
Roque Muniz Andrade, presidente da ANCEP; Peterson Gonçalves, chefe do escritório da PREVIC em São Paulo; Devanir Silva, superintendente-geral da Abrapp; Luis Ricardo Marcondes Martins, presidente da Abrapp e Antônio Fernando Gazzoni, diretor institucional da Mercer
Um evento da maior importância, a quinta e última apresentação do seminário Desafios EFPCs 2019: Investimentos e Solvência, ontem, em São Paulo, foi palco de uma notícia há muito aguardada: a PREVIC convidou a ANCEP e a ABRAPP para participarem do grupo de trabalho que irá contribuir para o desenho das normas que ainda faltam para tornar operacional o novo plano de contas, informou o Presidente Roque Muniz Andrade, destacando a presença no auditório na capital paulista de perto de 90 dirigentes e profissionais de entidades. Somando as 5 edições, o público reunido superou três centenas e meia de participantes.
O Presidente Luís Ricardo enalteceu as parcerias e as apontou como uma importante causa do bom momento que o sistema vive hoje. Sublinhou a contribuição da ANCEP para os estudos e os debates técnicos, que a seu ver tanto contribuem para a superação dos obstáculos e a obtenção de tantas conquistas. Avaliou que a PREVIC "tem evoluído muito, especialmente a partir da adoção da supervisão baseada em risco , razão porque faz ainda menos sentido uma eventual fusão sua com a Susep". Mesmo porque, acrescentou, ambas as autarquias cuidam de sistemas cujas naturezas são diversas e oferecem produtos claramente diferentes.
Ao contrário, frisou que a ABRAPP defende um maior fortalecimento da PREVIC, a sua efetiva transformação em um órgão de Estado voltado para o longo prazo. Nesse sentido, explicou que esse aspecto e o conjunto do pensamento da ABRAPP, claramente favorável à reforma da Previdência mas com objeções à desigual concorrência que se parece querer estabelecer entre o nosso sistema e os produtos financeiros ofertados por bancos e seguradoras, estão sendo apresentados em reuniões com integrantes da equipe econômica.
Destacou não só as oportunidades que surgem de fomentar o sistema a partir da reforma da Previdência, como conquistas recentes como a atratividade dos planos familiares setoriais, a flexibilidade do "Prev-Sonho", a proteção do CNPJ por plano, o passo adiante proporcionado pela autorregulação, entre outros notáveis avanços, todos contribuindo a seu modo para que a previdência complementar em sua vertente sem fins lucrativos ingresse em um novo momento.
Peterson traçou um quadro geral da forma de atuar da PREVIC, salientando o cuidado em se mostrar cada vez mais técnica e capaz de interagir com o sistema. Como mostra dessa interação, citou o fato de um número expressivo de funcionários da autarquia sediados em São Paulo encontrar-se no auditório acompanhando o seminário.
Esse caráter técnico foi sublinhado também pelo atuário Antônio Fernando Gazzoni, diretor da Mercer, chamando a atenção para o fato de que as cinco apresentações do seminário tinham exatamente o intuito de, em apoio a essa tecnicidade, esclarecer dúvidas suscitadas não só pela enxurrada de novos normativos, mas também por uma conjuntura desafiante.
Desafios que, observou Jorge Simino, diretor de Investimentos da Fundação Cesp - em cujo auditório se realizava o seminário - devem ser enfrentados não apenas pela busca de maiores retornos nem sempre possíveis nos investimentos, mas também por meio de uma melhor adequação das taxas do passivo. "As soluções podem ser encontradas também pelo lado do passivo", observou.
Seguiram-se uma manhã e uma tarde inteiras de exposições e debates, de um lado alguns dos maiores especialistas da Mercer e, de outro, um público que buscou ativamente o debate e o esclarecimento de dúvidas, além de representantes da PREVIC dispostos e ouvir e a orientar sobre os mais diversos temas levantados.
As seguidas manifestações do público deixaram particularmente claros dois aspectos. O primeiro é o crescente interesse em se debater a sustentabilidade das entidades no longo prazo e, o segundo, o desejo de se saber cada vez mais a respeito da gestão dos riscos, tanto os que envolvem os investimentos, mas também os que dizem respeito aos compromissos expressos no passivo.
Fonte: ANCEP, em 14.03.2019.