A sempre sonhada integração do registro eletrônico
“Um dia o pavão olhou para o céu e reclamou ao criador: ‘destes a mim a beleza, sendo eu a mais encantadora das aves, mas não me destes o poder de voar’. O urubu, lá de cima, vendo o pavão também reclamou: ‘me fizestes o mais feio dos pássaros e me obrigas a voar mostrando a todos minha feiura’... contam os exegetas da criação que do nada criou-se o peru, que é feio, não voa e morre na véspera”. Precisamos parar de criar perus na Saúde do país.
O registro eletrônico de saúde (EHR) foi inventado para historiar os problemas clínicos dos pacientes, sendo seu repositório de dados um dos mais importantes “ativos de saúde individual e populacional”. Todavia, a falta de compartilhamento de seus dados com a cadeia de saúde transforma os EHRs em silos fechados sob a guarda das empresas do setor. No Brasil, por exemplo, ele é um peru: não é usado, nem compartilhado e não consegue decolar. Poucos Provedores e Operadoras de Saúde tem algo minimamente similar a um Prontuário Eletrônico (strictu-senso), e quando têm “não mostram a ninguém” (nem ao paciente).
Fonte: Saúde Business, em 11.10.2021