Por Jorge Wahl

Elaborado próximo do final de um ano para apontar os caminhos no exercício seguinte, o Plano Anual de Auditoria Interna (PAAI) não deve ser visto como uma peça pronta e acabada, destinada a atravessar os meses adiante sem sofrer os ajustes que as novas realidades impõem. Algo importante a dizer porque, como o PAAI dialoga com diversas áreas, todos na entidade podem se preparar para aproveitar esse dinamismo para juntos chegarem ao melhor resultado.
É por uma boa razão, portanto, que o plano anual figurou entre os temas mais intensamente debatidos nas últimas reuniões do Comitê dos Profissionais de Auditoria Interna da Abrapp, com os seus integrantes sempre em busca de alinhamento e posições consensuadas. Mas ainda assim é bom dizer que o PAAI e seus ajustes ao longo do exercício dividiu as atenções com outros pontos, como a importância de uma auditoria atenta aos riscos e bem inserida nos princípios e práticas da melhor governança.

Segundo o Diretor Vice-Presidente da Regional Nordeste da Abrapp, Roberto de Sá Dâmaso, que também é o responsável pelo Comitê dos Profissionais de Auditoria, “a criação do colegiado evidencia a importância do fortalecimento da governança e da disseminação de práticas estruturadas de auditoria nas entidades “.
Já Aline Rocha, Gerente Executiva de Auditoria Interna da Petros e Coordenadora do Comitê, explica que o PAAI representa um instrumento de direcionamento das atividades de auditoria, especialmente quando estruturado com base em riscos.
Ela segue observando que “mais do que um documento formal, o PAAI representa um mecanismo essencial para alinhar o trabalho da Auditoria Interna aos riscos prioritários das entidades e às expectativas dos órgãos de governança”.
Suporte da alta administração – De acordo com as diretrizes do Instituto dos Auditores Internos (associação que representa os profissionais de auditoria do mercado em geral), o plano anual deve se basear em uma avaliação documentada das estratégias, objetivos e riscos das entidades. E que precisa ser suportada pelas contribuições dos conselhos e alta administração, bem como pelo entendimento sobre os processos de governança, gerenciamento de riscos e controles.
Na prática, continua Aline, esse modelo contribui para otimizar o uso dos recursos da auditoria, direcionando esforços para áreas com maior potencial de impacto – seja financeiro, regulatório, operacional ou reputacional.
“Além disso, o planejamento baseado em riscos fortalece o papel consultivo da Auditoria Interna, permitindo que a função atue de forma mais proativa no aprimoramento do ambiente de controles internos das entidades”, destaca.
Aline finaliza chamando a atenção para o fato de que a boa prática recomenda que o PAAI seja elaborado e aprovado antes do início do exercício a que se refere, garantindo previsibilidade e organização das atividades de auditoria. No entanto, considerando a dinâmica do ambiente de riscos, especialmente no setor de previdência, não deve ser estático.
Revisões periódicas ao longo do ano são recomendáveis, principalmente diante de mudanças relevantes como alterações regulatórias, implementação de novos sistemas ou reestruturações organizacionais, conclui.
Fonte: Abrapp em Foco, em 28.05.2026.