Sistema 'Pesquisa de Seguro': passo a passo para descobrir se existe apólice, previdência ou capitalização em seu nome ou de um falecido
Existe um canal centralizado para descobrir seguros?
- Quando alguém morre ou quando surge a suspeita de que exista um seguro, plano de previdência privada ou título de capitalização ainda não localizado, uma dúvida comum é: “Existe algum canal centralizado para descobrir isso?”
- No Brasil, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) oferece um caminho importante por meio da pesquisa de seguro
- Ela não é um cadastro nacional de apólices, mas um serviço que consulta, de forma padronizada, as empresas associadas, em busca de vínculos em nome do interessado
Acesse ‘Pesquisa de seguro’ no site da CNseg
O que a CNseg faz - e o que ela não faz
A CNseg é a entidade associativa que reúne as federações e empresas dos segmentos de:
- seguros gerais e resseguros;
- previdência privada e seguros de vida
- saúde suplementar
- capitalização
Ela não é seguradora e não mantém:
- cópias de apólices
- contratos de previdência privada
- certificados ou contratos de capitalização
Ou seja: a CNseg não guarda dados de contratos.
O que ela faz, por liberalidade, é consultar suas associadas para verificar se existe algum produto em nome do CPF ou CNPJ pesquisado.
Quem pode pedir a pesquisa
A pesquisa é restrita e respeita a legislação de proteção de dados. Só pode ser solicitada por:
- a própria pessoa, para saber se há produtos em seu nome
- familiares ou herdeiros de pessoa falecida
- representantes legais de pessoa jurídica (sócio, administrador ou procurador)
Não é permitido investigar a vida financeira de terceiros vivos sem vínculo legítimo.
Primeiro passo: cadastro na plataforma da CNseg
Toda a solicitação é feita exclusivamente por plataforma eletrônica.
O processo começa com:
- acesso à plataforma indicada pela CNseg
- informação de e-mail
- criação de senha
Esse cadastro é obrigatório para identificação, envio seguro de documentos e acompanhamento do pedido.
Como preencher o pedido de pesquisa de seguros
Após o login, o solicitante deve:
- escolher o tipo de pesquisa (nome próprio, pessoa falecida ou pessoa jurídica)
- preencher os dados solicitados (nome completo, CPF/CNPJ etc.)
- anexar toda a documentação exigida
O caso mais comum - e mais sensível - é a pesquisa em nome de pessoa falecida
Pesquisa de seguros: documentos exigidos no caso de pessoa falecida
Em geral, são solicitados:
- certidão de óbito
- CPF e RG do falecido
- CPF e RG do solicitante
- comprovante de residência do solicitante
- documento que comprove parentesco (certidão de nascimento, casamento ou RG com filiação)
Se não houver comprovante de residência
- É aceita Declaração de Residência, assinada e com firma reconhecida em cartório.
Quando o pedido é feito por companheiro(a)
É necessário comprovar união estável, por meio de:
- contrato de união estável registrado ou
- duas declarações, com firma reconhecida, de pessoas que atestem a união
Quando o pedido é feito por advogado
O advogado deve apresentar procuração com firma reconhecida, com poderes específicos para:
- pesquisa de seguro
- previdência privada
- capitalização junto à CNseg
Sem essa especificação, o pedido pode ser recusado.
Atenção: imprimir, assinar e reenviar
Após preencher o formulário eletrônico, o solicitante deve:
- imprimir o formulário
- assiná-lo
- digitalizar o documento assinado
- anexar o arquivo na própria plataforma
Esse passo é indispensável para validar juridicamente a solicitação.
Protocolo, prazos e acompanhamento
Com a solicitação finalizada, o sistema gera:
- número de protocolo, enviado por e-mail
- O prazo informado para resposta é de até 45 dias úteis, considerando a consulta às empresas associadas e a consolidação das respostas
Acesse ‘Pesquisa de seguro’ no site da CNseg
Essa tal de 'gig economy' e o futuro do trabalho: oportunidades, limites e o que muda na sua vida profissional
O que é, afinal, a gig economy?
A gig economy é um modelo de trabalho baseado em tarefas, projetos ou missões pontuais (“gigs”), em vez de vínculos tradicionais de longo prazo.
Nesse sistema, a pessoa pode prestar serviços para vários clientes ou plataformas ao mesmo tempo, como:
- motoristas e entregadores de aplicativos
- profissionais de criação (texto, design, vídeo, social media)
- programadores, analistas de dados, UX/UI
- consultores em comunicação, marketing, finanças, RH e educação
- prestadores de serviços locais (manutenção, cuidados pessoais, aulas particulares)
O pagamento costuma ser por entrega, corrida, projeto ou hora trabalhada. Isso amplia a autonomia sobre a agenda, mas exige mais responsabilidade na gestão de renda, tempo e proteção social.
