A semana no ‘Notícias do Seguro’: inadimplência, transporte de cargas e Seguro Viagem em destaque
Inadimplência ameaça pequenas empresas e reforça importância da gestão de riscos
O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, com dívidas acumuladas em mais de R$ 17 bilhões, acendeu um sinal de alerta entre fornecedores do varejo. A Positivo Tecnologia, no entanto, apresentou um exemplo prático de proteção financeira ao comunicar que os valores que tem a receber do grupo estão integralmente cobertos pelo Seguro de Crédito.
Se uma grande empresa consegue reduzir dessa forma sua exposição a uma eventual inadimplência, a situação tende a ser mais delicada entre pequenas e médias empresas.
Dos mais de 9 milhões de CNPJs negativados no Brasil, 95% são de pequenas e médias empresas, segundo a Serasa. Em um ambiente de endividamento elevado e crédito caro e seletivo, a gestão de riscos pode ser determinante para a continuidade dos negócios.
Daniel Nobre, membro da Comissão de Crédito e Garantia da FenSeg, explica como funciona essa proteção:
“O seguro de crédito cobre os principais eventos de inadimplência do cliente do segurado, seja uma venda a prazo, uma prestação de serviço com pagamento a prazo, no qual o cliente contratante ou comprador não honra o compromisso de pagamento pela compra da mercadoria ou pela contratação do serviço.”
Os riscos podem ser classificados em dois grandes grupos: comerciais e políticos. No primeiro caso, estão situações como a insolvência de uma empresa, que pode resultar em recuperação judicial ou falência. No segundo, estão ocorrências como uma restrição determinada pelo país para o qual determinada mercadoria seria exportada.
Daniel Nobre destaca ainda que a proteção não é restrita às grandes companhias:
“O produto é acessível sim a empresas de qualquer porte. A condição necessária é que ela venda para outra empresa, porque é um mercado que cobre essencialmente as vendas entre empresas, ou seja, clientes que também são pessoas jurídicas.”
Dados da FenSeg indicam que o mercado brasileiro de Seguro de Crédito deve alcançar R$ 1 bilhão em prêmios até o fim deste ano.
Você sabia? Financiamento imobiliário conta com proteção obrigatória
O Brasil está ganhando novos arranha-céus. Em Balneário Camboriú, por exemplo, está em construção um empreendimento com mais de 550 metros. Outro, em São Paulo, terá 219 metros e, em Tocantins, 245 metros.
Mas não é preciso morar em um arranha-céu para contar com uma importante proteção.
Quem contrata financiamento para comprar um imóvel deve contar com o Seguro Habitacional, proteção obrigatória que acompanha a operação.
O seguro garante, no mínimo, a quitação total ou parcial do saldo devedor em caso de morte ou invalidez permanente do segurado, além de cobertura para danos físicos ao imóvel.
Supremo mantém norma sobre seguros no transporte de cargas
O Plenário do Supremo Tribunal Federal manteve a validade da norma que obriga transportadores a contratar seguros para o transporte de cargas e a elaborar plano de gerenciamento de riscos.
A decisão foi unânime e ocorreu no julgamento de uma ação direta de inconstitucionalidade em sessão virtual.
Para o relator, ministro Nunes Marques, a regra anterior criava desequilíbrio entre embarcadores e transportadores, inclusive em relação ao gerenciamento de riscos.
O ministro observou que, embora não seja proprietário da mercadoria, o transportador é responsável pelo serviço e pela carga e está exposto a acidentes, danos e crimes.
Por essa razão, o STF considerou legítimo assegurar ao transportador o direito de negociar e contratar seu próprio seguro, sem impedir que o embarcador contrate outras coberturas.
Tá na rede! Possível reencontro da família real coloca Seguro Viagem em pauta
O possível retorno do príncipe Harry e de sua família ao Reino Unido levou novamente a família real britânica às redes sociais. Piadas, teorias e especulações sobre um reencontro familiar se multiplicaram, enquanto o noticiário acompanha as possíveis reações do rei Charles III e do príncipe William.
