A apresentação ontem, em Belo Horizonte, do seminário Desafios 2019: Investimentos e Solvência , em uma realização conjunta da Ancep e da Mercer, chamou a atenção, é claro, pela qualidade e oportunidade de seu conteúdo, mas não apenas por isso. Foi muito notado o contingente de público presente, perto de 60 pessoas, muito acima da média local, e por sua diversidade, uma vez que estavam presentes não só técnicos, mas também um bom número de dirigentes e conselheiros. "O fato de estarmos enfrentando um momento de muitas mudanças e desafios com certeza atraiu ainda mais gente", resumiu Alessander Brito Silva, Diretor Regional Leste da ANCEP.
A série de seminários Desafios 2019: Investimentos e Solvência reuniu um público de perto de 500 pessoas em suas 6 apresentações em diferentes capitais.
Edevaldo Fernandes da Silva, Presidente da Libertas e nessa condição anfitrião do evento, realizado no auditório de sua entidade, destacou ao falar na abertura dos trabalhos a oportunidade da temática ali tratada, uma vez que a sobrevivência do sistema e em quais condições é o que há de mais importante a ser nesse momento discutido, considerando as inúmeras iniciativas destinadas a fazer a previdência complementar fechada retomar o seu crescimento, o desafio de elevar o retorno dos investimentos em meio a uma economia estagnada, o debate em torno da reforma da Previdência, a provável fusão da Previc com a Susep e a cada vez mais desafiante longevidade.
Guilherme Velloso Leão, Diretor da Abrapp, colocou foco nos avanços normativos como resposta a desafios como o aumento dos riscos. Apontou a Resolução CMN 4661 como positiva para o fortalecimento do processo decisório que envolve a alocação de recursos, seus controles e a governança de modo geral. Algo que a seu ver chegou em boa hora, considerando a redução dos juros que remuneram a renda fixa e seus impactos, entre os quais principalmente a obrigação que as entidades têm agora de arriscarem-se mais para compensar. Para Guilherme, as dificuldades do ambiente é que tornam seminários como esse ainda mais necessários e capazes de "reforçar a imagem da Ancep como geradora de conhecimento.
Análise minuciosa - Todo o cenário foi minuciosamente analisado e debatido em seguida, a partir de apresentações feitas por Antônio Fernando Gazzoni, Diretor da Mercer e sua equipe. Ele focou especialmente nos aspectos que trabalham a favor e a contra a solvência e, consequentemente, a sustentabilidade do sistema a prazos maiores.
Seguiram-se uma manhã e uma tarde inteiras de exposições e debates, de um lado alguns dos maiores especialistas da Mercer e, de outro, um público que buscou ativamente o debate e o esclarecimento de dúvidas, além de representantes da PREVIC dispostos e ouvir e a orientar sobre os mais diversos temas levantados.
As seguidas manifestações do público deixaram particularmente claros dois aspectos. O primeiro é o crescente interesse em se debater a sustentabilidade das entidades no longo prazo e, o segundo, o desejo de se saber cada vez mais a respeito da gestão dos riscos, tanto os que envolvem os investimentos, mas também os que dizem respeito aos compromissos expressos no passivo.
Fonte: ANCEP Notícias, em 22.05.2019.