IA sai dos pilotos e avança no núcleo das seguradoras
Casos da Verisk, Guidewire, Bajaj Life, IFFCO-TOKIO e Mapfre indicam avanço da inteligência artificial sobre sinistros, subscrição, avaliação de risco e fraude.
- A inteligência artificial começa a avançar para uma nova etapa no mercado segurador. Depois de anos de provas de conceito, chatbots, copilotos e projetos experimentais, surgem evidências de que a tecnologia está sendo incorporada aos processos que fazem o seguro funcionar: subscrição, análise de riscos, regulação de sinistros, prevenção a fraudes e operações de atendimento.
- Não significa que todo o setor tenha deixado para trás a fase dos pilotos. A adoção permanece desigual entre empresas e mercados. Mas casos recentes mostram que, em algumas seguradoras e fornecedores de tecnologia, a discussão já não é apenas sobre experimentar IA.
- Passa a ser sobre como colocá-la em produção, integrá-la aos sistemas existentes, medir retorno e escalar sua utilização.
Uma forma de resumir essa transformação é:
IA como ferramenta → IA integrada ao workflow → IA como parte da infraestrutura operacional.
É justamente a passagem entre esses estágios que começa a ficar mais visível no seguro.
Verisk vê usuários de IA crescerem quase dez vezes
Um dos sinais mais objetivos aparece na Verisk, uma das principais fornecedoras globais de dados e tecnologia para o setor.
O XactAI, lançado no quarto trimestre de 2025 e incorporado aos fluxos de sinistros da plataforma Xactware, auxilia seguradoras, reguladores e profissionais de reparação em tarefas como resumo das informações de um sinistro, classificação de fotografias, extração de dados de documentos e geração de recomendações para estimativas.
Desde março de 2026, o número de usuários aumentou quase dez vezes, chegando a aproximadamente 7 mil licenças, segundo a companhia.
O dado é relevante não apenas pelo crescimento. A própria Verisk afirma que está trabalhando com seguradoras para levá-las da experimentação para implantações em produção e, posteriormente, adoção em escala. Ao comentar a monetização dessas soluções, o CEO Lee Shavel afirmou que a empresa já ultrapassou a etapa de simplesmente testar a tecnologia e passou a observar aplicações capazes de melhorar eficiência, produtividade e precisão.
Isso muda a natureza da discussão. Um experimento pode funcionar isoladamente. Uma solução operacional precisa funcionar de forma repetida, integrada a outros sistemas, com controle de acesso, segurança, qualidade dos dados e resultados previsíveis.
IA passa a conversar diretamente com dados de subscrição e sinistros
Em maio, a Verisk anunciou uma parceria com a Anthropic para disponibilizar informações e análises do setor segurador diretamente no Claude por meio de conectores baseados no Model Context Protocol (MCP).
A proposta é permitir que profissionais consultem, em linguagem natural, dados especializados da Verisk dentro de fluxos relacionados a subscrição e sinistros.
Segundo a empresa, uma seguradora que está entre as dez maiores de sua base já utiliza um desses conectores. A Verisk também desenvolve, em parceria com uma seguradora global, uma plataforma de subscrição baseada em IA agentiva.
Esse tipo de integração é diferente de simplesmente disponibilizar um chatbot para responder perguntas. A IA passa a acessar informações especializadas e participar de uma cadeia operacional existente, respeitando permissões e regras do ambiente corporativo.
A Verisk afirma que, em sua arquitetura com o Claude, os dados permanecem dentro da sessão do cliente e não são utilizados para treinamento dos modelos. A companhia associa essa estrutura a investimentos anteriores em organização de dados, infraestrutura, segurança e governança.
Guidewire leva agentes de IA para os sistemas centrais das seguradoras
Outro sinal importante surgiu em agosto.
A Guidewire lançou na versão Qusar de sua plataforma um Agentic Framework que permite a seguradoras construir, implantar e controlar agentes de IA conectados diretamente aos sistemas de seguros. A estrutura oferece acesso seguro e em tempo real a dados e workflows de apólices, sinistros e faturamento.
A empresa apresentou agentes específicos para sinistros e subscrição, além de aplicações capazes de executar processos com várias etapas.
O significado estratégico está na localização da IA: dentro do core operacional, e não em uma aplicação paralela.
A Guidewire sustenta que a integração permite automatizar processos complexos e reduzir para minutos decisões que anteriormente poderiam levar dias. A estrutura é também independente de um único modelo de IA, permitindo escolher modelos diferentes de acordo com a tarefa.
