Por Bruna Chieco

O principal desafio do setor de previdência complementar fechada é a comunicação, e a confiança da sociedade é o verdadeiro ativo que sustenta as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). A afirmação foi feita pelo Diretor-Presidente da Abrapp, Devanir Silva, durante o Epinne EPB, realizado nos dias 27 e 28 de agosto em Fortaleza (CE).
O encontro, coordenado pelas Entidades de Previdência do Ceará, reúne dirigentes, conselheiros, gestores, profissionais de investimento, especialistas em benefícios e representantes das EFPCs do Norte e Nordeste, em dois dias dedicados à atualização técnica, ao networking e à troca de experiências sobre os principais desafios e tendências do setor.
Devanir participou do painel “Os desafios do sistema em busca de crescimento, fortalecimento e sustentabilidade — Agenda Institucional do Sistema” ao lado do Diretor-Superintendente da Previc, Ricardo Pena, e do Secretário de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social, Paulo Roberto dos Santos Pinto.
“Devemos ter uma linguagem, uma comunicação clara, acessível e contínua com quem exatamente confia no futuro dele próprio e do sistema. E também alcançar quem ainda não faz parte da previdência complementar fechada”, disse durante sua apresentação.
Um exemplo prático que diferencia as EFPCs de demais instituições de investimento foi o episódio envolvendo o Banco Master. O fato de as entidades de previdência fechada não terem investimentos no banco foi fruto de uma governança madura e de uma gestão baseada em risco, destacou Devanir. “Temos o foco na proteção previdenciária, pois não temos um modelo de lucro no nosso sistema, as entidades não têm a finalidade lucrativa”, pontuou.
Para Devanir, episódios como esse reforçam um ponto mais amplo. “A digitalização da economia, a explosão do volume de dados, o avanço da inteligência artificial e a crescente sofisticação dos riscos exigem uma nova forma de pensar a supervisão”, disse. É nessa direção que a regulação tem evoluído, tornando-se menos normativa e mais inteligente, orientada por dados e análise avançada, fundamentada em evidências, preventiva na antecipação de riscos e proporcional às características de cada entidade.
“Não estamos falando apenas de tecnologia, estamos falando de confiança, o principal ativo da previdência complementar”, afirmou Devanir, apontando ainda a necessidade de o sistema incorporar novas competências em ciência de dados, inteligência artificial responsável, cibersegurança, analytics e gestão integrada de informações para aumentar a eficiência, transparência, confiabilidade e sustentabilidade do setor.
Agenda parlamentar – Fortalecer a confiança no sistema também passa pelo Congresso Nacional. Micropensões, educação financeira, contribuição extraordinária e a instituição do Dia Nacional da Previdência Complementar são pautas de natureza tributária que Devanir citou como prioridade da Frente Parlamentar Mista pelo Fortalecimento das EFPCs, levadas ao Legislativo. A agenda caminha ao lado da mobilização da sociedade civil pelo fortalecimento institucional da Previc.
Devanir também comentou a atuação da frente parlamentar em defesa de pautas de natureza tributária, das micropensões, da educação financeira, da contribuição extraordinária e do Dia Nacional da Previdência Complementar, além de reforçar a importância da mobilização da sociedade civil para o fortalecimento institucional da Previc.
O objetivo, segundo ele, segue sendo levar adiante um projeto de país fundamentado na inclusão. “O Brasil hoje tem 60 milhões de trabalhadores que não tem nem previdência social, nem previdência privada. Então, não precisamos de uma reforma; precisamos de uma nova previdência, ou seja, ampliar essa cobertura”, destacou. Devanir resumiu o eixo central de sua fala: “a confiança, principal alvo do sistema, nasce da boa gestão, da governança, da transparência e da comunicação correta com a sociedade”.
Ainda na quinta-feira, a programação técnica abordou crédito privado, ativos estruturados e a busca por retorno real no longo prazo, além do desafio da longevidade para os planos de benefícios. Nesta sexta-feira, o Epinne EPB segue com painéis sobre o comportamento da renda fixa e da renda variável nas carteiras das EFPCs, estratégias ASG e o uso de inteligência artificial nos processos previdenciários.
Fonte: Abrapp em Foco, em 28.08.2026.