Chuvas intensas no Sudeste reforçam a importância da prevenção e da avaliação de riscos climáticos
Ferramenta gratuita da CNseg permite consultar pelo CEP a vulnerabilidade a alagamentos, deslizamentos e queda de raios
Os temporais que atingiram a Região Sudeste nas últimas semanas têm gerado graves impactos na mobilidade urbana. Mas eventos meteorológicos desse tipo, cada vez mais intensos e frequentes, podem provocar consequências que vão muito além dos transtornos no trânsito. Danos a residências, veículos, estabelecimentos comerciais e infraestrutura urbana, além dos riscos à vida, reforçam a necessidade de antecipar cenários de perigo e investir em medidas de prevenção. E entre essas medidas, a necessidade de informações qualificadas para os cidadãos.
Ferramenta da CNseg permite consultar riscos pelo CEP
Uma das iniciativas que contribuem para ampliar o acesso à informação é a Ferramenta de Riscos Climáticos da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). Disponível gratuitamente para qualquer pessoa, a plataforma permite consultar a vulnerabilidade de um endereço a três tipos de eventos: alagamentos, deslizamentos de terra e queda de raios.
O acesso é simples: basta informar o CEP ou inserir um endereço para consultar a classificação de risco da área. A ferramenta também permite realizar análises por coordenadas geográficas ou áreas de interesse.
Para quem mora em uma região sujeita a alagamentos, por exemplo, a consulta pode ajudar a compreender melhor a exposição do entorno e a orientar a busca por medidas de proteção. A análise também pode ser útil para quem pretende comprar ou alugar um imóvel, avaliar a localização de um negócio ou conhecer melhor os riscos presentes em determinada região.
A ferramenta integra dados territoriais, históricos, hidrológicos, geológicos, climáticos e observacionais para produzir uma avaliação consolidada do risco, sendo constantemente atualizada.
Em setembro de 2026, a CNseg anunciou a inclusão das análises de deslizamentos e queda de raios, além da previsão de incorporar outras quatro soluções até dezembro: vendavais, granizo, secas e geadas. A expansão busca ampliar o conhecimento sobre diferentes ameaças climáticas e apoiar a tomada de decisões.
Acesse a Ferramenta de Riscos Climáticos da CNseg e consulte gratuitamente os riscos associados ao seu endereço.
Mercado segurador como aliado na prevenção e na recuperação
A atuação do mercado segurador diante das mudanças climáticas vai além do pagamento de indenizações após a ocorrência de um desastre. Com dados, conhecimento técnico e capacidade de avaliação de riscos, o setor pode contribuir para identificar vulnerabilidades, orientar decisões de proteção e estimular a adoção de medidas preventivas por famílias, empresas e gestores públicos.
Diante de episódios como os registrados em São Paulo, conhecer os riscos da região onde se vive é um passo importante para se preparar melhor. A combinação de informação, planejamento, prevenção e proteção securitária pode ajudar a reduzir vulnerabilidades e fortalecer a capacidade de resposta da sociedade a um cenário de eventos climáticos cada vez mais desafiador.
France Assureurs detalha regras de indenização para veículos e patrimônios afetados por manifestações
A França atravessa um período de forte tensão social, e mercado segurador esclarece riscos cobertos e excluídos de indenizações devido a tumultos
Em razão dos prejuízos causados por episódios de violência urbana durante manifestações no país, a France Assureurs, entidade que representa o mercado segurador francês, publicou, em seu portal, orientações aos segurados proprietários de veículos, imóveis e estabelecimentos comerciais que podem ser indenizados pelas seguradoras.
Segundo a entidade, a cobertura para danos materiais depende das garantias contratadas em cada apólice. No caso de veículos incendiados, a indenização somente é assegurada quando o proprietário possui a cobertura opcional contra incêndio incluída no seguro automóvel. Já para veículos vandalizados ou danificados sem ocorrência de incêndio, a reparação dos prejuízos normalmente exige a contratação da cobertura denominada “todos os riscos”.
O valor da indenização varia de acordo com as condições previstas em contrato, incluindo critérios como valor de mercado ou valor de reposição do veículo e a aplicação de franquias. Proprietários que mantêm apenas o seguro obrigatório de responsabilidade civil não têm direito à cobertura dos danos sofridos pelo próprio veículo.
