Resseguro amplia capacidade do mercado para proteger grandes projetos e riscos climáticos
Ao distribuir grandes riscos, o resseguro ajuda seguradoras a estruturar proteção para obras de infraestrutura, eventos extremos e empreendimentos de maior porte
O aumento da exposição a eventos climáticos amplia o desafio de proteger obras, empresas, propriedades rurais e outros ativos de grande valor. Diante de perdas que podem atingir cifras elevadas e ocorrer simultaneamente em diferentes regiões, o resseguro ganha importância para apoiar a capacidade de proteção do mercado segurador.
O seguro das seguradoras
Conhecido como o “seguro das seguradoras”, o resseguro permite que uma companhia transfira parte dos riscos assumidos para uma resseguradora. Dessa forma, a exposição financeira não fica concentrada em uma única empresa, o que ajuda o mercado a oferecer proteção para atividades e empreendimentos de maior porte.
Essa estrutura é especialmente relevante para usinas de energia, rodovias, portos, aeroportos, ferrovias e instalações industriais. Também pode ser utilizada em carteiras expostas a enchentes, vendavais, secas, incêndios florestais e outros eventos naturais.
O resseguro, no entanto, não torna qualquer risco automaticamente segurável. A aceitação depende da análise técnica, enquanto a cobertura está condicionada aos riscos, limites, franquias e exclusões previstos na apólice.
Mercado movimentou mais de R$ 29 bilhões em 2025
Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), reunidos pela Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber), mostram que as cessões ao resseguro alcançaram cerca de R$ 29,2 bilhões em 2025, acima dos R$ 26,1 bilhões registrados no ano anterior. As resseguradoras locais responderam por aproximadamente R$ 16 bilhões desse volume.
Os números mostram a presença da transferência de riscos na estrutura do mercado brasileiro. Ao dividir exposições com resseguradoras nacionais e internacionais, as seguradoras podem ampliar sua capacidade para assumir compromissos de maior valor, conforme critérios técnicos e regulatórios.
Isso não significa, porém, que o resseguro garanta preço menor para o consumidor. O valor da proteção depende de fatores como localização, histórico de perdas, características do empreendimento, coberturas escolhidas e medidas de prevenção adotadas.
A legislação brasileira define o resseguro como a operação de transferência de riscos de uma cedente para uma resseguradora. O mecanismo integra o Sistema Nacional de Seguros Privados e contribui para a pulverização dos riscos.
Em julho de 2026, o Conselho Nacional de Seguros Privados atualizou as regras aplicáveis às operações de resseguro, retrocessão e cosseguro. Segundo a Susep, a norma promoveu adequações relacionadas à formação, formalização e execução desses contratos.
Eventos climáticos exigem maior capacidade financeira
A importância do resseguro fica mais evidente diante da dimensão das perdas provocadas por catástrofes naturais. Segundo estimativas do Swiss Re Institute, produzidas a partir de seu banco global de eventos e de modelos de perdas, essas ocorrências provocaram US$ 107 bilhões em perdas seguradas no mundo em 2025, distribuídas por 190 eventos.
No primeiro semestre de 2026, as perdas seguradas globais decorrentes de catástrofes naturais foram estimadas em US$ 42 bilhões. Os valores podem ser revisados à medida que novas informações sobre os eventos e os sinistros sejam incorporadas aos levantamentos.
Os números reúnem danos associados a diferentes tipos de ocorrência, como tempestades, enchentes, incêndios e terremotos. Por isso, não significam que todas as perdas tenham sido causadas diretamente pelas mudanças climáticas. Essa relação depende de análises científicas específicas.
Quando uma enchente, por exemplo, atinge diversos imóveis e estabelecimentos ao mesmo tempo, uma seguradora pode receber muitos avisos de sinistro em um curto período. Se o evento estiver coberto pelas apólices e incluído no contrato de resseguro, parte do impacto financeiro poderá ser compartilhada com a resseguradora.
Para o segurado, o procedimento não muda. A relação continua sendo mantida com a seguradora, responsável pelo atendimento, pela análise do sinistro e pelo pagamento das indenizações devidas, conforme as condições contratadas.
Infraestrutura depende de riscos bem avaliados
Em obras de infraestrutura, a proteção pode envolver diferentes etapas. Durante a construção, seguros de engenharia podem cobrir determinados danos materiais. O seguro garantia pode proteger obrigações específicas, enquanto coberturas de responsabilidade civil podem alcançar danos causados a terceiros, desde que estejam previstos na apólice.
Depois da conclusão, podem ser avaliados seguros patrimoniais, de riscos operacionais, equipamentos, responsabilidade civil e perda de receita. Como os valores envolvidos costumam ser elevados, a participação das resseguradoras pode ajudar a formar a capacidade necessária para estruturar a proteção.
Além de compartilhar riscos, as resseguradoras podem contribuir com conhecimento técnico. Empresas que atuam em diferentes países acumulam informações sobre eventos naturais, materiais, métodos construtivos e padrões de perdas. Essa experiência pode apoiar a avaliação das exposições, a definição dos limites e a recomendação de medidas preventivas.
Em áreas mais expostas a eventos extremos, a análise pode considerar mapas de inundação, histórico climático, características do terreno, resistência das estruturas, sistemas de drenagem, planos de emergência e capacidade de retomada das operações.
