Boletim Notícias do Seguro T3#13: Classe C já representa 41% dos carros segurados no país
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Open Insurance e SRO avançam em 2026: o que muda para consumidores e seguradoras
Susep coloca em produção a versão 3 do SRO e discute o aperfeiçoamento do Open Insurance, que amplia as possibilidades de compartilhamento de dados, mas exige cuidados com privacidade, segurança e tratamento não discriminatório
O mercado segurador brasileiro avançou, em 2026, na modernização de sua infraestrutura de dados. Em 2 de março, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) colocou em produção a terceira versão do Sistema de Registro de Operações (SRO). No mesmo período, a autarquia abriu uma tomada de subsídios para discutir o aperfeiçoamento do Open Insurance.
Embora façam parte da transformação tecnológica e regulatória do setor, os sistemas possuem finalidades diferentes. O SRO reúne informações das operações realizadas pelas empresas supervisionadas e auxilia o trabalho de fiscalização. Já o Open Insurance permite que o consumidor autorize o compartilhamento de seus dados entre instituições participantes.
Na prática, a nova fase pode ampliar a qualidade das informações, fortalecer a supervisão e abrir espaço para novos serviços. Ao mesmo tempo, traz desafios relacionados à privacidade, à segurança e ao uso responsável dos dados.
As mudanças ocorrem em um momento no qual o setor busca ampliar o acesso da população à proteção. Uma das metas do Plano de Desenvolvimento do Mercado de Seguros, Previdência Aberta, Saúde Suplementar e Capitalização é elevar a participação desses segmentos para aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030.
O que mudou no SRO em 2026?
A versão 3 do SRO reorganizou os campos de informação, tornou as regras de preenchimento mais objetivas e modificou a forma de envio de dados sobre prêmios, contribuições e sinistros.
O sistema não é uma ferramenta de comparação de seguros destinada ao consumidor. Sua função é registrar operações e oferecer à Susep informações mais padronizadas e detalhadas sobre o funcionamento do mercado.
Com essa base, a autarquia pode acompanhar a atuação das empresas supervisionadas, identificar movimentações fora do padrão e produzir informações mais precisas sobre o setor.
Uma aplicação já disponível ao público é o Sistema de Consulta de Seguros. Por meio dele, o cidadão pode verificar a existência de seguros registrados em seu CPF.
Como funciona o Open Insurance?
O Open Insurance, também chamado de Sistema de Seguros Aberto, possibilita o compartilhamento padronizado de dados e serviços. No caso das informações pessoais, a transmissão depende da autorização do cliente.
De acordo com a Susep, o consentimento deve ser livre, informado, prévio, inequívoco, eletrônico e relacionado a uma finalidade determinada. Dessa forma, o consumidor escolhe quais informações serão compartilhadas, com qual instituição e para qual objetivo. A participação não é automática.
Com a autorização, dados cadastrais e informações sobre apólices, contratos e movimentações poderão ser utilizados para facilitar comparações e apoiar o desenvolvimento de serviços mais adequados às necessidades dos clientes.
O uso dessas informações, no entanto, deve respeitar a finalidade autorizada, a segurança, a proteção de dados e as regras de conduta aplicáveis ao setor. A personalização de produtos não deve resultar em tratamentos discriminatórios, exclusão indevida de consumidores ou utilização de dados para objetivos diferentes daqueles informados.
Entre as aplicações possíveis estão plataformas capazes de reunir seguros contratados em diferentes empresas, jornadas digitais para o aviso de sinistro e soluções de portabilidade na Previdência Privada Aberta. A disponibilidade desses serviços dependerá da implementação pelas instituições participantes e da evolução das estruturas do sistema.
O tema já vem sendo acompanhado pelo setor segurador. Em conteúdo publicado pelo Notícias do Seguro, a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) explicou como o sistema pode ampliar o poder de decisão do consumidor.
Por que a Susep está revisando o Open Insurance?
Em março de 2026, a Susep abriu uma tomada de subsídios para avaliar e aperfeiçoar o Open Insurance. A discussão reuniu cinco temas: governança, participação das empresas, certificação das jornadas, interoperabilidade e monitoramento.
A iniciativa representa uma nova etapa do projeto. Depois da criação das estruturas técnicas, o desafio é garantir que o sistema funcione com segurança, estabilidade e utilidade para o consumidor.
A interoperabilidade está entre os principais pontos em discussão. Para que instituições diferentes consigam compartilhar e processar as informações, é necessário adotar padrões compatíveis. Dados incompletos ou bases que não se comuniquem adequadamente podem comprometer o funcionamento dos serviços.
Como os sistemas podem contribuir para o mercado?
O SRO e o Open Insurance podem reduzir assimetrias de informação e ampliar o conhecimento sobre os riscos e as necessidades da população.
Para o consumidor, o Open Insurance poderá facilitar comparações e aumentar o controle sobre o próprio histórico. Para as seguradoras, o compartilhamento autorizado de dados poderá apoiar o desenvolvimento de produtos mais flexíveis e adequados a públicos ainda pouco atendidos. Para o regulador, o SRO amplia a capacidade de acompanhamento e supervisão do mercado.
Esses resultados, contudo, não são automáticos. O compartilhamento de informações não garante preços menores, maior inclusão ou produtos personalizados. Os efeitos dependerão da forma como os dados forem utilizados, das soluções desenvolvidas pelas instituições e do cumprimento das normas de proteção ao consumidor.
O avanço tecnológico também não assegura, isoladamente, que o setor alcançará a participação de 10% do PIB. O crescimento depende de fatores como renda, educação financeira, confiança, oferta de produtos acessíveis e capacidade de levar proteção a grupos e regiões ainda pouco atendidos.
A nova fase do SRO e do Open Insurance amplia a infraestrutura de dados do mercado segurador, mas seus resultados dependerão do uso responsável das informações. Para que a transformação tecnológica também represente maior inclusão, será necessário combinar inovação com transparência, segurança, proteção de dados e oferta de produtos acessíveis.
Perguntas frequentes
Sou obrigado a compartilhar meus dados?
Não. O compartilhamento de dados pessoais depende do consentimento do consumidor e deve estar relacionado a uma finalidade determinada.
Open Insurance significa seguro mais barato?
Não necessariamente. O sistema possibilita o compartilhamento padronizado de informações, com requisitos de privacidade e segurança, mas não garante redução de preços. O valor do seguro continuará dependendo do risco, das coberturas contratadas e das condições de cada produto.
A personalização sempre beneficia o consumidor?
Não necessariamente. Os dados podem apoiar o desenvolvimento de produtos mais adequados, mas seu uso deve respeitar o consentimento, a finalidade informada, a proteção de dados e as regras de conduta, sem gerar tratamentos discriminatórios.
Aplicativos agregadores e soluções de portabilidade já estão disponíveis?
Esses serviços estão entre as aplicações possíveis do Open Insurance. Sua disponibilidade dependerá da implementação pelas instituições participantes.
SRO e Open Insurance são a mesma coisa?
Não. O SRO registra operações para auxiliar a supervisão do mercado. O Open Insurance possibilita o compartilhamento de dados e serviços mediante autorização do cliente.
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Fonte: CNseg, em 29.07.2026