Por que a gig economy cresceu tanto?
A expansão da gig economy se explica por fatores combinados:
- digitalização do trabalho: plataformas conectam oferta e demanda em tempo real
- crises econômicas e desemprego: atividades sob demanda viram alternativa rápida de renda;
- mudança cultural: mais valorização de flexibilidade e projetos variados
- demanda das empresas: estruturas mais enxutas e contratação por projeto
O resultado é um mercado híbrido, em que o mesmo profissional pode acumular contrato PJ, freelas e trabalho via plataforma simultaneamente.
Vantagens para quem trabalha
Para muitos, a gig economy não é “bico”, mas estratégia de carreira. Entre os principais benefícios:
- flexibilidade de horário, facilitando conciliar trabalho, estudo e vida pessoal
- autonomia de escolha de projetos e clientes
- diversificação de renda, reduzindo dependência de um único pagador
- aprendizado acelerado, com exposição a diferentes setores e desafios
Para quem está empregado, gigs também funcionam como complemento de renda ou teste de novas áreas antes de uma transição.
Riscos e desafios da gig economy
O modelo também traz fragilidades estruturais:
- renda instável, com meses bons e ruins
- ausência de direitos trabalhistas clássicos, como férias, 13º e FGTS
- proteção social limitada, exigindo planejamento individual
- pressão constante por desempenho, avaliações e ranqueamento
- zona cinzenta regulatória, especialmente em plataformas de transporte e delivery
Na prática, a gig economy transfere para o indivíduo riscos antes diluídos entre empresa e Estado.
O papel das plataformas digitais
As plataformas são a infraestrutura da gig economy. Elas:
- organizam oferta, preços e regras
- usam algoritmos para distribuir tarefas e visibilidade
- concentram poder de barganha e influenciam renda
Por isso, temas como transparência algorítmica, remuneração justa e proteção de dados são centrais no debate público.
Como se preparar para trabalhar na gig economy
Algumas atitudes ajudam a reduzir vulnerabilidades:
- planejamento financeiro, com reserva de emergência
- formalização, como MEI ou CNPJ, quando fizer sentido
- diversificação de canais, evitando dependência de uma única plataforma
- posicionamento e portfólio claros, para cobrar melhor
- cuidado com saúde e limites, evitando a lógica do “sempre disponível”
Para empresas: como usar bem a gig economy
Boas práticas incluem:
- usar gigs para projetos específicos, sem precarização estrutural
- escopo e remuneração claros
- valorização de relações recorrentes com freelancers
- previsibilidade mínima de demanda e feedback
- Quando bem estruturada, a relação pode ser ganha-ganha
Gig economy não é futuro distante: é o presente
. A gig economy já molda como se trabalha, se empreende e se planeja carreira. Ela amplia possibilidades, mas exige mais consciência, planejamento e proteção
. Quem consegue equilibrar autonomia com organização financeira, diversificação de renda com cuidado com a saúde e flexibilidade com reputação tende a navegar melhor esse novo mercado - como profissional, empreendedor ou empresa contratante
Conversa Segura T4#04 | Seguro, Bioeconomia e Uso da Terra: desafios e soluções na agenda climática

Gravado em Belém durante a COP30, o quarto episódio da quarta temporada do Conversa Segura traz uma análise técnica e estratégica sobre a interseção entre o setor segurador, a academia e o terceiro setor. O foco central é o papel do seguro como viabilizador de uma nova economia do uso da terra no Brasil.
A jornalista Leila Sterenberg recebe dois especialistas: Frederico Soares Machado, gerente de Uso da Terra e Agricultura Sustentável do Instituto Clima e Sociedade (iCS), e Guilherme Bastos, coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro).
O debate aborda a "lacuna de proteção" no agronegócio brasileiro — onde apenas cerca de 3% da área cultivada conta com seguro, de acordo com a FGV. Além disso, sobre como o amadurecimento de instrumentos de de-risking é fundamental para atrair os trilhões de dólares necessários para a transição climática global. A conversa detalha temas cruciais como:
⦁ A crise do Seguro Rural: os desafios do Programa de Subvenção ao Prêmio (PSR) diante de eventos climáticos extremos e a necessidade de maior participação do setor privado.
