Por Alberto Salino
Estudo encomendado pelo Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (Cpes), da Fundação Escola Nacional de Seguros (Funenseg), revela que as mortes ou custos com atendimentos a feridos em acidentes no trânsito causam, por ano, perdas da ordem de R$ 197 bilhões para o País.
Segundo a economista Natália Oliveira, coordenadora do Cpes, em 2015, o prejuízo decorrente de acidentes no trânsito correspondeu a 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Tais perdas englobam custos de congestionamentos, primeiros socorros, hospitalização, falecimento, invalidez, tratamento e, acima de tudo, a estimativa de perda de produto e renda, uma vez que a grande maioria das pessoas mortas está em idade ativa.
Do total de óbitos, 75% das vítimas são homens e 25%, mulheres. Entre os homens mortos, 92% têm entre 18 e 64 anos. “Isso significa que essas pessoas deixam de produzir para o País e para suas famílias, em um efeito cascata que gera uma perda imensa”, assinala a economista.
Segundo dados da organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ocupa a quarta posição entre os países onde ocorre o maior número de mortos em acidentes de trânsito – superado apenas pela China, Índia e Nigéria – e o quinto lugar na relação entre número de acidentes por habitante, abaixo apenas da Venezuela, Nigéria, África do Sul e Angola.
Reflexos no seguro
Esses números se refletem diretamente no mercado segurador. No caso do seguro obrigatório de veículos automotores (Dpvat), por exemplo, embora o número de indenizações por mortes venha caindo nos últimos dois anos, há um avanço expressivo dos casos de invalidez.
De acordo com o assessor da Seguradora Líder, administradora do seguro Dpvat, Márcio Norton, os dados são alarmantes: a cada ano, mais de 50 mil pessoas morrem em acidentes no trânsito e cerca de 70 mil ficam feridas. “Precisamos acabar com essa guerra no trânsito”, conclama.
Além disso, há forte reflexo nos seguros de vida, saúde, acidentes pessoais e de veículos, entre outros.
O estudo mostra ainda que, no mundo, os acidentes no trânsito representam a terceira causa de mortes na faixa de 30 a 44 anos de idade; a segunda, entre cinco e 14 anos; e a primeira, na faixa de 15 a 29 anos.
Países de baixa e média renda respondem por 90% das mortes nos acidentes ocorridos no planeta. O levantamento alerta que, se nada for feito, as mortes no trânsito chegarão a 1,9 milhão em 2020, saltando da atual nona para a quinta causa de mortes no mundo, até 2030.
Fonte: Jornal do Commercio RJ/SindSegSP, em 01.04.2016.