No último mês, a Fiocruz lançou o estudo “Desenvolvimento, saúde e mudança estrutural: o Complexo Econômico-Industrial da Saúde 4.0 no contexto da Covid-19”. O material é resultado do trabalho de 35 pesquisadores de 10 instituições científicas brasileiras.
A publicação representa uma iniciativa para superar a pandemia da Covid-19 propondo saídas para a crise, por meio de um projeto que una a visão nacional de desenvolvimento. Para isso, conta com 12 artigos com propostas de políticas públicas que aliam o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) com a promoção do desenvolvimento social, econômico e ambiental do país.
Para os responsáveis, saúde, ciência, tecnologia e inovação são investimentos essenciais para uma saída estrutural e de longo prazo da crise provocada pela Covid-19. “O fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis) no âmbito da Quarta Revolução Tecnológica, já em curso, é um chamamento para fazermos uma articulação virtuosa entre economia, sociedade e qualidade de vida, a favor da soberania em saúde do Brasil”.
“Abordamos a pandemia pensando em uma solução estrutural com propostas de políticas públicas para o Brasil sair da crise com base em inovação, equidade, SUS e sustentabilidade”, observa Carlos Grabois Gadelha, editor da publicação. Para ele, esta é a primeira iniciativa de envergadura em que a estratégia de desenvolvimento é pensada sob a coordenação de uma instituição de saúde pública como a Fiocruz, que propõe uma nova geração de políticas públicas que integre e subordine a economia ao bem-estar e a sustentabilidade. “A economia a serviço da sociedade e não o inverso”, reforça o especialista.
Entre outras evidências, o estudo revela como as assimetrias e desigualdades de conhecimento e CT&I em saúde afetam o país. “O trabalho mostra que apenas cem empresas em todo o mundo concentram 60% dos gastos em pesquisa e desenvolvimento, sendo 2/3 desses investimentos feitos em apenas três setores: informática, farmacêutico e automotivo. Cerca de 60% das patentes em biotecnologia para o tratamento de câncer e outras doenças crônicas são detidas por apenas 15 empresas globais” aponta a instituição.
É preciso, portanto, repensar as finanças públicas para dar sustentação ao estado de bem-estar do século 21. “Com uma agenda de mudanças estruturais que abranja as regras fiscais, orçamentárias, de financiamento do SUS e de aquisição de produtos estratégicos de saúde, de forma a fortalecer o sistema de saúde, reduzir desigualdades no acesso à saúde e induzir a organização do Ceis, em sintonia com o direito à saúde e as mudanças tecnológicas em curso”, conclui.
Cadernos do Desenvolvimento é uma publicação quadrimestral, do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, destinada a divulgar artigos que tenham como foco o tema do desenvolvimento em suas diferentes dimensões (econômica, política, social, institucional, histórica, territorial, cultural, ambiental, jurídica, no plano das relações internacionais etc.).
Fonte: IESS, em 07.04.2021