Catástrofes climáticas: por que os “riscos secundários” já dominam as perdas seguradas no mundo
- Os riscos climáticos que antes eram vistos como “menos relevantes”, como incêndios florestais, tempestades e enchentes, passaram a liderar as perdas seguradas globais.
- Em 2025, esses chamados riscos secundários responderam por 92% das perdas seguradas por catástrofes naturais, somando cerca de US$ 107 bilhões.
- Esse dado revela uma mudança estrutural importante: o problema não está apenas em grandes eventos raros, mas em eventos frequentes, recorrentes e cada vez mais intensos.
O que são “riscos secundários” - e por que eles cresceram tanto
Tradicionalmente, o mercado segurador tratava como principais riscos:
- furacões
- grandes terremotos
- eventos extremos de baixa frequência
Já os riscos secundários incluem:
- incêndios florestais
- tempestades convectivas severas (granizo, ventos)
- inundações
O que mudou?
👉 Eles ficaram mais frequentes
👉 Afetam áreas urbanas densas
👉 Geram perdas acumuladas gigantescas
Ou seja: não é um evento isolado que quebra o sistema, mas a repetição constante de eventos médios.
2025: menos furacões, mais perdas
Um ponto curioso do estudo é que 2025 não teve grandes furacões nos EUA — normalmente os maiores responsáveis por prejuízos globais.
Mesmo assim:
- perdas econômicas globais: US$ 220 bilhões
- cerca de 49% estavam seguradas (recorde histórico)
Os principais impactos vieram de:
- US$ 40 bilhões em incêndios florestais
- US$ 51 bilhões em tempestades severas
- US$ 3,4 bilhões em inundações (abaixo da média recente)
A conclusão é direta: mesmo sem grandes catástrofes “clássicas”, o prejuízo continua alto.
O motor das perdas: mais exposição, não só mais risco
Segundo o estudo, mais de 80% do crescimento das perdas desde 1970 vem de um fator simples: estamos construindo mais — e mais caro — em áreas de risco
Isso inclui:
- expansão urbana em regiões vulneráveis
- aumento do valor dos imóveis e infraestrutura
- custo mais alto de reconstrução
Ou seja, mesmo que o clima não piorasse (o que não é o caso), as perdas já cresceriam só pela exposição.
O cenário futuro: perdas podem triplicar
As projeções indicam que:
- um ano extremo pode gerar até US$ 320 bilhões em perdas seguradas em 2026
- mesmo em cenário “normal”, perdas podem chegar a US$ 148 bilhões
Isso coloca pressão direta sobre:
- seguradoras
- resseguradoras
- governos
- preço dos seguros
Diferenças regionais: o risco não cresce igual para todos
O impacto varia por região:
- América do Norte: incêndios + tempestades
- Europa: tempestades severas
- Ásia: inundações
- Oceania: combinação de tempestades e enchentes
Além disso, em algumas regiões, o problema já não é só exposição: os eventos estão ficando mais intensos e mais imprevisíveis
A grande questão: a brecha de proteção
Mesmo com aumento da cobertura global, ainda existe um problema crítico: grande parte das perdas continua sem seguro
Em mercados emergentes:
- 80% a 90% das perdas não são cobertas
Isso significa que:
- famílias perdem patrimônio sem reposição
- empresas quebram
- governos precisam bancar reconstruções
O papel do seguro e do resseguro
Nesse cenário, seguro e resseguro funcionam como: amortecedores financeiros da sociedade
Eles ajudam a:
- garantir liquidez após desastres
- acelerar reconstrução
- reduzir impacto econômico sistêmico
Mas há um limite: se o risco cresce mais rápido que a capacidade de cobertura, o sistema entra em tensão
O que isso muda na prática (inclusive para o Brasil)
Para o Brasil, o estudo traz três implicações diretas:
1. Eventos “menores” vão pesar mais
Chuvas intensas, enchentes urbanas e deslizamentos tendem a gerar mais perdas acumuladas do que grandes eventos isolados.
2. Seguro deixa de ser opcional
A proteção passa a ser parte da infraestrutura financeira — não apenas um produto.
3. Políticas públicas se tornam essenciais
Sem integração entre:
- seguro
- resseguro
- prevenção
- adaptação climática
a chamada brecha de proteção tende a aumentar.
O novo paradigma do risco
O principal insight do estudo é simples - e poderoso: o risco mudou de formato
Antes:
- raro, extremo, concentrado
Agora:
- frequente, distribuído, cumulativo
E isso muda tudo:
- como precificar seguro
- como estruturar resseguro
- como governos se preparam
- como empresas e pessoas se protegem
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Conversa Segura T4#12: O papel estratégico do seguro na transição energética e na inovação verde
Neste 12º episódio do Conversa Segura, do canal SeguroPod, a jornalista Leila Sterenberg conduz uma conversa sobre como o mercado de seguros atua como um pilar financeiro e técnico para viabilizar a transição energética e contribuir para o enfrentamento do aquecimento global.
Para debater o tema, ela recebe Sidney Cezarino, diretor de Seguros Patrimoniais da Tokio Marine Seguradora.
O episódio amplia a visão tradicional do seguro apenas como pagador de indenizações e mostra sua atuação na avaliação, gestão e mitigação de riscos, elemento essencial para a viabilização de projetos de infraestrutura sustentável.
Entre os temas abordados estão:
- Avaliação e mitigação de riscos em grandes projetos de energia renovável, como parques eólicos, usinas solares e hidrelétricas.
• O avanço da geração distribuída, com o crescimento da instalação de painéis solares em residências e condomínios e os seguros que protegem essas instalações.
• Novas tecnologias da transição energética, como eólicas offshore, bancos de baterias para armazenamento de energia e o hidrogênio verde.
• Gerenciamento de riscos e resiliência climática, com exemplos práticos de prevenção de perdas em projetos energéticos.
• Proteção contra apagões e eventos extremos, incluindo coberturas que podem indenizar perdas de mercadorias, alimentos ou vacinas em caso de interrupção prolongada de energia.
• A estratégia global TMGX, iniciativa que reúne especialistas do grupo em todo o mundo para desenvolver soluções voltadas à economia de baixo carbono.
Durante a conversa, Sidney Cezarino destaca ainda que mais de 90% da matriz elétrica brasileira já é composta por fontes renováveis, reforçando o potencial do país na agenda da transição energética.
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Fonte: CNseg, em 24.03.2026