O lançamento reforça uma mudança arquitetural: a IA começa a deixar de ser apenas uma interface colocada sobre sistemas existentes para se tornar uma camada capaz de operar entre dados, regras, sistemas e ações.
Do “dashboard” para o “engine”
Uma entrevista publicada em 11 de agosto pelo Express Computer sintetizou essa transformação com uma analogia.
Goutam Datta, Chief Information & Digital Officer da Bajaj Life Insurance - antiga Bajaj Allianz Life Insurance - defendeu que as seguradoras não concentrem seus investimentos digitais apenas na periferia do negócio.
Na comparação do executivo, seria como modernizar o dashboard de um automóvel sem transformar seu engine. A mudança efetiva, segundo ele, precisa atingir os processos que determinam como o seguro é precificado, avaliado e entregue.
Datta aponta justamente para áreas como underwriting, avaliação de risco, detecção de fraudes, processamento automático e experiência do cliente.
A metáfora ajuda a distinguir duas fases da IA no seguro.
Na primeira, a tecnologia aparece principalmente na interface: chatbot, assistente, geração de textos, consulta de informações.
Na segunda, começa a influenciar como o trabalho é realizado e como decisões são produzidas.
Bajaj Life já passou de experimentos isolados para implantações empresariais
A própria Bajaj Life fornece evidências de que essa passagem já começou.
Em maio, a companhia informou ter evoluído, nos dois anos anteriores, de experimentos isolados de inteligência artificial para implantações em escala empresarial em diferentes funções.
Entre as aplicações estão sistemas que resumem automaticamente casos para subscritores, interpretam documentos, automatizam verificações, auxiliam na comunicação, apoiam funcionários e distribuidores e ampliam a emissão automática de apólices.
Segundo a empresa, várias dessas soluções começaram como pilotos e posteriormente foram ampliadas para ambientes de produção.
A companhia também vem integrando IA a etapas críticas da subscrição. Documentos de clientes podem ser interpretados automaticamente, verificações repetitivas são automatizadas e perfis são resumidos para acelerar a avaliação realizada pelo subscritor. Modelos analíticos também são usados para aprimorar a avaliação de risco.
É uma diferença fundamental: o valor deixa de estar apenas na capacidade de “produzir uma resposta” e passa para a capacidade de participar de um processo de negócio.
De 30% para 100% dos sinistros de Saúde
Um dos exemplos mais claros de passagem de teste para escala vem da IFFCO-TOKIO General Insurance.
- A seguradora indiana utiliza uma solução de IA para análise de sinistros de Saúde que combina reconhecimento óptico de caracteres, machine learning e processamento inteligente de documentos.
- Um único sinistro pode envolver entre 50 e 60 documentos. O sistema reúne as informações relevantes, identifica discrepâncias, gera resumos e sinaliza possíveis anomalias.
- Inicialmente, apenas 30% dos sinistros eram direcionados ao novo processo.
- Depois de validar os resultados, a empresa ampliou progressivamente sua utilização até chegar a 100% dos sinistros de Saúde desde março de 2026.
- Atualmente, cerca de 5 mil a 6 mil sinistros por mês passam por esses workflows assistidos por IA.
O caso é particularmente significativo porque permite observar as etapas do processo:
adoção limitada → validação → expansão → operação recorrente em grande volume.
A empresa também utiliza IA em sinistros de Automóvel para identificar imagens manipuladas, documentos duplicados e outras possíveis anomalias antes do processamento.
IA também começa a padronizar a avaliação de riscos
A IFFCO-TOKIO aplica ainda inteligência artificial à inspeção de riscos por meio da plataforma iDrishti 2.0.
Em uma inspeção tradicional, diferentes profissionais podem observar aspectos diferentes de um mesmo risco. A plataforma transforma essa avaliação em um fluxo estruturado: respostas anteriores determinam novas perguntas, enquanto imagens, vídeos, documentos e observações são coletados de maneira padronizada.
Ao final, o sistema produz um score de risco e recomendações que apoiam o trabalho do subscritor.
O exemplo mostra outra dimensão da IA operacional: ela não necessariamente substitui quem decide. Pode atuar estruturando a informação que antecede a decisão, reduzindo variações e oferecendo mais consistência ao processo.
No Brasil, Mapfre já leva IA para dentro da jornada de sinistros
O movimento também encontra exemplos concretos no mercado brasileiro.
