Seguro de doenças graves amplia apoio financeiro durante o tratamento de Câncer
Levantamento da CNseg mostra que as indenizações da modalidade cresceram 29,6% até julho de 2026, somando R$ 463,5 milhões
O diagnóstico de câncer de mama e de próstata pode trazer, além dos cuidados com a saúde, mudanças na rotina profissional e no orçamento familiar. Deslocamentos, despesas adicionais e eventuais períodos de afastamento do trabalho podem comprometer as finanças em um momento de fragilidade. Neste Outubro Rosa e Novembro Azul, a mobilização pela prevenção e pelo diagnóstico precoce também abre espaço para discutir a proteção financeira durante o tratamento.
Uma das ferramentas disponíveis é o seguro de doenças graves, que prevê o pagamento de uma indenização ao próprio segurado diante do diagnóstico de uma doença coberta, conforme as condições contratadas. No caso do câncer de mama e próstata, quando contemplado pela apólice e atendidos os critérios de cobertura, o recurso pode ajudar a sustentar as despesas da família e dar suporte à reorganização da rotina.
Levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostra que os pagamentos de indenizações dos seguros de doenças graves chegaram a R$ 463,5 milhões entre janeiro e julho de 2026, crescimento de 29,6% em relação ao mesmo período de 2025. O valor corresponde ao conjunto das doenças cobertas pela modalidade, não exclusivamente ao câncer.
A arrecadação desses seguros somou R$ 1,7 bilhão nos sete primeiros meses do ano, avanço de 18,2% na comparação anual. Em 2025, as indenizações totalizaram R$ 650,4 milhões, alta de 18%, enquanto a arrecadação alcançou R$ 2,6 bilhões, crescimento de 19,7%.
O apoio financeiro ganha relevância porque os efeitos de uma doença podem alcançar despesas que vão além da assistência médica. A manutenção das contas da casa, a necessidade de ajuda nas atividades diárias e a redução temporária da renda são situações que podem acompanhar o tratamento. A indenização contribui para enfrentar esses compromissos, de acordo com o valor contratado e as necessidades de cada pessoa.
“Diante de um diagnóstico de câncer, a proteção financeira pode ser tão importante quanto o planejamento para o futuro. O seguro de vida com cobertura para doenças graves oferece suporte para que o paciente enfrente o tratamento com mais tranquilidade, dedicando sua energia ao que realmente importa: a saúde e a recuperação”, disse Hilca Vaz, integrante da Comissão de Produtos de Risco da Fenaprevi.
A proteção financeira integra esse cuidado, mas a atenção à saúde permanece no centro da campanha. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), praticar atividade física, manter o peso corporal adequado e evitar bebidas alcoólicas são medidas que ajudam a reduzir o risco de câncer de mama. A amamentação também é considerada um fator protetor. A orientação de uma rotina saudável também é indicada pelo INCA para a prevenção do câncer de próstata.
Em paralelo, o seguro de doenças graves pode oferecer suporte para que o impacto financeiro não acrescente novas dificuldades ao período de tratamento. Ao contratar, é necessário observar quais doenças estão cobertas, os critérios para pagamento, as carências e as exclusões previstas na apólice.
Gases de efeito estufa batem recorde e aprofundam crise climática global, alerta OMM
Concentração de CO₂ atinge maior patamar da era moderna, metano dispara e cientistas preveem agravamento dos eventos extremos nos próximos anos
A crise climática global ganhou novos contornos de urgência em 2025. Dados divulgados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) revelam que as concentrações de dióxido de carbono (CO₂), metano e óxido nitroso atingiram níveis recordes, reforçando uma trajetória de aquecimento que já se traduz em ondas de calor, secas, enchentes e prejuízos econômicos crescentes ao redor do mundo.
Segundo o novo Boletim de Gases de Efeito Estufa da OMM, a concentração média global de CO₂ alcançou 426,8 partes por milhão (ppm), equivalente a 153% dos níveis observados antes da Revolução Industrial, em 1750. Trata-se de um marco que evidencia a intensidade do acúmulo de gases responsáveis pelo aquecimento do planeta. "Mais um ano, mais um novo recorde. Os gases de efeito estufa estão retendo uma quantidade sem precedentes de calor na atmosfera, fornecendo energia para eventos climáticos mais extremos e os riscos associados às nossas economias e sociedades", afirmou Ko Barrett, secretário-geral adjunto da OMM.
Barrett destacou que os efeitos das atuais emissões não serão sentidos apenas pelas próximas gerações, mas permanecerão por muito tempo. "Os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados e essa tendência deve continuar. O CO₂ tem uma vida útil muito longa e, portanto, afetará o clima global não apenas por anos, mas por décadas e até séculos", disse.
Os números ajudam a dimensionar o avanço da crise. Quando o primeiro boletim da OMM foi publicado, em 2004, a concentração de CO₂ era de 377,5 ppm. Em pouco mais de duas décadas, o planeta acumulou quase 50 ppm adicionais na atmosfera.
