Por Gloria Faria (*)
Os cuidados com a saúde sempre contaram com uma significante participação da mulher. Quer por, historicamente, terem exercido esse papel de cuidadoras na família, quer pelo fato de, há décadas, serem elas que ocupam a maioria dos postos de trabalho nessa área, também no combate à Covid-19 não se mostrou diferente. São as mulheres que, majoritariamente, se encontram na linha de frente dos cuidados e enfrentamento da pandemia.
Segundo a ONU, em termos mundiais, 70% dos profissionais da saúde e de serviços sociais são mulheres. Entretanto a proporção de homens e mulheres pode variar para além destes números, dependendo do segmento de atenção.
O predomínio das mulheres na medicina já se faz presente entre os profissionais mais jovens, em que elas são 57,4% no grupo até 29 anos e 53,7%, na faixa entre 30 e 34 anos, conforme dado da Demografia Médica 2018, realizada USP, com o apoio do CFM (Conselho Federal de Medicina). Entretanto, ainda que o número de médicas venha aumentando sensivelmente ao longo das últimas décadas, neste segmento os homens ainda são maioria (54,4%) entre nós.
Esse cenário se apresenta bem diferente quando analisamos o setor de enfermagem, predominantemente feminino, tendo na sua composição 84,6% de mulheres. Tais percentuais só são ultrapassados, pelo contingente de nutricionistas, fonoaudiólogas e assistentes sociais, em que as mulheres chegam perto da totalidade com mais de 90% de participação.
No Brasil contamos com cerca de 2,280 milhões profissionais de enfermagem, o maior grupo profissional na linha de frente contra a Covid-19. Desse total 85% são mulheres que no dia a dia experimentam a falta de equipamentos de proteção individual, longas jornadas de trabalho, o afastamento da família e, na maioria das vezes, uma hospedagem inadequada ao isolamento recomendado.
Mas se a proporção de participação feminina na saúde é muito maior que em outros setores da vida laboral, infelizmente, nela também encontramos o padrão de desigualdade de remuneração, em que as mulheres percebem salários inferiores aos dos homens.
Globalmente, os salários das mulheres são 11% mais baixos que os percebidos por seus colegas homens que exercem funções iguais ou semelhantes e com a mesma carga horária.
Neste dia do trabalho quando o mundo inteiro está mobilizado no enfrentamento da Covid-19 vale ressaltar o trabalho das mulheres no segmento da saúde e fazer uma homenagem às médicas, enfermeiras, técnicas, atendentes, psicólogas, nutricionistas, fonoaudiólogas, assistentes sociais, turma da limpeza e de todas as funções de apoio em hospitais e clínicas, junto com um caloroso MUITO OBRIGADA.
Que não esteja longe o dia que poderão retornar ao convívio com suas famílias e venha logo, também, o reconhecimento do seu trabalho em valores justos e isonômicos para todas aquelas que exercem funções semelhantes ou iguais às dos trabalhadores na assistência à saúde.
(*) Gloria Faria é advogada, sócia do escritório MOTTA, SOITO & SOUSA Advocacia Empresarial, Organizadora da Revista Jurídica de Seguros da CNseg.
30.04.2020