Informação e prevenção ajudam a ampliar a proteção
A disponibilidade e as condições do seguro dependem da qualidade das informações apresentadas e das medidas de prevenção adotadas. Projetos sem estudos técnicos, manutenção adequada ou planos de contingência podem encontrar maior dificuldade para obter cobertura.
Por isso, considerar seguro e resseguro desde o planejamento pode ajudar empresas e governos a identificar vulnerabilidades antes do início das obras. Informações completas sobre localização, construção, operação e prevenção permitem uma avaliação mais precisa do risco.
O resseguro não impede a ocorrência de enchentes, secas ou vendavais e não substitui investimentos em adaptação e prevenção. Seu papel é distribuir os impactos financeiros dos eventos cobertos e apoiar a capacidade das seguradoras. Em um cenário de maior exposição climática e necessidade de infraestrutura resiliente, essa estrutura pode contribuir para ampliar a proteção sem concentrar os riscos em uma única companhia.
Perguntas e respostas
Como o resseguro permite proteger obras e empreendimentos de grande porte?
Projetos como rodovias, portos, usinas e instalações industriais envolvem riscos e valores que podem superar a capacidade individual de uma seguradora. O resseguro distribui parte dessa exposição e ajuda a formar a capacidade necessária para estruturar os seguros, sempre após análise técnica.
O que acontece quando um evento provoca muitos sinistros ao mesmo tempo?
Se o evento estiver coberto, a seguradora continua responsável por atender os segurados e pagar as indenizações devidas. Nos bastidores, o resseguro pode absorver parte das perdas conforme o contrato firmado, contribuindo para que o mercado mantenha sua capacidade de resposta mesmo diante de ocorrências de grande proporção.
O segurado precisa saber se a apólice possui resseguro?
O segurado não precisa contratar nem acionar a resseguradora. Sua relação permanece com a seguradora indicada na apólice. Ainda assim, o resseguro é importante porque dá suporte à estrutura financeira que permite ao mercado oferecer seguros para riscos elevados e empreendimentos de maior porte.
Economia desacelera no segundo trimestre e amplia cautela nas projeções para 2027
Confira a análise completa da Análise das Expectativas Econômicas número 421
O Relatório Focus desta semana trouxe poucas alterações nas projeções para 2026, mas revisões mais relevantes para 2027. A estimativa de crescimento do PIB no próximo ano recuou de 1,52% para 1,50%, enquanto a projeção para o IPCA avançou de 4,22% para 4,24%. Os dados de atividade divulgados em junho vieram acima das expectativas, mas reforçaram a percepção de perda de fôlego da economia ao longo do segundo trimestre, especialmente no varejo e em segmentos mais sensíveis ao crédito. No cenário inflacionário, apesar da desaceleração do IPCA em 12 meses, as pressões sobre alimentação e serviços mantêm a cautela para os próximos meses.
A ata do Copom não trouxe novas sinalizações sobre a trajetória dos juros, mantendo as decisões condicionadas à evolução dos dados, enquanto a projeção para a Selic permaneceu em 13,75% em 2026 e 12,00% em 2027. No setor externo, as estimativas para o superávit comercial e o investimento direto no país foram revisadas positivamente para 2026. Para os próximos dias, a agenda econômica concentra indicadores relevantes no Brasil e no exterior, incluindo IGP-10, IBC-Br, produção industrial dos Estados Unidos, ata do Federal Reserve e PMIs.
>> Clique aqui para ler o documento "Análise das Expectativas Econômicas nº 421" na íntegra
CNseg realiza webinar para debater a presença feminina no mercado segurador
A presença de mulheres em cargos de alta liderança no mercado segurador estará no centro dos debates do webinar “Liderança, Diversidade e Equidade: A mulher executiva nos espaços de decisão”, promovido pela CNseg em 25 de agosto, às 10h30.
O evento online, transmitido pela plataforma Zoom, reunirá grandes executivos do setor para compartilhar trajetórias, debater as barreiras para a equidade de gênero e discutir soluções práticas para formar ambientes corporativos mais inclusivos e diversos.
>> Clique aqui para se inscrever gratuitamente no webinar
Palestrantes confirmados

Superintendente-executiva de Comunicação representa a CNseg no Congresso Mega Brasil de Comunicação

A superintendente-executiva de Comunicação da CNseg, Carla Simões, participa em 28 de agosto do painel “Como influenciar decisões e gerar mudanças políticas, sociais e institucionais em setores sensíveis da economia”, parte integrante da 29ª edição do Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas.
Junto com a superintendente da CNseg, participam dos debates a gerente sênior da Aché Laboratórios Farmacêuticos, Danielle Ogeda, e o gerente geral de Comunicação na Toyota do Brasil, Ricardo Castellani, com mediação do diretor de Comunicação da Prospectiva Public Affairs Latam, Ricardo Torreglosa.
O Congresso Mega Brasil ocorre presencialmente na Unibes Cultural, localizado na Rua Oscar Freire, 2500, Sumaré, São Paulo.
Os interessados podem ver a programação completa e se inscrever no evento clicando aqui.
Fonte: CNseg, em 18.08.2026