Em fevereiro, a Mapfre ampliou uma iniciativa de inteligência artificial generativa que já permitia comunicar sinistros de Automóvel por mensagens de voz no WhatsApp.
A nova etapa incorporou um agente conversacional capaz de interpretar áudio, texto e imagens, validar a apólice, compreender a natureza da ocorrência e encaminhar solicitações de assistência em tempo real.
O sistema pode fazer perguntas adicionais, solicitar documentos, reconhecer informações em imagens, utilizar geolocalização e realizar verificações de cobertura antes de encaminhar o atendimento. Casos fora do padrão permanecem com atendimento humano.
A etapa anterior, dedicada ao aviso de sinistro, registrou em menos de três meses mais de 14 mil acessos e aproximadamente 1.600 sinistros registrados e concluídos, segundo dados da companhia.
O caso mostra que a transição não precisa ocorrer necessariamente por uma grande substituição do core tecnológico. A IA pode avançar gradualmente ao assumir etapas concretas de workflows existentes e ampliar o grau de automação à medida que sua utilização é validada.
Brasil já tem adoção ampla, mas impacto ainda é predominantemente incremental
Essa diferença entre adoção e transformação já havia aparecido no levantamento da CNseg sobre inteligência artificial no mercado segurador brasileiro, divulgado em fevereiro.
- A pesquisa mostrou que 80% das seguradoras participantes já haviam implantado alguma solução de IA, em processos internos ou em aplicações voltadas aos clientes. As empresas pesquisadas representavam mais de metade do mercado nacional.
- Mas 77% ainda classificavam o impacto como incremental e apenas 4% identificavam uma transformação disruptiva.
- O setor investiu aproximadamente R$ 2,3 bilhões em IA em 2025, com projeção de cerca de R$ 2,6 bilhões em 2026.
- O levantamento mostra também que os principais obstáculos não estão necessariamente na inexistência de modelos de IA. Integração com sistemas legados, mencionada por 69% das empresas, e confiabilidade e precisão dos modelos, apontadas por 58%, aparecem entre as principais barreiras.
- Outro dado ajuda a dimensionar a expectativa de mudança: 68% das companhias esperam ter processos totalmente automatizados em até cinco anos, principalmente em sinistros, resgates, pagamentos, subscrição e operações.
A diferença entre o diagnóstico de fevereiro e os casos internacionais mais recentes ajuda a enxergar o próximo passo: o desafio não é simplesmente aumentar o número de aplicações de IA, mas fazer com que algumas delas cheguem aos processos mais relevantes do negócio.
McKinsey identifica uma “escada da IA” no seguro
Uma análise publicada pela McKinsey em fevereiro descreve trajetória semelhante.
Segundo a consultoria, o setor está avançando por uma espécie de “AI staircase”.
- Na primeira etapa estão modelos preditivos, já consolidados em áreas como fraude, precificação e modelagem de riscos.
- Na segunda, a IA generativa começa a transformar tarefas intensivas em documentos, como emissão de apólices, submissions e partes do processamento e regulação de sinistros.
- A terceira fronteira é a IA agentiva, capaz de executar workflows de ponta a ponta com graus variados de autonomia.
O modelo ajuda a compreender por que as notícias recentes sobre Guidewire, Verisk, Bajaj Life e IFFCO-TOKIO são relevantes: elas apresentam indícios de empresas começando a subir essa escada.
Ao entrar no “motor”, a IA muda também o papel da informação
A transformação, porém, cria um paradoxo.
Quanto mais sofisticado se torna o modelo de IA, maior pode ser a importância de algo aparentemente menos inovador: a informação que chega até ele.
Na apresentação dos resultados da Verisk, a empresa afirmou que as conversas com seguradoras estão cada vez mais concentradas em quatro aspectos: precisão, eficiência, repetibilidade e retorno sobre o investimento.
Para aumentar a qualidade das respostas, a companhia cita explicitamente investimentos em Retrieval-Augmented Generation (RAG) e Engenharia de Contexto - Context Engineering.
A Engenharia de Contexto procura controlar melhor quais informações, regras, conhecimentos e referências entram no ambiente em que o modelo realiza uma tarefa ou toma uma decisão.
No caso da Verisk, a empresa relaciona essa abordagem a dados previamente limpos e estruturados, conhecimento especializado do setor e uma camada semântica que acrescenta estrutura, contexto e regras aos processos de IA.
É um ponto crucial para o seguro.
Quando a IA apenas produz um texto preliminar, um erro pode exigir uma correção editorial.
