Por Gisele Machado Figueiredo Boselli
O artigo aborda a importância dos cuidados paliativos como instrumento de valorização do indivíduo e manutenção da dignidade humana frente à doença
Na leitura do livro A Morte de Ivan Ilitch, de Tolstói, acompanhamos o fim de vida do personagem principal, um influente funcionário do Tribunal de Justiça que, após anos de realizações profissionais e conquistas pessoais, é acometido por uma grave enfermidade, que lhe causa muita dor. Com boas condições financeiras, a família de Ivan consulta inúmeros médicos de São Petersburgo, mas nenhum é capaz definir um diagnóstico, nem de lhe reduzir o sofrimento físico e psíquico, repercutindo em uma crescente angústia. O leitor é conduzido, por meio da minuciosa narrativa, a sentir o enorme desconforto e desespero de um doente nessas condições que, além de não encontrar alívio para suas dores físicas, é abandonado para lidar sozinho com seus medos.
Infelizmente, a situação ambientada na Rússia do século XIX é frequente no Brasil de hoje, apesar de tantos avanços da ciência, capazes de melhorar a qualidade de vida do paciente. O manejo dos sintomas físicos e psíquicos, característicos dos pacientes com doenças crônicas, costumam ser postergados, aumentando suas dores e impactando todos aqueles que os acompanham neste processo. Mas a solução deste problema não é tão simples, por envolver fatores culturais, técnicos e informacionais.
Fonte: Migalhas, em 13.01.2023