- A longevidade traz oportunidades, mas também muitos desafios: sociais, comportamentais e econômicos. Esse é o tema do Conversa Segura desta semana
- A jornalista Leila Sterenberg recebe Nilton Molina, presidente do Conselho de Administração da MAG Seguros e do Instituto de Longevidade MAG e Jorge Nasser, diretor-presidente da Bradesco Vida e Previdência
- Homens e mulheres que chegam aos 50 anos de idade ainda enfrentam dificuldades para se manter no mercado de trabalho
Para Molina, aparentemente os Recursos Humanos das empresas estão afastados das estatísticas da sociedade. “Me choca a falta de percepção da sociedade para esse problema”, disse Molina
Ele explica que há 40 anos havia lógica em não admitir uma pessoa aos 50 anos, pois a expectativa de vida indicava mais uns cinco anos de vida. “Eu não posso investir em treinamento nessa pessoa, portanto não posso admiti-la. Essa era lógica”. Hoje, a expectativa de vida vai muito além. De acordo com o IBGE, a média passa dos 75 anos.
Além do mercado de trabalho, outro desafio é fazer com que as pessoas entendam o que significa essa longevidade.
“Há um mito de que o brasileiro não tem recursos para aplicar na previdência”, disse Jorge Nasser
Esse é o discurso de uma população que desembolsou mais de R$ 70 bilhões no último ano em jogos de azar e que acredita que será possível viver da renda do INSS.
“Não se discute mais o quanto é importante viver mais. O que se estabelece e, não é um problema do brasileiro, é um problema mundial, é a qualidade de vida na aposentadoria”, disse Nasser
Ele lembra que há um estudo sobre as Blue Zones, sobre as cinco regiões do mundo com centenários, que apresenta os fatores da longevidade: DNA, alimentação, exercício, relacionamento social. “Mas a pesquisa não cita o essencial: o planejamento financeiro, educação financeira. Acontece que nós ainda somos um país que tem a cultura do milagre”.
Longevidade é um debate para o jovem
Molina analisa que a relação que levou ao sistema de aposentadoria no Brasil já não existe mais. No passado, a relação era de um menor número de idosos enquanto se observa um grande número de nascimentos. Ele explicou que esse é um tipo de fenômeno que há 15 anos já não se observa no Brasil: a taxa de reposição está negativa. O executivo lembra que um estudo do IPEA traduz o que isso significa para a Previdência Social.
“A relação entre contribuintes do sistema previdenciário brasileiro e recebedores de aposentadoria e pensões hoje é 1.98. Ou seja, dois ativos pagando a conta para um inativo. Isso zera em 2050 e, dez anos depois será 0.85 de contribuinte para um beneficiário”, disse Molina
Ele provoca o debate sobre quem vai sustentar a longevidade das pessoas, diante desse cenário em que a Previdência Social não terá recursos para o pagamento: “Em 15 ou 20 anos, o maior benefício do seguro social brasileiro (INSS) será equivalente a um salário-mínimo, ou salário que se criar, uma renda mínima”.
Por isso, ele orienta aos jovens a sempre pensar que, independentemente do salário, devem sempre guardar uma parte de seus recursos para quando chegarem à idade de se aposentar. “Dez ou quinze por cento não lhe pertence nessa fase da vida. Tem que guardar, seja em plano de previdência, título de banco, uma casa de aluguel. Mente aberta nisso!”, orienta.
Jorge Nasser ainda lembra que muitos que estão na ativa hoje desconhecem como funciona o sistema de previdência social. Para ter uma ideia, o benefício máximo de INSS no Brasil foi de R$ 7.780, em fevereiro. No entanto, a média dos pagamentos mostra que a realidade para a maioria é outra, uma vez que fica em torno de R$ 1.150. “Há uma miopia em relação a discussão do futuro. O brasileiro ainda acredita num milagre e, por isso, acho que tem um grande desafio: a matéria previdência, a matéria poupança de longo prazo deveria ser conteúdo de escola primária”.
A longevidade feminina
Sem planejamento, o futuro pode ser ainda mais difícil para as mulheres. Jorge Nasser lembra que as mulheres representam 83% dos cuidadores no país. Isso muitas vezes significa estar fora do mercado de trabalho para cuidar de seus familiares e uma preocupação para quando estiverem na idade de se aposentar.
A entrevista, parte do conteúdo do SeguroPod, pode ser conferida, na íntegra:
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Fonte: CNseg, em 15.08.2024