Por Márcia Alves
Lideranças do setor debateram o tema no 17º Conec, elencando os pontos essenciais para uma agenda do setor

Marcio Coriolano, Robert Bittar, Joaquim Mendanha, Alexandre Camillo, Armando Vergílio dos Santos, José Carlos Cardoso e Paulo dos Santos
A criação de uma nova agenda para o setor foi um dos temas debatidos no 17º Congresso dos Corretores de Seguros de São Paulo (Conec), promovido pelo Sincor-SP, entre dias 6 e 8 de outubro, no Palácio Convenções Anhembi, na capital. Na mediação do painel, o presidente do Sincor-SP, Alexandre Camillo, propôs uma alteração no tema, retirando do título a palavra “nova”. Ele explicou que o mercado de seguros experimentou crescimento espetacular nos últimos 15 anos, com índices semelhantes ao da economia chinesa, mas não soube aproveitar todas as oportunidades do período de bonança. “Colhemos frutos, mas também deixamos muitos para trás porque não tínhamos uma agenda do mercado em que pudéssemos mensurar nosso crescimento e avaliar se foi satisfatório”, disse.
O presidente da CNseg, Marcio Coriolano, concordou com Camillo e propôs a criação de uma agenda mínima. Ele apresentou números que comprovaram o crescimento acelerado do setor e também o impacto gerado pela queda na economia. “O mercado vem crescendo ao longo do tempo, mas não tanto quanto deveria. A maior parte do crescimento veio da saúde suplementar e do VGBL. Mas, se descontarmos esses dois, o crescimento foi menor”, disse. Mas, o mercado é muito sólido, na avaliação de Coriolano, porque investiu na melhoria dos sistemas de controle; aperfeiçoou as técnicas de avaliação e gestão de riscos; aprimorou as regras de constituição de provisões e buscou aproximar as regras de capital e de supervisão dos padrões internacionais baseados em riscos.
Para criar uma agenda mínima, o presidente da CNseg indicou alguns requisitos, como a estabilidade e previsibilidade regulatória; políticas governamentais; avaliação do impacto regulatório das normas e ampliação dos canais de acesso aos corretores. “Como diz o Trabuco (Luiz Carlos Trabuco Cappi, atual presidente do Bradesco), somos a mesma face da moeda. É impossível pensar em seguro sem pensar em distribuição”, disse. Coriolano citou, ainda, a comunicação e a educação de seguro como requisitos da agenda do setor. “Precisamos educar os poderes Legislativo e Judiciário para que entendam a importância do seguro”, disse.
Paulo dos Santos, presidente do Ibracor, entidade autorreguladora dos corretores de seguros, também concordou com Camillo. “Não se trata de uma agenda nova, mas de uma agenda em construção”, disse. Segundo ele, a autorregulação da corretagem demonstra que o setor de seguros amadureceu e está preparado para enfrentar adversidades. Ele explicou que o surgimento do Ibracor foi uma resposta da própria classe à criação de um conselho. “Não se trata de uma entidade representativa da classe e sim auxiliar da Susep, que nunca teve braço suficiente para dar a orientação que todos os corretores precisam”, disse.
Embora a lei complementar que instituiu o Ibracor mencione a atividade de fiscalização, Paulo dos Santos esclareceu que a atuação não será nesse sentido. “O objetivo é orientar o corretor ou identificar alguma norma que esteja superada, levar essa demanda para a Susep e tentar adequá-la às nossas necessidades”, disse. Atualmente, o Ibracor já conta com 281 corretores associados. “Para chegarmos nesse volume, rejeitamos 360 pedidos, a maioria por divergência de cadastro na Susep”, disse. Ele adiantou que o próximo passo é enviar um questionário de avaliação aos associados e mediante as respostas orientar os corretores. “O Ibracor não foi criado para multar. O desafio é acabar com essa ideia”, disse.
Diferentemente de outros países, o seguro no Brasil ainda não ocupa o seu devido espaço na agenda do governo. A conclusão é do vice-presidente de Resseguros do IRB-Brasil Re, José Carlos Cardoso, que comentou sua participação em evento da Fasecolda na Colômbia. “Lá, o evento de seguros é aberto pelo presidente da República, e isso porque não representam nem 10% do nosso mercado”, disse. Em seguida ele discorreu sobre as mudanças no mercado de resseguros após a abertura, observando que a maior competitividade – hoje, o mercado é composto por 143 resseguradoras – baixou as taxas. Porém, reconheceu que o mercado tem razão ao reclamar da falta de novos produtos. “Precisamos nos unir e levar nossa agenda aos governantes”, disse.
Robert Bittar, presidente da Escola Nacional de Seguros, observou que faltam canais de interlocução com o governo. “Fomos excluídos da composição do CNSP e, agora, para sermos ouvidos temos de bater na porta, pedir, e usar a Susep”, disse. Para Bittar, uma agenda para o setor passa pela formação e qualificação. “Temos espaço para mais especialização e esse é o papel da Escola”, disse.
Joaquim Mendanha de Ataídes, superintendente da Susep, informou que a autarquia está promovendo alterações para responder às demandas do setor. Segundo ele, a própria Susep precisa de uma agenda. O presidente da Fenacor, Armando Vergílio dos Santos, concordou e acrescentou que uma das prerrogativas da agenda é melhorar o diálogo com o órgão regulador. “Antes de qualquer norma ser editada, temos de sentar para discutir e saber os impactos para o setor”, disse.
Fonte: CVG-SP, em 10.10.2016.