Carros: eletrificados entram na mira do crime e roubos crescem 91% no Rio
O Rio de Janeiro apresenta um comportamento que destoa muito do restante do Brasil, ao concentrar quase 60% do total das ocorrências até agosto
A eletrificação da frota brasileira avança em ritmo acelerado, mas traz um desafio que começa a chamar a atenção das seguradoras: a segurança dos veículos. No Estado do Rio de Janeiro, roubos e furtos de modelos híbridos e elétricos cresceram 91% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com igual período do ano passado. As ocorrências passaram de 501 para 956, em um movimento que contrasta com a retração dos crimes envolvendo veículos a combustão.
O salto acompanha a expansão da frota, mas os números fluminenses revelam uma particularidade. O Rio concentra uma parcela desproporcional dos crimes contra veículos eletrificados no país, sinalizando que a nova mobilidade também começa a entrar no radar da criminalidade. Para as seguradoras, o fenômeno exige atenção redobrada à evolução dos riscos e à forma de calcular o custo da proteção.
Segundo Bernardo Camara, vice-presidente do Sindicato das Seguradoras RJ/ES, o crescimento das ocorrências está relacionado, sobretudo, à rápida ampliação da frota circulante. “A frota de veículos híbridos e elétricos quase dobra a cada ano, e esse crescimento se reflete também no número de ocorrências”, afirma.
A comparação com o conjunto do mercado ajuda a dimensionar o contraste. No período analisado, os roubos e furtos de veículos no Rio caíram 4%, de 28.883 para 27.690 registros. Entre os modelos a combustão, a redução foi de 6%, de 28.382 para 26.734. A diferença sugere que, enquanto os índices gerais recuam, os eletrificados seguem uma trajetória distinta.
Rio concentra quase seis em cada dez casos
O quadro fluminense também destoa do comportamento nacional. Em 2025, o Estado respondeu por 56% dos roubos e furtos de veículos híbridos e elétricos registrados no Brasil. Em 2026, a participação subiu para 58%. No país, as ocorrências passaram de 889 para 1.638, uma alta de 84%.
“O Rio de Janeiro apresenta um comportamento que destoa muito do restante do Brasil. O estado concentra quase 60% dos roubos e furtos desses veículos no país, o que mostra uma procura mais acentuada por esses modelos pela criminalidade local”, diz Camara.
Uma hipótese levantada pelo executivo para explicar a especificidade fluminense é a possibilidade de utilização desses veículos em comunidades onde criminosos exercem controle territorial. Nesses locais, os modelos poderiam ser recarregados sem custo e dispensariam deslocamentos até postos de combustíveis situados fora dessas áreas. A hipótese, porém, não equivale a uma conclusão comprovada sobre a motivação dos crimes.
O risco entra na conta do seguro
A escalada das ocorrências pode repercutir nas condições de contratação do seguro. Segundo Camara, cada companhia avalia sua própria experiência com os eletrificados para definir preços, franquias e critérios de aceitação. A evolução dos roubos e furtos no Rio pode, portanto, influenciar a precificação e a disposição de algumas seguradoras para assumir determinados riscos.
Nas franquias, contudo, o executivo não identifica diferenças expressivas em relação aos veículos convencionais. O valor costuma estar associado principalmente ao custo dos reparos em sinistros com perda parcial, aspecto no qual, segundo ele, os eletrificados não apresentam grandes particularidades em comparação aos modelos a combustão.
O sindicato não dispõe de dados específicos sobre a arrecadação de prêmios de seguros para essa categoria. Ainda assim, Camara avalia que o aumento dos emplacamentos e da frota circulante permite inferir uma trajetória de expansão também na contratação de seguros para híbridos e elétricos.
Expansão exige novas estratégias
A perspectiva de crescimento do mercado permanece no horizonte das companhias. A eletrificação é uma tendência mundial, e as seguradoras vêm adaptando produtos e processos para atender às características dos veículos e às necessidades de seus proprietários.
O desafio é conciliar essa expansão com o controle da sinistralidade. Para isso, as empresas acompanham a evolução dos roubos e furtos e revisam continuamente seus critérios de preço, aceitação e subscrição, de acordo com os resultados de suas carteiras.
No Rio, a disparada das ocorrências envolvendo eletrificados acrescenta uma variável a essa equação. Mais do que acompanhar a chegada de novos modelos às ruas, o mercado terá de entender como a criminalidade se adapta à mudança tecnológica — e quanto essa dinâmica poderá pesar no custo de proteger a nova frota.
A semana no ‘Notícias do Seguro’: segurança jurídica, Seguro Auto e pagamentos do setor em destaque
De Brasília aos temas do cotidiano, o programa da semana explica como o seguro contribui para a proteção de pessoas, empresas e da economia
⚖️ Segurança jurídica é fundamental para ampliar a proteção do seguro no Brasil
O setor de seguros já representa mais de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e deve crescer cerca de 7,5% este ano, desconsiderando a previdência, impactada pelas mudanças envolvendo o IOF. Apesar da relevância econômica do segmento, especialistas avaliam que o país ainda convive com uma significativa lacuna de proteção.
