Uma formação de poupança começou a se ocorrer naturalmente na população diante do medo da crise do novo coronavírus (COVID-19) e os efeitos da pandemia na economia e nas finanças pessoais. Pensando nisso, é possível educar a população para poupar de maneira mais consciente a fim de se proteger de futuras crises. O tema foi abordado durante o Webinar “Gestão de Pessoas e Liderança nas EFPC: Preparando para o Novo Normal” realizado pela Abrapp nesta terça-feira, 23 de junho (leia mais).
"Mesmo que não seja possível captar novos participantes e capitalizar nesse momento, há uma oportunidade para o sistema repensar o conceito de plano de previdência", disse Felinto Sernache, líder de Aposentadoria para América Latina da Willis Towers Watson. "Vivenciamos agora uma situação onde muitas pessoas tiveram redução de jornada de trabalho, dificultando o equilíbrio das contas, e podemos mostrar às pessoas que fazer uma poupança adicional ao longo da vida ajuda a enfrentar momentos de crise como esse", destacou.
Para ele, ainda que haja um desafio atual para captação desses recursos que foram poupados às pressas, o momento atual pede que as EFPC repensem o desenho de seus planos para subsidiar as pessoas para passarem por esse momento de crise. "Vamos dar flexibilidade para as pessoas, mas também ajudar quando elas precisam", disse.
Atendimento aos participantes – O debate abordou também o retorno das EFPC aos atendimentos presenciais de seus participantes, e a Diretora da Abrapp e Diretora Presidente da Fundação Sanepar (Fusan), Cláudia Trindade, destacou que esse é o maior desafio dessa crise. "As entidades vivem para atender as pessoas, se relacionar com os participantes e beneficiários. Aquelas EFPC que não estavam preparadas para uma comunicação e relacionamento à distância, seja por meio tecnológico ou outro, estão sofrendo", disse.
Ela reiterou que o papel das fundações é alcançar todos os nossos tipos de público, conhecendo assim suas necessidades e preferências. "Devemos impactar diferentes públicos de forma distinta, e teremos que fazer modificações no relacionamento, nos reinventando com outro tipo de atendimento, de maneira segura". Para isso, Claudia ressaltou que é preciso capacitar o profissional da área de relacionamento para atender a essa nova demanda.
Felinto Sernache adicionou que essa é uma área que precisará de recapacitação, já que o olhar, a partir de agora, será diferente. "As pessoas que atendem participantes hoje devem, inclusive, ter um preparo financeiro diferenciado para enfrentar o novo normal, que está ligado a uma nova realidade econômica", destacou.
Fonte: Abrapp em Foco, em 24.06.2020