Deixando a intriga real de lado, a história traz uma situação bastante comum: viajar para reencontrar a família.
E uma viagem, seja pelo Brasil ou para o exterior, também envolve riscos. Um deles é chegar ao destino e descobrir que a bagagem foi extraviada.
É aí que entra o Seguro Viagem. Dependendo do produto e das coberturas contratadas, a proteção pode incluir situações como:
- perda de bagagem;
- cancelamento de viagem;
- regresso antecipado;
- outros serviços e assistências previstos no contrato.
Por isso, independentemente do destino ou do motivo da viagem, vale incluir a proteção no planejamento e verificar previamente quais coberturas estão sendo contratadas.
CNseg destaca papel do seguro na resiliência climática durante o 3º Fórum IRB(P&D)
Evento, realizado no Rio de Janeiro com apoio da CNseg, reuniu lideranças do setor para discutir expansão da proteção, riscos climáticos, novas tecnologias e infraestrutura
O futuro do seguro passa pela capacidade de antecipar riscos, desenvolver novos produtos e ampliar o acesso à proteção. Essa foi uma das principais mensagens do 3º Fórum IRB(P&D), realizado em 26 de agosto, no Rio de Janeiro, com apoio da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Sob o tema “Não há futuro sem seguro: ciência, inovação e resiliência para ampliar a proteção”, o encontro reuniu representantes do mercado segurador, governo, academia e setor empresarial para discutir caminhos para uma indústria mais inovadora e capaz de responder aos desafios econômicos, sociais e climáticos.
Na abertura do evento, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destacou que a parceria entre a Confederação e o IRB+RE está baseada em um objetivo comum: ampliar o mercado de seguros não apenas como atividade econômica, mas como instrumento de desenvolvimento da sociedade.
“Essa é a função do setor: manter a sociedade no seu melhor estágio de desenvolvimento. A falta de seguros significaria retrocessos permanentes no ciclo de desenvolvimento de uma sociedade.”
Para Dyogo, o desafio de ampliar a proteção começa dentro do próprio mercado, que precisa ter maior disposição para ocupar espaços ainda não atendidos. Ao mesmo tempo, é necessário melhorar a comunicação com a população. Segundo ele, pesquisas mostram que, entre aqueles que possuem seguro, a experiência tende a ser positiva, enquanto uma parcela significativa dos brasileiros que ainda não têm proteção sequer está sendo alcançada pela indústria.
O presidente da CNseg também chamou atenção para um dos maiores desafios contemporâneos do setor: os riscos climáticos. Com eventos extremos mais frequentes e intensos, a indústria precisa combinar ciência, inovação e prudência para criar soluções capazes de proteger famílias, empresas e a própria economia.
“Se a indústria de seguros não se preparar para lidar com eles, não haverá outros riscos para segurar, pois o clima afetará tudo.”
Da catástrofe à estratégia nacional
O superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, reforçou a necessidade de transformar a experiência acumulada com eventos extremos em uma estratégia permanente de resiliência. Ao lembrar as sucessivas situações de emergência provocadas por eventos climáticos, destacou que o país não pode continuar reagindo de forma pontual a cada nova tragédia.
“O evento climático catastrófico é cada vez mais frequente, cada vez mais intenso, e a nossa capacidade de previsão ainda é muito limitada.”
Octaviani defendeu a construção de uma Estratégia Nacional de Resiliência Financeira e Securitária, articulando setor privado, poder público e outras fontes de financiamento. Segundo ele, o desafio não poderá ser absorvido exclusivamente pelo mercado ou pelo Estado. A prevenção, nesse contexto, também deve ser vista como uma forma de melhorar a qualidade do gasto público.
