A indústria brasileira de fundos de investimento tem observado sinais contraditórios do crescente otimismo sobre as expectativas de crescimento econômico do país, apesar das tomadas de decisões de investimento ainda conservadoras. Isso reflete as atuais incertezas de quando o Banco Central começará a reduzir as taxas de juros e o elevado grau de incerteza das investigações de corrupção em curso envolvendo políticos e empresas.
Resumo
- As medidas de austeridade propostas pelo presidente interino do Brasil, Michel Temer, melhoram as perspectivas para a indústria brasileira de fundos.
- Entretanto, a recessão, o ambiente político volátil e as investigações de corrupção limitam o desempenho da indústria de fundos.
- Nesse contexto, à medida que os investidores buscam fundos de menor risco, as grandes gestoras de ativos registram aumento em sua participação de mercado.
A captação líquida acumulada da indústria começou a subir novamente nos últimos meses, após o fraco crescimento nos últimos dois anos, devido às expectativas de recuperação da economia graças às medidas de austeridade apresentadas, apesar das estratégias de investimentos ainda conservadoras direcionadas a fundos de renda fixa e de pensão. Após os resgates líquidos em junho, a indústria de fundos registrou entrada líquida de recursos de R$ 9,6 bilhões em julho, impulsionada pela renda fixa (R$ 5,9 bilhões) e fundos de pensão (R$ 3,4 bilhões), enquanto os ativos sob gestão (AUM, ou assets under management) cresceram praticamente 13% nos últimos 12 meses, graças às elevadas taxas de juros prolongadas no país (a Selic segue em 14,25% há um ano; gráficos 1 e 2). Por outro lado, as altas taxas de juros impedem o crescimento orgânico das gestoras de ativos de nicho, aumentando a pressão em alguns mercados e elevando a concentração de mercado entre as gestoras de grande porte.
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Fonte: S&P Global Ratings, em 18.08.2016.