Quando participa da análise de um sinistro, da avaliação de risco ou da subscrição, a qualidade das informações disponíveis passa a afetar uma atividade operacional.
Por isso, qualidade dos dados, taxonomias, metadados, regras de negócio, proveniência, atualização, controle de acesso e validação deixam de ser questões periféricas de tecnologia. Tornam-se parte da própria arquitetura da decisão.
O diferencial pode migrar do modelo para o contexto
Modelos de inteligência artificial tendem a se tornar cada vez mais disponíveis para diferentes organizações.
O que uma seguradora possui de mais específico está em outro lugar: histórico de sinistros, dados sobre riscos, normas, contratos, produtos, critérios de subscrição, conhecimento atuarial, políticas internas, documentos técnicos, procedimentos e experiência acumulada.
É esse conjunto que permite transformar um modelo genérico em uma inteligência aplicada ao seguro.
Os movimentos da Verisk e da Guidewire apontam nessa direção: a vantagem não está apenas em conectar um grande modelo de linguagem, mas em conectá-lo ao conhecimento correto, aos dados corretos e ao workflow correto.
Em outras palavras, à medida que a IA entra no motor da seguradora, a base de conhecimento da organização também se transforma em infraestrutura operacional.
Escala também traz a discussão sobre ROI
Outro sinal de amadurecimento é a mudança na pergunta feita pelas empresas.
No começo da corrida da IA generativa, boa parte da discussão girava em torno do que a tecnologia era capaz de fazer.
Agora, a pergunta começa a ser: vale a pena fazer?
A IFFCO-TOKIO relata ter aprendido essa diferença ao desenvolver anteriormente uma solução própria de IA para avaliação de sinistros de automóveis. Manter infraestrutura dedicada, treinar continuamente os modelos e atualizar o sistema para novos veículos criou custos e complexidade.
A experiência levou a seguradora a adotar uma abordagem mais pragmática, avaliando adequação do caso de uso, possibilidade de medir resultados e viabilidade econômica antes de automatizar.
A Verisk faz movimento semelhante ao enfatizar retorno mensurável sobre o investimento, em vez de simplesmente incorporar a tecnologia mais recente.
O próprio avanço de piloto para produção depende dessa mudança: projetos que não demonstram valor dificilmente alcançam escala.
Mais autonomia torna governança ainda mais importante
Quanto mais a inteligência artificial participa dos processos centrais, maior também é a necessidade de definir limites de autonomia.
A IFFCO-TOKIO, por exemplo, distingue atividades adequadas à automação - como extração de informações e validação de entradas estruturadas - de decisões financeiras ou de negócio de maior impacto, nas quais considera necessária a supervisão humana.
Esse equilíbrio entre automação e controle também está chegando à agenda dos reguladores.
Nos Estados Unidos, a National Association of Insurance Commissioners (NAIC) adotou um Model Bulletin sobre o uso de IA pelas seguradoras que estabelece expectativas de governança e reforça que decisões tomadas ou apoiadas por inteligência artificial permanecem submetidas às leis e regras aplicáveis ao seguro.
Em 2026, a entidade passou a testar em 12 estados uma ferramenta para que reguladores avaliem utilização de IA, práticas de governança, mitigação de riscos, modelos potencialmente sensíveis e os tipos de dados utilizados pelos sistemas.
No Brasil, o debate geral sobre uma legislação específica para inteligência artificial continua em andamento no Congresso. O PL 2.338/2023, aprovado anteriormente pelo Senado, permanece em tramitação na Câmara dos Deputados.
A tendência é que a discussão sobre IA no seguro passe, portanto, a envolver simultaneamente eficiência operacional, qualidade de dados, explicabilidade, proteção das informações, supervisão humana e responsabilidade pelas decisões.
Do experimento à infraestrutura
Os casos observados ainda não permitem afirmar que a inteligência artificial já transformou estruturalmente toda a indústria de seguros.
Permitem, porém, identificar algo diferente do cenário de poucos anos atrás.
Há sistemas processando milhares de sinistros por mês. Há soluções que começaram como pilotos e chegaram a ambientes de produção. Há agentes sendo conectados aos sistemas centrais de apólices e sinistros. Há ferramentas de IA sendo incorporadas diretamente ao trabalho de subscritores e reguladores. E há fornecedores passando a tratar Engenharia de Contexto, governança e qualidade da informação como requisitos para colocar IA em escala.
Isso indica que a próxima fase da inteligência artificial no seguro pode ser menos visível do que a primeira.
