Por Márcia Alves

Evaldir Barboza de Paula, Floriano Pesaro, José Renato Nalini, Antônio Penteado Mendonça, Lucas Vergílio, Alexandre Camillo e Armando Vergílio dos Santos
Convencido da importância da inserção do setor de seguros no contexto político nacional, o presidente do Sincor-SP, Alexandre Camillo, trouxe a inédita questão para a programação do 17º Congresso dos Corretores de Seguros de São Paulo (Conec), realizado entre os dias 6 e 8 outubro, no Palácio Convenções Anhembi. “Política faz parte do cotidiano de qualquer sociedade organizada”, disse Antonio Penteado Mendonça, advogado e consultor do Sincor-SP, durante a mediação do painel “Nosso negócio seguro em conjunto com uma nova política”, realizado no último dia do congresso.
Evaldir Barboza de Paula, membro da Comissão Político-Parlamentar do Sincor-SP, explicou a atuação do sindicato na esfera política. “Somos guiados pela Constituição Federal e as normas da comissão são inspiradas nas normas do Poder Legislativo, tratando, inclusive, das obrigações do corretor no exercício de sua atividade”. Ele informou que segundo levantamento da comissão existem, atualmente, 24 projetos de lei em tramitação que tratam de seguro. “A Comissão Político-Parlamentar analisa a matéria e encaminha para a Comissão Jurídica do Sincor-SP avaliar a constitucionalidade, já que alguns projetos não têm sequência na Câmara dos Deputados por esse motivo”, disse. Evaldir acrescentou que é tarefa da comissão fornecer as bases de atuação política do Sincor-SP.
Convidado a participar do debate, o Secretario Estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, informou como o Congresso Nacional enxerga o corretor de seguros. “Como profissionais que nos dão paz e tranquilidade”, disse. No âmbito do governo estadual, Pesaro transmitiu a disposição do governador Geraldo Alckmin de estreitar o relacionamento com o setor de seguros. “Temos exemplos de parcerias bem sucedidas entre o Poder Público e a iniciativa privada, como a Lei do Desmonte. O estado não pode ser o centro de tudo, mas é um ator importante. Baseados na experiência de vocês (corretores), queremos construir uma sociedade mais justa, solidária e protegida”, disse.
José Renato Nalini, secretário da Educação do Estado de São Paulo, antecipou que a secretaria e o Sincor-SP estão concluindo um convênio que permitirá o ensino do seguro nas escolas públicas paulistas, atingindo 5,4 mil estabelecimentos de ensino e cerca de 4 milhões de alunos. O objetivo, segundo ele, é que o ensino do seguro colabore para educar jovens e adolescentes em relação a questões como preservação do patrimônio público e o convívio em sociedade. “Neste ano, o governo já gastou R$ 10 milhões para reformar escolas vandalizadas. Não eram reformas necessárias. Temos de reforçar na família e na sociedade a ideia de que a escola não é do governo ou do estado, mas da população”, disse. “Parabéns a vocês, vamos trabalhar juntos”, acrescentou.
De acordo com o deputado Lucas Vergílio (SD-GO), o governo federal tem demonstrado maior interesse pelo setor de seguros, haja vista ter indicado um corretor de seguros para o cargo de titular da Susep. Em sua opinião, o setor de seguros já está construindo a sua sonhada agenda. “Temos um corretor de seguros deputado, mas em breve vamos eleger senadores”, previu. Apesar do apoio do seu partido às causas do seguro, ele observa que o setor ainda tem “poucos amigos” no Congresso Nacional e que, por isso, não tem política própria. “Na política, o seguro é tratado como apêndice dos bancos, ou seja, se vê apenas o lado financeiro, mas não o social e o quanto devolvemos à sociedade”, disse.
Lucas Vergílio comentou as conquistas de sua atuação parlamentar, como a ação que, recentemente,impediu a exclusão de cerca de 30 mil corretoras de seguros do Simples Nacional. Ele contou que conseguiu costurar um acordo, garantindo a aprovação na Câmara do parecer do relator do Projeto de Lei complementar 25/2007 ao substitutivo do Senado, que mudava as regras do Simples Nacional. “Por causa do Fator 28, os corretores corriam o risco de ser transferidos para a da tabela III do Simples Nacional e perder os benefícios conquistados a duras penas”, disse.
Camillo reforçou sua convicção sobre a importância da política ao classificá-la como “a arte da tolerância e da conquista”. Ele comentou que aprendeu muito nos dois anos que preside o Sincor-SP e avalia que, atualmente, o setor de seguros vive um momento de integração. “Ver este auditório lotado para ouvir sobre política é a melhor resposta que poderia ter”, disse. Em seguida, acrescentou “Somos nós, o povo, que devemos demandar a atuação dos políticos”. Armando Vergílio dos Santos, presidente da Fenacor, observou que as pessoas estão céticas em relação à política, mas cometem pequenos atos de corrupção no dia a dia. “Se a sociedade for honesta, nunca existirá um Congresso corrupto”, disse.
Fonte: CVG-SP, em 10.10.2016.