Seguros mitigam riscos de transporte de cargas perigosas

- A explosão de uma carreta bitrem carregada com Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), ocorrida em 19 de abril, na Rodovia Presidente Dutra (BR‑116), em Barra Mansa (RJ), expôs de forma dramática os riscos associados ao transporte de cargas perigosas no país. O acidente aconteceu por volta das 14h54, no km 273, quando o veículo perdeu o controle, tombou e explodiu, atingindo outros automóveis que trafegavam na rodovia.
- O episódio dialoga diretamente com os alertas feitos na reportagem “Seguros mitigam riscos de transporte de cargas perigosas”, publicada na Revista de Seguros nº 926, da CNseg.
- A matéria destaca que acidentes envolvendo produtos perigosos geralmente geram impactos que extrapolam a perda da carga, atingindo terceiros, o meio ambiente, a infraestrutura viária e, eventualmente, a própria continuidade das empresas envolvidas.
Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da concessionária CCR RioSP, a explosão de domingo provocou um incêndio de grandes proporções, levou à interdição total da rodovia nos dois sentidos por cerca de três horas e deixou ao menos cinco mortos e mais de dez feridos, alguns em estado grave. O impacto foi tão intenso que veículos foram incendiados, destroços se espalharam pela pista e houve preocupação com riscos ambientais devido ao vazamento e à combustão do gás. O gás transportado pela carreta era classificado como ONU 1075 – GLP, produto altamente inflamável, cujo vazamento, associado a qualquer fonte de ignição, pode resultar em explosões violentas.
Na matéria “Seguros mitigam riscos de transporte de cargas perigosas”, especialistas do mercado segurador e da área de gerenciamento de riscos avaliam que o transporte de produtos perigosos é uma das operações logísticas mais complexas do país, exigindo preparo técnico, conformidade regulatória e instrumentos financeiros adequados para lidar com sinistros de grande impacto.
Segundo os entrevistados, as múltiplas perdas geradas por esses acidentes tornam os seguros estratégicos para custear dados e garantir continuidade do negócio. Isso porque as coberturas vão além da indenização da carga, incluindo responsabilidade civil perante terceiros, custos de limpeza de pista, contenção de vazamentos e reparação de danos ambientais, especialmente em apólices específicas de responsabilidade ambiental.
Prevenção como fator decisivo
De acordo com os entrevistados, as seguradoras têm reforçado a ideia de que o seguro não substitui a prevenção, mas funciona melhor quando integrado a uma gestão de riscos estruturada. Entre as medidas citadas estão o treinamento especializado de motoristas, o uso correto de embalagens homologadas, a sinalização adequada dos veículos e o monitoramento das viagens em tempo real. Para esse grupo, empresas com práticas preventivas sólidas conseguem reduzir significativamente a frequência e a gravidade dos sinistros.
Cumprimento das normas é condição básica
Os especialistas também afirmam que o transporte de cargas perigosas está inserido em um ambiente regulatório rigoroso, alinhado a padrões internacionais. Eles alertam que o descumprimento das normas técnicas e legais não apenas aumenta o risco de acidentes, como pode resultar em multas, sanções administrativas e dificuldades na contratação ou acionamento do seguro. Assim, conformidade regulatória e segurança operacional são vistas como elementos inseparáveis.
Nesse cenário, os entrevistados concordam que os seguros exercem um papel fundamental ao difundir boas práticas, orientar empresas e estimular a cultura da prevenção, contribuindo para elevar o padrão de segurança do transporte de cargas perigosas no Brasil. Em outras palavras, a integração entre seguro, gestão de riscos e cumprimento das normas é fundamental para reduzir impactos ambientais, proteger vidas e fortalecer a logística nacional.
Ainda assim, acidentes, como o de Barra Mansa, ocorrem e reacendem o debate sobre aperfeiçoamentos das políticas públicas e capacitação especializada, uma vez que o transporte de produtos perigosos está inserido em um ambiente regulatório complexo, alinhado a normas nacionais e internacionais.
Abril é o mês da “zica” do mercado segurador?