⦁ Restauração Florestal como Indústria: como projetos como o Pró-Floresta+ utilizam o seguro para viabilizar a recuperação de milhares de hectares na Amazônia e atrair investidores.
⦁ A Bioeconomia e o Mercado de Carbono: o esforço para criar "métricas tropicalizadas" e a urgência de um "Zarc de Carbono" para dar segurança jurídica e financeira ao mercado.
⦁ Recuperação de Áreas Degradadas: análise dos programas RAIZES e Caminho Verde, que visam reintegrar 40 milhões de hectares à produção sustentável, reduzindo a pressão por desmatamento.
⦁ Descarbonização de Setores "Hard to Abate": o papel da agropecuária regenerativa e dos biocombustíveis brasileiros no suporte à transição energética de transportes marítimos e aviação.
⦁ Transparência e Dados: a urgência em "destravar" informações do campo, respeitando a LGPD, para que seguradoras e investidores possam precificar riscos de forma precisa e eficiente.
Frederico e Guilherme apresentam uma visão fundamentada em dados, conectando a política agrícola brasileira aos compromissos globais de emissões líquidas zero (Net Zero). O episódio demonstra que o seguro não é apenas um produto de proteção, mas uma ferramenta de política pública e estabilidade econômica para a segurança alimentar e energética.
O encerramento foca no legado de implementação da COP30 e no que lideranças empresariais e formuladores de políticas precisam fazer para que o Brasil lidere a nova economia verde global. YouTube - Spotify
O que é bioeconomia?

- A bioeconomia tornou-se uma das maiores apostas do Brasil para gerar renda, estimular inovação, valorizar saberes tradicionais e conservar a biodiversidade, com a Amazônia como eixo estratégico da transição ecológica
- Os debates da COP30 reforçam o potencial do país para liderar soluções sustentáveis em escala global
Leia também:
. Direto da COP30, na Casa do Seguro: ‘Do risco à regeneração: o papel do seguro na bioeconomia e nas soluções baseadas na natureza’
Dados e tendências que moldam o setor
O potencial econômico é expressivo: a bioeconomia brasileira pode movimentar R$ 100 a R$ 140 bilhões por ano até 2032, segundo o Fundo Vale, abrangendo alimentos inovadores, materiais biodegradáveis, biofármacos, cosméticos e novos materiais de base biológica.
O segmento de alimentos sustentáveis pode responder sozinho por até R$ 50 bilhões/ano. Biotecnologia, bioativos e bioinsumos - especialmente derivados dos recursos genéticos amazônicos - ampliam o valor agregado e atraem empresas e centros de pesquisa.
O Fundo de Bioeconomia da Amazônia (BID) já soma US$ 598 milhões para financiar cadeias produtivas sustentáveis, turismo ecológico, infraestrutura habilitante e restauração produtiva.
Mais de 20 startups operam no Innovation and Bioeconomy Center em Belém durante a COP30, criando soluções digitais, biotecnológicas, logísticas e sociais voltadas para cadeias regionais
Cadeias produtivas sustentáveis e inclusão social
As cadeias da sociobioeconomia conectam extração sustentável, beneficiamento local, produção agroindustrial e comercialização de fibras, óleos, bioativos, bioplásticos e alimentos tradicionais.
Parcerias entre seguradoras, BioParques, comunidades tradicionais e incubadoras viabilizam serviços ambientais remunerados, infraestrutura sustentável e acesso a mercados, gerando renda, fortalecendo a resiliência climática e mantendo a floresta em pé.
Políticas públicas e estratégia nacional
O Plano de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda coloca a bioeconomia entre os setores prioritários para criação de empregos qualificados, descarbonização e inovação, com uso ampliado de blended finance.
O Eco Invest Brasil estimula investimentos com leilões e modelos financeiros híbridos, exigindo que pelo menos 60% do capital investido venha de fontes estrangeiras, combinando crédito, fundos garantidores e mitigação de riscos.
Entre as metas estruturantes estão:
- multiplicar por dez o mapeamento genético dos biomas
- criar mil novos negócios científicos por ano
- consolidar o Brasil como polo global de soluções sustentáveis
Desafios e oportunidades
Apesar do potencial, apenas 10% da flora brasileira está geneticamente mapeada, um dos maiores gargalos para inovação e biotecnologia. A expansão das cadeias produtivas também depende de mais investimento em infraestrutura, logística, assistência técnica e acesso a tecnologias.
Outro ponto essencial é desenvolver produtos e serviços financeiros adaptados à bioeconomia, garantindo que o valor econômico permaneça nas comunidades que protegem os biomas.
Fonte: CNseg, em 27.01.2026