Por Thales Araújo de Oliveira
A frase de que a criança não é um adulto em miniatura virou lugar-comum. De tanto ser repetida, deixou de significar alguma coisa. Quem faz gestão hospitalar convive com a versão pouco poética dela: praticamente toda decisão organizacional de um hospital geral precisa ser refeita quando o paciente tem oito meses, quatro anos ou quinze. A dose, o tamanho da cânula, o tempo de espera que a família tolera, a linguagem usada na sala, quem assina o consentimento, o que se considera uma alta segura.
Trabalho há mais de dez anos em um hospital exclusivamente pediátrico. Passei boa parte desse tempo no pronto-socorro e hoje respondo também pelo ambulatório de especialidades e pelos programas filantrópicos assistenciais da instituição. É desse lugar, o da operação cotidiana, que enxergo o tema da especialização pediátrica: menos como um argumento institucional e mais como uma sequência de escolhas que demandam investimento, tempo e disciplina.
Fonte: Medicina S/A, em 10.08.2026