É provável que os atuários (são os profissionais que precificam os riscos assumidos pelas seguradoras) não acreditem em bruxas, mas as evidências mostram que elas parecem gostar de fazer uma “visitinha” ao mercado segurador em abril, olhando a concentração de eventos vultosos ao longo da história. Sim, abril pode ser visto como um mês particularmente desafiador em termos de sinistros para o mercado mundial de seguros. Isso porque, ao longo das décadas, eventos de grande magnitude ocorreram justamente nesse mês, alimentando a percepção de uma sazonalidade adversa.
Entre os episódios mais marcantes está o naufrágio do RMS Titanic, em 15 de abril de 1912. Considerado um divisor de águas para o mercado, o evento mobilizou um consórcio internacional de seguradoras, incluindo companhias que dariam origem à Chubb Limited, que liquidou indenizações de casco e carga em cerca de 30 dias, demonstrando notável capacidade operacional para a época.
Poucos anos antes, em 18 de abril de 1906, o San Francisco earthquake devastou a cidade americana, destruindo aproximadamente 500 quarteirões e gerando perdas seguradas estimadas em US$ 235 milhões (valores da época). O evento expôs fragilidades financeiras relevantes no setor: diversas seguradoras não conseguiram honrar integralmente suas apólices, o que levou à insolvência de algumas delas e impulsionou mudanças estruturais na regulação e na gestão de riscos.
Grandes incêndios tomaram São Francisco após o Terremoto de São Francisco de 1906, estendendo-se por dias e agravando de forma decisiva os danos provocados pelos abalos sísmicos. As estimativas apontam para mais de 3.000 mortes, enquanto aproximadamente 80% da cidade foi reduzida a escombros.
O desastre é reconhecido como o terremoto mais letal da história dos Estados Unidos. Até hoje, o número de vítimas representa a maior perda de vidas em um evento natural na Califórnia, posicionando a tragédia entre as mais severas já registradas no país.
No Brasil, um dos exemplos mais recentes foram as chuvas intensas que tiveram início no fim de abril de 2024 e se estenderam por maio, especialmente no Rio Grande do Sul. O episódio desencadeou a maior operação de regulação de sinistros da história do mercado segurador brasileiro, com impactos em mais de 90% dos municípios do estado - um teste sem precedentes para a capacidade de resposta das seguradoras.
Nos Estados Unidos, abril também tem sido palco recorrente de eventos climáticos severos. Temporais e tornados registrados em anos recentes, como 2020 e 2025, produziram perdas multibilionárias, reforçando o papel da primavera no hemisfério norte como período crítico para riscos catastróficos, especialmente no chamado “Tornado Alley”.
O padrão se repete em outras regiões. As inundações na Arábia Saudita, em abril de 2024 - as mais severas em 75 anos - resultaram em cerca de US$ 3 bilhões em perdas seguradas, evidenciando como eventos extremos estão se tornando mais frequentes e geograficamente dispersos, em linha com os efeitos das mudanças climáticas.
Na era digital, os riscos de abril não se limitam mais a catástrofes naturais. Casos recentes de fraude envolvendo inteligência artificial, como o episódio conhecido como “Bear Suit”, na Califórnia - em que fraudadores utilizaram fantasias de urso para simular danos a veículos de luxo - ilustram uma nova fronteira de perdas. A sofisticação dessas fraudes aponta para um desafio crescente: o uso de IA generativa para criar evidências falsas, elevando o risco operacional e pressionando os sistemas antifraude das seguradoras.
Apesar da concentração de eventos adversos, abril também ocupa um lugar relevante na construção institucional do setor. Em 25 de abril de 1968, foi estruturada a operação que marcou a introdução do seguro de crédito à exportação no Brasil, por meio do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), ampliando a proteção aos exportadores contra riscos comerciais e políticos.
Recuando ainda mais no tempo, abril de 1808 marca o início formal da atividade seguradora no país. Com a chegada da família real portuguesa e a abertura dos portos, foi criada a Companhia de Seguros Boa-Fé, pioneira no seguro marítimo e embrião da estruturação do mercado segurador nacional.
