores informais ao sistema. O projeto de micropensões é um dos caminhos para essa inclusão, e a Abrapp já atua na defesa da implantação deste sistema no Brasil.
O deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR), presidente da Frente Parlamentar Mista pelo Fortalecimento das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), protocolou o Projeto de Lei Complementar (PLP) 214/2026, que promove a inclusão previdenciária de trabalhadores autônomos, informais, microempreendedores individuais e trabalhadores vinculados a plataformas digitais.
A proposta está alinhada ao modelo desenvolvido e defendido institucionalmente no âmbito da Abrapp. Outros projetos que também visam ampliar o debate sobre a previdência complementar estão em curso: um voltado à defesa do poupador previdenciário, e uma proposta legislativa para incluir educação previdenciária e financeira desde o ensino fundamental ao ensino médio. “Há um espaço para que a previdência complementar seja parte da solução do problema em perfeita sintonia com a previdência pública”, reforçou Devanir.
A expansão da cobertura previdenciária depende também de uma comunicação mais simples. Na visão do Diretor-Presidente da Abrapp, o setor previdenciário ainda precisa contar sua própria história de forma mais acessível, priorizando o que a previdência complementar entrega ao cidadão (renda futura, proteção da família, segurança, planejamento e autonomia na longevidade) em vez da complexidade técnica dos produtos, com apoio da tecnologia e da inteligência artificial para personalizar a orientação ao poupador.
Devanir Silva dividiu a mesa de debate com a economista Ana Paula Vescovi, o economista e escritor Eduardo Giannetti, o Presidente do Instituto de Longevidade e Fundo de Pensão MAG, Nilton Molina, o Diretor-presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, e o Presidente da Fenaprevi e CEO da Zurich Brasil, Edson Franco, sob mediação da jornalista Leila Sterenberg.
Fonte: Abrapp em Foco, em 16.09.2026