>> Confira a participação da diretora de Sustentabilidade da CNseg no evento
>> Confira a participação do diretor de Relações Institucionais da CNseg no evento
Brasil tem gap de 90% na proteção contra eventos climáticos, aponta CNseg
3º Fórum IRB(Re) foi realizado no Rio de Janeiro com apoio da CNseg
O 3º Fórum IRB(P&D), realizado em 26 de agosto, no Rio de Janeiro, com apoio da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) contou com a participação da diretora de Sustentabilidade da CNseg, Claudia Prates, no painel que tinha como tema “Desafios da indústria de seguros: proteção para famílias, PME e residências”. Junto com a diretora da CNseg estavam Otávio Ribeiro Damano, membro do Conselho de Administração do IRB(Re) e moderador; Luíza Terra, analista da Secretaria de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda; e Nuno David, diretor-presidente da IRB(Seg) Vida.
A diretora de Sustentabilidade da CNseg colocou no centro da discussão o enorme déficit de proteção existente no país. Segundo Claudia, estudo realizado pela CNseg identificou um gap de 90% na proteção contra eventos climáticos, embora esses eventos já representem 12% dos sinistros das seguradoras.
A executiva apresentou também o trabalho desenvolvido pela CNseg para entender as necessidades das populações mais vulneráveis. A pesquisa realizada em parceria com o instituto Locomotiva identificou demanda por seguros acessíveis, inclusive produtos na faixa de R$ 10 a R$ 15 mensais para coberturas como acidentes pessoais e vida.
“Há demanda e existem seguros acessíveis”, afirmou Claudia.
Para ela, ampliar a proteção passa ainda por educação financeira e por uma mudança na forma como o brasileiro percebe o seguro. Claudia destacou que a baixa participação não se explica apenas pela renda: existe também um déficit de conhecimento sobre proteção e uma oportunidade para que o setor desenvolva produtos mais adequados às necessidades de cada público.
“Educação financeira é um ponto importantíssimo para o Brasil melhorar na economia”, afirmou.
Os riscos climáticos tornam esse desafio ainda mais urgente. Claudia destacou que menos de 20% das residências brasileiras possuem seguro e que a cobertura entre pequenas e médias empresas também é baixa. O resultado é uma sociedade mais exposta aos eventos extremos e uma maior pressão sobre o poder público quando as perdas acontecem.
A tecnologia aparece, nesse cenário, como uma das ferramentas para aproximar o seguro do consumidor. Ao comentar a transformação digital, Claudia defendeu que a inovação precisa estar presente desde a concepção dos produtos.
“É pensar o digital da origem”, resumiu.
Luíza Terra acrescentou ao debate a necessidade de compreender as diferenças entre gerações e desenvolver produtos a partir das necessidades efetivas dos consumidores. Para ela, simplesmente digitalizar produtos tradicionais não é suficiente.
“O caminho é pensar na origem em produtos digitais, em produtos ligados a essa questão tecnológica”, afirmou.
A analista também defendeu uma mudança na própria organização das seguradoras, com profissionais capazes de pensar soluções e produtos, e não apenas executar funções tradicionais.
“Precisamos de profissionais que pensem soluções, que pensem risco, que pensem produtos que façam sentido”, disse.
Na avaliação de Nuno David, o enorme déficit de proteção deve ser encarado principalmente como uma oportunidade de crescimento. O executivo lembrou que o seguro de vida vem apresentando forte expansão no Brasil nas últimas décadas e que ainda há amplo espaço para aumentar a proteção da população.
“A oportunidade que existe aqui é, portanto, nós podermos levar proteção para a sociedade”, afirmou.
Nuno também destacou o papel dos dados para compreender os chamados “momentos de vida” dos consumidores e oferecer proteção no momento em que ela faz mais sentido. Para ele, a economia dos dados abre possibilidades inéditas, mas exige atenção ao consentimento e à relação de confiança com o consumidor.
Encerrando o painel, Otávio Ribeiro Damano reforçou que conhecer a necessidade concreta do consumidor deve ser o ponto de partida para a criação de novos produtos.
“O que o produtor rural na ponta quer é seguro de renda”, exemplificou, defendendo que o setor precisa compreender o que as pessoas efetivamente desejam proteger para então desenvolver soluções adequadas.
>> Confira a participação do presidente da CNseg e do superintendente da Susep no evento
>> Confira a participação do diretor de Relações Institucionais da CNseg no evento
Fonte: CNseg, em 28.08.2026