A publicação também destaca que vítimas cujos veículos foram destruídos por incêndio e que não possuíam cobertura específica podem recorrer à Comissão de Indenização às Vítimas de Crimes (CIVI), desde que respeitados os limites de renda estabelecidos pela legislação francesa. Nesses casos, a compensação pode alcançar até € 4.857, mediante comprovação de que o veículo estava regularizado.
Em relação aos imóveis e estabelecimentos comerciais, os danos provocados por tumultos, vandalismo, incêndios ou saques costumam ser cobertos pela garantia contra “tumultos e distúrbios civis”, presente na maioria dos contratos voltados para empresas e propriedades. A indenização é calculada conforme o nível de cobertura contratado, podendo abranger prejuízos decorrentes de incêndio, roubo, quebra de vidros e outros danos ao patrimônio segurado.
A France Assureurs lembra ainda que empresas afetadas pelo fechamento temporário de suas atividades podem ser ressarcidas pelas perdas financeiras por meio da cobertura de interrupção de negócios, uma garantia facultativa destinada a compensar a redução da margem bruta decorrente da paralisação total ou parcial do estabelecimento após um sinistro coberto.
Para receber qualquer indenização, a entidade ressalta que o segurado deve, primeiramente, registrar ocorrência junto às autoridades competentes e comunicar o sinistro à seguradora o mais rapidamente possível. Em geral, os contratos estabelecem prazo de até cinco dias após a constatação do dano para formalização da comunicação. A França também disponibiliza um sistema online para registro de queixas relacionadas a crimes contra o patrimônio quando o autor da infração é desconhecido.
A França enfrenta uma nova onda de mobilizações sociais impulsionada pela combinação de dificuldades econômicas, pressão sobre as contas públicas e insatisfação com a perda de poder de compra da população. O cenário tem levado estudantes, trabalhadores e aposentados às ruas para contestar medidas do governo e reivindicar mais investimentos em áreas essenciais.
Entre os principais focos de descontentamento está a educação. Desde setembro, estudantes do ensino médio promovem manifestações cobrando maior investimento na rede pública, ampliação do quadro de professores e medidas para reduzir a superlotação das salas de aula.
O aumento do custo de vida também tem alimentado os protestos. A inflação e a alta dos preços da energia e dos combustíveis pressionam o orçamento das famílias francesas, levando diferentes grupos sociais, incluindo os chamados "coletes amarelos", a denunciar a perda de poder de compra e o descompasso entre salários e despesas.
Ao mesmo tempo, o governo tenta reduzir um déficit público superior a 5% do Produto Interno Bruto (PIB), o que tem provocado resistência a propostas de contenção de gastos. Críticos argumentam que os cortes podem comprometer serviços públicos e enfraquecer pilares do modelo francês de proteção social, ampliando ainda mais as tensões nas ruas.
O ambiente de instabilidade tem gerado preocupação não apenas para o governo e a população, mas também para empresas e seguradoras, diante dos riscos de danos a patrimônios, interrupção de atividades e impactos econômicos decorrentes dos protestos.
Economia perde ritmo, inflação esperada sobe e cenário fiscal se deteriora
Confira a Análise das Expectativas Econômicas número 430
O Relatório Focus desta semana revisou para baixo as projeções de crescimento do PIB brasileiro, de 1,85% para 1,83% em 2026 e de 1,40% para 1,32% em 2027. Os indicadores de atividade de agosto reforçam a percepção de desaceleração, com recuo nos serviços e no varejo ampliado, apesar da alta de 0,3% do IBC-Br. As expectativas para o IPCA permaneceram em 5,22% em 2026 e subiram de 4,30% para 4,32% em 2027. Já as projeções para a Selic ficaram estáveis em 13,25% e 12,00%, respectivamente, refletindo as limitações para uma flexibilização monetária mais rápida diante das pressões inflacionárias.
No cenário fiscal, as expectativas pioraram, com aumento do déficit primário projetado para 2026, de 0,41% para 0,48% do PIB, e elevação da dívida líquida esperada para 2026 e 2027. O menor crescimento econômico, os juros elevados e as incertezas sobre o financiamento de medidas anunciadas pelo governo ampliam os riscos para as contas públicas. Na agenda da semana, destacam-se a divulgação da segunda prévia do IGP-M de outubro, o fluxo cambial semanal, a reunião do Conselho Monetário Nacional e o IPCA-15 de outubro. As pesquisas eleitorais e a reta final da campanha para o segundo turno também podem influenciar o câmbio e as expectativas econômicas.
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Fonte: CNseg, em 20.10.2026