Em vez de aparecer apenas como um chatbot na tela, ela tende a funcionar progressivamente nos bastidores, conectada aos processos, dados e sistemas que sustentam a operação.
É a passagem da IA que responde para a IA que participa do trabalho; da IA como ferramenta para a IA como workflow; e, finalmente, da IA como workflow para a IA como infraestrutura.
Quanto mais essa transformação avançar, maior será a importância não apenas do modelo utilizado, mas daquilo que a seguradora consegue colocar ao redor dele: informação confiável, contexto, regras, conhecimento especializado, segurança e governança.
Perguntas e respostas
A inteligência artificial já saiu da fase de testes no setor de seguros?
Em alguns casos, sim. Verisk, Bajaj Life e IFFCO-TOKIO apresentam aplicações que passaram de testes ou utilização limitada para ambientes de produção e workflows recorrentes. Isso não significa, porém, que todo o mercado segurador tenha alcançado o mesmo grau de maturidade.
O que significa dizer que a IA está entrando no “motor” das seguradoras?
Significa incorporá-la aos processos que fazem parte do núcleo do negócio, como subscrição, avaliação de risco, sinistros, fraude, processamento de documentos e operações, e não apenas utilizá-la em ferramentas periféricas de atendimento ou produtividade.
Em quais áreas a IA já está sendo utilizada pelas seguradoras?
Entre os casos analisados aparecem subscrição, análise documental, avaliação de riscos, sinistros, estimativas de danos, prevenção a fraudes, comunicação com clientes, assistência e automação de processos operacionais.
O que é IA agentiva no seguro?
É uma evolução dos assistentes de IA em que sistemas podem executar sequências de ações e interagir com ferramentas e dados para concluir determinadas tarefas. A Guidewire, por exemplo, já disponibiliza uma estrutura para agentes conectados a dados e workflows de apólices, sinistros e faturamento.
O que é Engenharia de Contexto?
É a organização do ambiente informacional utilizado pela inteligência artificial para realizar uma tarefa. Pode envolver dados, documentos, regras, histórico, ferramentas, permissões e critérios de validação. A Verisk afirma utilizar Context Engineering juntamente com RAG para melhorar a consistência e a qualidade das aplicações de IA destinadas ao mercado segurador.
Por que os dados se tornam mais importantes quando a IA entra nos processos centrais?
Porque a qualidade de uma decisão automatizada depende também da qualidade, atualização, estrutura, procedência e contexto das informações utilizadas pelo sistema. Quanto maior o impacto da decisão, maior a necessidade de governar esses dados e controlar como são acessados e interpretados.
A IA deve eliminar a participação humana nas decisões de seguros?
Os casos analisados não apontam para autonomia indiscriminada. A tendência observada é automatizar atividades em que o risco de erro é controlável e manter supervisão humana em decisões de maior impacto financeiro ou operacional.
Como está a adoção da IA pelas seguradoras brasileiras?
Pesquisa divulgada pela CNseg em fevereiro mostrou que 80% das empresas participantes já haviam implantado alguma solução de IA. Ao mesmo tempo, 77% ainda consideravam seus impactos incrementais, mostrando que adoção tecnológica e transformação do modelo operacional não são necessariamente a mesma coisa.
Qual pode ser a próxima etapa da IA no seguro?
Os casos recentes apontam para maior integração entre modelos de IA, bases de conhecimento, sistemas centrais e workflows. A evolução tende a deslocar o foco de ferramentas isoladas para aplicações capazes de atuar dentro das operações, acompanhadas por maior exigência de governança, segurança, qualidade dos dados e mensuração de resultados.
A semana no ‘Notícias do Seguro’: transição climática, infraestrutura e Seguro Auto em destaque
🌱 Projetos climáticos precisam ganhar escala no Brasil
O Brasil precisa transformar projetos-piloto de transição climática em iniciativas de escala. Para isso, será necessário ampliar a cooperação entre poder público, setor segurador, bancos e mercado de capitais.
A avaliação foi feita por Ana Toni, secretária nacional da Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, durante o Segundo Fórum de Finanças Sustentáveis, promovido pela CNseg em parceria com a Febraban e a Anbima.
“Temos muitos pilotos, muito maravilhosos. A gente tem que sair do piloto e ir para o pipeline. Escala é fundamental. A gente sabe que aqui no Brasil a gente acredita nos pilotos, a gente faz belos pilotos, mas a gente não pensa num piloto para já virar escala. A gente tem que mudar isso e acho que a gente tem todas as condições de fazer isso.”
