Tecnologia blockchain também é usada, cada vez mais, por bancos e seguradoras
O Senegal anunciou recentemente o lançamento de sua moeda nacional totalmente digital, utilizando a mesma tecnologia do bitcoin, a chamada blockchain.
Mantendo o mesmo valor do dinheiro em papel, que continuará circulando, a nova moeda eletrônica senegalieza, chamada de e-CFA, foi desenvolvida em parceria entre o Banco Regional de Marchés (BRM) e a eCurrency Mint Limited, startup que utiliza Blockchain em aplicações financeiras.
Mas engana-se quem pensa tratar-se de uma iniciativa pioneira. No final de 2015, a Tunísia já contava com mais de meio milhão de pessoas usando sua moeda digital, o eDinar. E Inglaterra, Suécia, Singapura, China e Ucrânia também estudam a implantação de moedas digitais, todas com tecnologia blockchain. A diferença do bitcoin para essas outras moedas digitais é que a primeira não é controlada por nenhum banco central que possa interferir na quantidade em circulação.
Mas o que é blockchain, afinal? Trata-se de um tipo de banco de dados que guarda o registro de todas as transações feitas com a moeda. Sua peculiaridade, entretanto, está no fato de esse banco de dados não estar armazenado em algum servidor em particular, mas criptografado nos computadores de todos que atuam como “mineradores” da moeda, sendo possível identificar os valores transacionados, mas não a identidade dos envolvidos. Isso faz com que as fraudes sejam praticamente impossíveis e, o sistema, muito mais transparentes.
Assim, quando uma pessoa envia bitcoins para alguém, um código digital é gerado e, imediatamente, milhões de computadores em todo o mundo começam uma corrida para decifrá-lo e validá-lo. Depois, esse código é acrescentado a um arquivo com o registro de todas as transações já feitas em bitcoin, que é então armazenado nos computadores de todos os usuários, servindo como referência para validar as transações futuras.
Atualmente, o valor de todas as Bitcoin do mundo somadas está calculado em 14 bilhões de dólares, após uma alta de 5% desde a metade de dezembro. Crescimento que, segundo analistas, se deve ao grande número de transações em bitcoin realizadas pelos chineses, que recorrem à moeda digital para preservar capital, já que a moeda oficial chinesa, o yuan, teve uma queda de praticamente 7% no acumulado do ano.
De acordo com a consultoria McKinsey, dentro de cinco anos, o impacto da moeda digital nos segmentos de pagamentos e mercados de capitais deverá girar na ordem de US$ 85 bilhões. Os economistas do Fórum Econômico Mundial também estão convencidos que as moedas digitais serão peça-chave do sistema financeiro global. Segundo eles, mais de US$ 1,4 bilhão já foi investido na tecnologia nos últimos três anos e 80% dos bancos do planeta devem iniciar projetos com ela em 2017. Já são também mais de 90 bancos centrais discutindo a tecnologia.
No Brasil, apesar da inexistência de anúncio sobre intenção do governo em criar uma moeda digital, quem se movimenta são os bancos, que já estudam a possibilidade de utilização da tecnologia blockchain para a redução de seus custos de transação, oferta de novos produtos, eliminação de intermediários e combate às fraudes. Bradesco, Itaú Unibanco e BM&FBovespa, inclusive, já entraram este ano para o R3, consórcio privado com mais de 45 instituições financeiras (incluindo gigantes como JPMorgan Chase, Barclays e Wells Fargo) que trabalha no desenvolvimento de aplicações práticas do Blockchain.
Iniciativa semelhante também ocorre no setor segurador, onde Aegon, Allianz, Munich Re, Swiss Re e Zurich lançaram o Blockchain Insurance Industry Initiative (B3i), em outubro deste ano, com a expectativa de que a tecnologia possa agilizar reconciliações em contratos de seguro e de resseguro e dê fluxo ao fluxo de capital, melhorando assim a “auditabilidade”. Outra aposta da Allianz em relação à tecnologia relaciona-se com a negociação de títulos de catástrofes. Como os pagamentos desses títulos entre seguradoras e investidores podem levar semanas ou até meses após a ocorrência de eventos catastróficos, acordos executados automaticamente via blockchain poderiam reduzir este tempo a horas, ou poucos dias, acreditam eles.
A tecnologia blockchain também chamou a atenção do IRB, que pretende criar, até meados de 2017, uma espécie de cartório digital, onde os contratos de seguro e resseguro seriam arquivados com proteção criptográfica em uma rede de cerca de seis mil computadores.
Fontes: BlastingNews, Tecmundo, O Globo, Sonho Seguro, Reuters, Revista Cobertura Mercado de Seguros
Fonte: CNseg, em 27.12.2016.