O tema esteve no centro dos debates do 9º Seminário Jurídico do Seguro, realizado em Brasília. Durante o encontro, representantes do setor e do Judiciário defenderam que a previsibilidade das decisões judiciais e a consolidação do novo marco legal dos seguros são fatores essenciais para ampliar investimentos e fortalecer a confiança nas relações contratuais.
Para o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, um dos principais desafios do setor é ampliar o acesso aos seguros e assim reduzir a distância entre os riscos enfrentados pela população e a proteção efetivamente contratada, especialmente em segmentos como residência, veículo e rural.
“Nós temos de um lado uma contribuição efetiva muito importante, mas temos do outro lado um grande gap de proteção que nós precisamos avançar. E por que nós precisamos avançar nisso? Porque essa é a nossa maneira de poder contribuir para o país, poder contribuir para melhorar a qualidade de vida.”
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Luis Felipe Salomão, destacou a importância da segurança jurídica para a estabilidade das relações econômicas, um fator que também contribui para o desenvolvimento do mercado segurador e a ampliação da proteção financeira da sociedade. Ele explica que a Corte passa por uma transformação para assumir o papel previsto pela Constituição de intérprete final da lei federal.
“Com a mudança, cabe ao STJ estabelecer precedentes vinculantes, que devem orientar as decisões de outros casos semelhantes. Isso é previsibilidade. Isso é segurança jurídica. O STJ tem um papel fundamental na definição dos entendimentos jurídicos, principalmente nas questões de direito privado.”
Na discussão sobre a segurança jurídica no mercado segurador, a diretora Jurídica da CNseg, Glauce Carvalhal, destacou a importância de respeitar o princípio da irretroatividade na aplicação da Lei 15.040/2024, o Marco Legal dos Seguros. Segundo ela, as novas regras devem ser aplicadas aos contratos firmados a partir da entrada em vigor da legislação, preservando a segurança jurídica nas relações contratuais.
🚗 Você sabia? Seguro Auto pode ajudar em casos de enchentes
As fortes chuvas que atingiram São Paulo na última semana e provocaram alagamentos em diferentes regiões da cidade chamam a atenção para a importância da proteção dos veículos contra eventos climáticos. A imagem de carros arrastados e até submersos levantou a dúvida: é possível reduzir o prejuízo financeiro nesta situação?
Nesses casos, o Seguro Auto pode ser um aliado. Além das coberturas para colisão, roubo e furto, é possível incluir na apólice proteção para danos causados por eventos da natureza, como enchentes, granizo, queda de árvore e vendavais.
Para saber quais situações estão cobertas, é importante consultar as condições do contrato e esclarecer eventuais dúvidas com o corretor de seguros. Não esqueça: em caso de alagamento, a prioridade deve ser sempre a segurança. Por isso evite áreas de risco e procure um local seguro.
💰 Setor segurador pagou mais de R$ 272 bilhões à sociedade no primeiro semestre
O setor segurador injetou mais de R$ 272 bilhões na economia brasileira entre janeiro e junho deste ano por meio de indenizações, benefícios, resgates e sorteios. O volume representa crescimento de 1,7% em comparação com o mesmo período de 2025.
A Saúde Suplementar respondeu por quase R$ 146 bilhões dos pagamentos realizados no período, concentrando mais da metade de todos os valores devolvidos à sociedade pelo setor.
Os números reforçam o papel do mercado segurador na proteção financeira de famílias, empresas e atividades econômicas, especialmente em momentos de necessidade e recomposição de perdas.
🎤 Tá na rede! Reality culinário reforça importância do planejamento para empreender
A estreia da segunda temporada do programa Chef de Alto Nível movimentou as redes sociais e chamou a atenção para histórias de participantes que transformaram a experiência adquirida em competições gastronômicas em negócios próprios. Entre os exemplos estão Heaven Delhaye, Dayse Paparoto, Ravi Leite e Michele Crispim, que seguiram carreira no setor e abriram seus próprios restaurantes.
Mas, além de talento e criatividade, empreender exige planejamento. Em restaurantes e outros negócios do segmento, imprevistos como incêndios e danos elétricos podem comprometer equipamentos e interromper as atividades, gerando prejuízos financeiros.
Para reduzir os impactos desses imprevistos, o Seguro Empresarial pode oferecer proteção ao patrimônio e ajudar a manter a continuidade das operações, conforme as coberturas contratadas. A recomendação é avaliar as necessidades do negócio e buscar orientação especializada para escolher as proteções mais adequadas.
Este conteúdo foi adaptado do podcast Notícias do Seguro. Para ouvir a íntegra das discussões e entrevistas, acesse o episódio no Spotify.
Fonte: CNseg, em 23.10.2026