Outro dado considerado alarmante pelos pesquisadores é a aceleração da taxa de crescimento do carbono atmosférico. Segundo a OMM, a velocidade de aumento das concentrações de CO₂ triplicou desde a década de 1960, passando de uma média anual de 0,8 ppm para 2,4 ppm entre 2011 e 2020. Entre 2024 e 2025, o crescimento foi de 2,8 ppm, permanecendo acima da média histórica.
Além do aumento das concentrações, o impacto climático desses gases também cresce. Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mostram que o chamado forçamento radiativo, indicador que mede o efeito de aquecimento provocado pelos gases de efeito estufa, aumentou 56% entre 1990 e 2025. O CO₂ sozinho responde por cerca de 81% desse acréscimo.
Embora o aumento registrado entre 2024 e 2025 tenha sido ligeiramente inferior ao observado no ano anterior, cientistas alertam que não há motivo para comemoração. "A taxa de crescimento mais modesta de 2024 para 2025 reflete a recuperação dos sumidouros de carbono terrestres e a redução das emissões provenientes de incêndios após o forte El Niño de 2023 e 2024", explicou Oksana Tarasova, cientista sênior da OMM.
Segundo ela, a desaceleração temporária não altera a tendência estrutural de alta. "No entanto, um aumento anual de 2,8 ppm ainda representa uma adição substancial de carbono à atmosfera proveniente da queima de combustíveis fósseis", afirmou.
Tarasova destacou que novas pressões climáticas já se desenham no horizonte. "Podemos esperar um aumento ainda maior nas concentrações em 2026 devido à continuidade da queima de combustíveis fósseis e ao desenvolvimento de um El Niño intenso, que impactará os sumidouros de carbono terrestres, como ocorreu em 2023 e 2024. Os riscos da redução da absorção de CO₂ pelo oceano também estão aumentando em nosso clima em transformação", alertou.
Metano e óxido nitroso também batem recordes
O relatório aponta que a deterioração das condições climáticas não está associada apenas ao dióxido de carbono. A concentração média global de metano atingiu 1.948 partes por bilhão (ppb) em 2025, o equivalente a 267% dos níveis pré-industriais. Responsável por aproximadamente 16% do aquecimento provocado pelos gases de efeito estufa de longa duração, o metano tem origem principalmente na pecuária, nos aterros sanitários, na exploração de combustíveis fósseis e no cultivo de arroz.
Já o óxido nitroso (N₂O) alcançou 339,1 ppb, nível 26% superior ao observado em 1750. As emissões são atribuídas sobretudo ao uso de fertilizantes agrícolas, à queima de biomassa e a processos industriais.
Novas ameaças na transição energética
O boletim também chama atenção para riscos associados à própria transição rumo a uma economia de baixo carbono.
Entre eles está o hexafluoreto de enxofre (SF₆), utilizado em equipamentos elétricos. O gás possui um potencial de aquecimento global cerca de 24.300 vezes superior ao do CO₂ e pode permanecer na atmosfera por mais de mil anos. Em 2025, sua concentração registrou crescimento recorde.
Outro foco de preocupação é o hidrogênio molecular (H₂), considerado uma das apostas para descarbonizar setores como siderurgia, transporte marítimo e armazenamento de energia. Embora não seja um gás de efeito estufa, vazamentos podem alterar a química atmosférica e contribuir indiretamente para o aquecimento global. Sua concentração aumentou 5,3% entre 2010 e 2024.
Para a OMM, o monitoramento desses gases será cada vez mais importante para garantir que a transição energética não produza efeitos colaterais capazes de comprometer os benefícios climáticos esperados.
Os dados que evidenciam o agravamento da crise climática
- 426,8 ppm: recorde histórico de concentração de CO₂.
- 153%: nível atual de CO₂ em relação à era pré-industrial.
- 11 anos consecutivos: período dos anos mais quentes já registrados.
- 56%: crescimento do efeito de aquecimento dos gases-estufa desde 1990.
- 81%: participação do CO₂ nesse aumento.
- Triplicação da taxa de crescimento do carbono atmosférico desde os anos 1960.
- 1.948 ppb: concentração recorde de metano.
- 267%: nível atual de metano em relação a 1750.
- 339,1 ppb: concentração recorde de óxido nitroso.
- 24.300 vezes: potencial de aquecimento do SF₆ comparado ao CO₂.
- Mais de 1.000 anos: tempo de permanência do SF₆ na atmosfera.
Às vésperas da COP31, marcada para novembro de 2026, na Turquia, os números reforçam a avaliação dos cientistas de que a janela para limitar o aquecimento global continua se estreitando. Enquanto as emissões seguem elevadas, a atmosfera continua acumulando calor em níveis sem precedentes, ampliando o risco de eventos extremos e de impactos econômicos cada vez mais severos.
Fonte: CNseg, em 27.10.2026