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Setor segurador projeta crescimento mesmo com cenário desafiador
Mesmo diante de um ambiente econômico e geopolítico instável, o setor segurador brasileiro projeta crescimento de 5,7% em 2026, com arrecadação estimada em R$ 808 bilhões.
A revisão das projeções considera um cenário macroeconômico marcado por:
- inflação acima de 4%
- crescimento do PIB em torno de 1,8%
- taxa de juros acima de 12% ao ano
Para o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, fatores externos, como conflitos internacionais, podem pressionar ainda mais esse cenário:
“A guerra pode ter impactos nesses resultados mais para frente, principalmente pelo canal da inflação: petróleo mais alto, inflação mais alta, juros mais altos, PIB menor, né? E PIB menor é o que mais impacta a atividade de seguros. Então menos atividade econômica, menos renda, significa menos seguros também.”
Outro ponto de atenção é o impacto do IOF sobre a previdência privada. Segundo ele:
“A gente fez a estimativa já, que a gente vai apresentar, então nesse período nós já tivemos uma redução de 50 bilhões de reais em termos de aplicação na previdência. Então assim, as pessoas deixaram de aplicar esses 50 bilhões na previdência e foram aplicar esse dinheiro em outros títulos, certamente em títulos isentos, onde o governo não tem nenhuma arrecadação. Assim como também não teve nenhuma arrecadação relevante de IOF.”
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Conexão Brasília: novas regras fortalecem crédito à exportação
As novas regras para o Seguro de Crédito à Exportação já estão em vigor e ampliam a participação do setor privado no apoio às exportações brasileiras.
A Lei 15.359/2026 permite que financiadores e seguradoras atuem como operadores indiretos, aumentando a capacidade de cobertura e acesso ao crédito.
Para Daniel Nobre, da FenSeg, a mudança traz ganhos estruturais:
“Eu creio que a maior contribuição será tornar mais eficiente a conexão entre os exportadores brasileiros de um lado e os operadores financeiros e de seguro de outro, de forma que se possa viabilizar soluções de fomento ao crescimento das exportações brasileiras, seja na forma de financiamento ou na forma de proteção a riscos que o exportador se expõe nesta atividade. E no caso das seguradoras eu acredito que a parceria com o governo federal ela pode resolver muitas vezes dificuldades técnicas que as seguradoras muitas vezes enfrentam para subscrever riscos.”
A medida reforça o papel do setor segurador como pilar estratégico para a expansão econômica do país.
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Você sabia? Seguro Residencial pode proteger sua casa nas chuvas
Durante os meses de maior volume de chuvas, o Seguro Residencial pode ser um importante aliado.
Entre as coberturas disponíveis, estão:
- danos por alagamento
- reposição ou reparo de bens, como móveis e eletrodomésticos
- responsabilidade civil familiar
- despesas com moradia provisória, em caso de imóvel inabitável
Com acumulados que podem ultrapassar 60 mm em poucos dias, a proteção se torna ainda mais relevante.
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🎟️ Últimos ingressos para o Encontro de Resseguro do Rio
O último lote de ingressos para o 9º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro já está disponível.
📅 Data: 19 e 20 de maio de 2026
📍 Local: Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
O evento reunirá especialistas para debater temas como:
- ambiente regulatório
- cenário geopolítico internacional
- mudanças climáticas
- perspectivas do mercado de resseguro
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🎤 Tá na rede! Brasil vira rota de grandes shows — e seguros entram em cena
O Brasil se consolida como destino de grandes turnês internacionais em 2026.
Artistas como Shakira, BTS, Harry Styles e The Weeknd, além de nomes nacionais, movimentam a agenda cultural e as redes sociais.
Com grandes produções, cresce também a necessidade de planejamento e proteção.
Nesse contexto, o Seguro para Eventos se torna essencial para cobrir riscos como:
- cancelamentos
- adiamentos
- interrupções
Garantindo segurança para artistas, produtores e público - e assegurando que o espetáculo continue.
Fonte: CNseg, em 24.04.2026