Suporte de compliance facilitará compreensão das demais áreas quanto aos seus papéis na formulação da base e conscientizará sobre o valor agregado às empresas
Por Camila Alcova
Com o anúncio da Circular Susep 492/14, que estabelece às seguradoras a implementação de bancos de dados de perdas operacionais nos próximos três anos, o compliance pode ter um papel relevante e de auxílio às companhias para esse processo.
Durante o Seminário de Controles Internos, Auditoria e Gestão de Riscos, promovido pela CNseg, dia 16 de setembro, em São Paulo, a gerente de riscos corporativos da SulAmérica, Fernanda Vital, comentou sobre as ações da seguradora para a criação do banco de dados.
De acordo com ela, a base viabilizará a identificação de deficiências dos controles internos, trará a possibilidade de avaliação do custo x benefício de ações de mitigação de riscos, acompanhamento de correções para mitigar riscos que possuem impacto financeiro, além da implantação de indicadores preditivos de riscos.
Haverá também incremento da qualidade de decisões. “Poderemos melhorar sensivelmente a análise das incertezas e as ameaças que devem ser tratadas na companhia”, comenta.
Para o desenvolvimento do banco de dados de perdas operacionais, a SulAmérica tem realizado reuniões para que as áreas mencionadas na Circular compreendam seu papel na construção da base. Nesse cenário, frisa, o suporte do compliance também é imprescindível, bem como para o fortalecimento da cultura de riscos na empresa.
Para auxiliar nas informações que devem ser inseridas na base, Fernanda destaca que é necessário identificar os riscos operacionais, inclusive com a utilização de dicionários de riscos para facilitar o diálogo com outros setores.
Em sua opinião, o compliance tem um importante papel na interface das informações e sua proximidade na construção do banco de dados pode garantir que as políticas internas das companhias sejam cumpridas. “Além disso, se o compliance estiver na fase da construção da base de perdas pode definir relatórios para seu próprio uso”, diz em menção ao embasamento que o banco de dados propiciará para tomadas de ações futuras.
Ela complementa que a construção da base poderá trazer benefícios para a companhia, por conta da gestão de riscos completa e pela possibilidade de os controles e políticos internos se tornarem mais palpáveis.
Estruturação da base
Alaim Assad, diretor de Compliance para a América Latina da Mercer Human Resources Consulting, comentou que um oficial de compliance, pelo perfil de conhecimento dos processos de negócios da seguradora, é o profissional mais adequado para coordenar e constituir o banco de dados de perdas operacionais.
Para ele, que fez parte do grupo técnico que discutiu a Circular 492/14, uma dificuldade para essa estruturação é o fato de nem todas as informações necessárias estarem disponíveis na base de riscos operacionais.
“Existem diversas informações complementares que são tiradas, por exemplo, dos sistemas financeiros, como a data de pagamento. Há informações que são retiradas dos sistemas contábeis, como a data da contabilização”.
Os percalços acontecem por conta das diferenças entre os sistemas, suas linguagens e estrutura de bases diferenciadas. Outra dificuldade é o controle da captura de informações, especialmente as que não possuem contas contábeis próprias, como as referentes a fraudes, além da união de informações diferentes.
O controle de segurança também poderá gerar dificuldades. “É preciso ter controles sistêmicos para impedir não só o acesso indevido à base, mas também trilha de auditoria para identificar quem entrou e quem fez”, exemplifica para casos de fraudes internas.
De acordo com Assad, o apoio da alta administração da seguradora é imprescindível para esse processo. “Esse não é um trabalho individual. Envolverá todos os sistemas das companhias e quem tiver sistemas diferentes para os ramos precisará envolver todos, pois todos eles serão alimentadores de informações para essa base”.
A área de compliance também terá como tarefa conscientizar as demais áreas que esse trabalho agregará valor à companhia, uma vez que a base viabilizará a dimensão das perdas e se tornará uma boa ferramenta gerencial.
Fonte: Revista Cobertura, em 18.09.2014.