Para a diretora de Sustentabilidade da CNseg, Claudia Prates, a participação do mercado segurador é estratégica porque a avaliação e a gestão de riscos podem ajudar a tornar projetos de adaptação climática mais viáveis também do ponto de vista financeiro.
“Adaptação climática e mitigação tem que caminhar junto. E o setor segurador para a adaptação climática tem um papel muito importante, que pode contribuir muito para bancos, para o mercado financeiro que é olhar o risco que aquele projeto, que aquela cidade vem passando, dar uma consultoria de avaliação climática e o financiamento vem a reboque.”
🏗️ Conexão Brasília: seguros para portos, hidrovias e aeroportos ganham grupo de trabalho
O Ministério de Portos e Aeroportos anunciou a criação do GT SegInfra, grupo de trabalho voltado à padronização do uso de seguros em concessões de portos, hidrovias e aeroportos.
A proposta é reduzir incertezas jurídicas, aprimorar estudos de viabilidade e estabelecer procedimentos mais claros para a transferência de riscos ao mercado segurador.
Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca:
“O GT busca responder quais riscos podem ser transferidos ao concessionário e, consequentemente, ao mercado segurador. A partir dessa resposta, o grupo pretende propor diretrizes para a padronização de coberturas, para a elaboração dos estudos de viabilidade, para a validação prévia do mercado segurador e para a redução de custos ocultos nos projetos”.
Para o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, o diálogo pode contribuir para tornar as cláusulas de seguros mais transparentes e fortalecer a capacidade de investimentos em infraestrutura.
“Tenho certeza que a partir deste diálogo, desse processo de discussão com clareza e objetividade, nós sairemos no final com um setor muito mais resiliente, muito mais capaz de fazer os investimentos necessários. E portanto, a necessidade de fazer frente ao setor de portos, hidrovias, e também, aeroportos para um país que nós precisamos construir”
O grupo terá representantes do Ministério, da CNseg e de agências reguladoras, como ANAC, ANTAQ e Susep.
🌳 Você sabia? Seguro Auto pode cobrir até a queda de uma árvore
Um vídeo que circulou nas redes mostrou uma mulher surpresa ao encontrar o carro esmagado por uma árvore em Itanhaém, no litoral paulista.
O marido e o filho estavam dentro do veículo no momento do acidente, mas passam bem. O automóvel, porém, ficou bastante danificado.
Situações como essa ajudam a mostrar a importância de conhecer as coberturas contratadas no Seguro Auto.
A cobertura compreensiva pode incluir proteção para ocorrências como:
- colisão;
- roubo ou furto;
- incêndio ou explosão;
- eventos da natureza.
Por isso, é importante conferir a apólice e entender exatamente quais situações estão cobertas.
🚘 Uso do carro em campanha eleitoral pode exigir alteração no Seguro Auto
O motorista que utiliza seu veículo particular em apoio a campanhas eleitorais precisa ficar atento às condições do Seguro Auto.
Segundo a FenSeg, a adesivação ostensiva dos vidros e da carroceria e o uso do automóvel em atividades de campanha podem caracterizar mudança de finalidade, de uso particular para comercial ou publicitário.
Nesses casos, a recomendação é procurar o corretor ou a seguradora para adequar o contrato. Sem essa atualização, uma eventual indenização poderá ser negada.
Já a colocação de pequenos adesivos de propaganda política, sem alteração da finalidade de utilização do veículo, não compromete a cobertura do seguro.
🎸 Tá na rede! Rock in Rio movimenta viagens e reforça importância do Seguro Viagem
A venda extraordinária de ingressos para o Rock in Rio movimentou as redes sociais e colocou muitos fãs novamente na corrida para garantir presença no festival.
E não são apenas os cariocas. Quem viaja de outros estados precisa organizar passagem, hospedagem, transporte e outros detalhes para acompanhar os shows na primeira quinzena de setembro.
Nesse planejamento, o Seguro Viagem também pode ser utilizado em deslocamentos dentro do Brasil.
Dependendo das coberturas contratadas, o produto pode incluir:
- despesas médicas, hospitalares e odontológicas;
- traslado médico;
- regresso sanitário;
- cancelamento da viagem;
- perda de bagagem;
- regresso antecipado.
Também é importante observar o valor do capital segurado e verificar se ele está adequado às características da viagem.
Assim, quem vem ao Rio para acompanhar o festival pode aproveitar a programação com mais tranquilidade e proteção contra imprevistos.
Fonte: CNseg, em 14.08.2026

