
As mudanças climáticas trazem efeitos diversos, não só ao produtor rural, mas para toda a sociedade, analisa a advogada Ingrid Moreira, do escritório Müller e Moreira Advogados
Em entrevista ao FIDESTalks, ela fala que os estragos podem ser observados em vários lugares do mundo e lembra grandes tragédias, como as fortes chuvas em Derna, na Líbia ou o terremoto, em Marrocos
No Brasil, a região Sul depois de ter sido castigada pela seca em 2021 e 2022, enfrenta chuvas torrenciais e inundações neste ano
Os movimentos são sempre extremados e que afetam a produção rural, com efeito em toda a cadeia de consumo interna e nas exportações
Para Ingrid Moreira, essa realidade exige constante atualização do produtor, mas também na análise de risco e oferta de produtos em seguro rural
Ela reforça que a diversificação de culturas melhora o solo, se transforma em novas possibilidades de renda ao longo do ano e reduz riscos para seguradoras e financeiras
Pontua que o seguro rural minimiza riscos desde o plantio até a colheita, além de gerar a possibilidade de novos investimentos em casos de sinistro
A advogada ainda destaca que toda apólice, ou seja, todo contrato de seguro traz informação do zoneamento agrícola de risco climático (Zarc) e o produtor rural precisa estar atento a esta informação
Acompanhe aqui a íntegra da entrevista com a advogada Ingrid Moreira.
Pesquisa IBGE, segunda parte: resultado traz dados importantes sobre moradia e hora trabalhada
A pesquisa "Síntese de Indicadores Sociais", divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dezembro, traz informações importantes sobre os seguros sociais, como os microsseguros, seguros residenciais comuns e até um tipo especial proposto pela CNseg para lidar com situações de catástrofe - assim como dados sobre como está a economia, o mercado de trabalho, o padrão de vida das pessoas, a distribuição de renda, as condições de moradia e a situação da educação no Brasil.
Entre os recortes que a pesquisa traz, estão pontos relevantes como moradia e hora trabalhada:
Sobre moradia
- A pesquisa relatou que perto de 64,6% da população brasileira vivem em domicílios próprios e já pagos, mas assinala que esta proporção está em queda desde 2016 (67,8%)
- No grupo da população mais pobre, na classe dos 20% com menores rendimentos, 65,4% vivem nessa condição.
- Entre os 20% com maiores rendimentos, esse percentual é menor: 64,2%
- O levantamento acrescenta que a proporção de domicílios alugados subiu de 17,3% em 2016 para 20,2% em 2022.
- Entre a população mais pobre, o percentual de domicílios alugados foi de 18,3%, 4,0 pontos percentuais acima de 2016
- Entre os mais ricos, foi de 21,0% em 2022, 3,2 pontos percentuais. acima de 2016
- O IBGE destaca que a proporção de domicílios “próprios - pagando” era menor entre a população com os menores rendimentos (2,9%), e mais comum entre aqueles com maiores rendimentos (10,2%)
- Já a proporção dos “cedido” era maior entre os mais pobres (13,4%) e menor para os mais ricos (4,4%)
Sobre hora trabalhada
- O percentual de pessoas ocupadas com vínculo empregatício recuou de 48% para 47,6% de 2021 para 2022
- Houve, contudo, aumento da participação dos trabalhadores sem carteira de trabalho assinada e de trabalhadores por conta própria- de 45,6% para 46,4% no período
- Com isso, a diferença na participação entre essas duas categorias de ocupação chegou a 1,2 ponto percentual (p.p.), a menor desde 2012, início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua
“Esse dado revela o crescimento da participação das ocupações socialmente menos protegidas na estrutura do mercado de trabalho brasileiro, situação distinta da verificada na primeira metade da década, especialmente em 2014, quando tal diferença foi a maior, em favor das ocupações com vínculo”, explica João Hallak, gerente da pesquisa
- Uma notícia preocupante: o número de jovens que não estudavam nem estavam ocupados foi de 10,9 milhões em 2022, o que corresponde a 22,3% das pessoas de 15 a 29 anos de idade.
- Do total, as mulheres de cor ou raça preta ou parda representavam 4,7 milhões (43,3%), enquanto as brancas formavam menos da metade desse montante: 2,2 milhões (20,1%).
- Outros 2,7 milhões (24,3%) eram homens pretos ou pardos e 1,2 milhão (11,4%) eram homens brancos.
- A redução do número de jovens que não estudam e não estão ocupados foi inferior à do total de jovens e, por isso, a taxa de jovens nesta condição não foi a menor da série.
- As menores taxas ocorreram em 2012 (21,8%) e 2013 (22,0%). A taxa de 2022 (22,3%) foi a terceira menor da série
“O indicador inclui simultaneamente os jovens que não estudavam e estavam desocupados, que buscavam uma ocupação e estavam disponíveis para trabalhar, e aqueles que não estudavam e estavam fora da força de trabalho, ou seja, que não tomaram providências para conseguir trabalho ou tomaram e não estavam disponíveis”, explica Denise Guichard, analista da pesquisa
Destaques da pesquisa
- O percentual de pessoas em situação de pobreza caiu de 36,7% em 2021 para 31,6% em 2022, enquanto a proporção de pessoas em extrema pobreza caiu de 9,0% para 5,9%, neste período
- Em 2022, havia 67,8 milhões de pessoas na pobreza e 12,7 milhões na extrema pobreza. Frente a 2021, esses contingentes recuaram 10,2 milhões e 6,5 milhões de pessoas, respectivamente
- A maior parte da população brasileira (64,6%) vive em domicílios próprios e já pagos. Esse percentual vem caindo desde o início da série, em 2016 (67,8%)
- Entre a população mais pobre, na classe dos 20% com menores rendimentos, 65,4% vivem nessa condição, percentual maior do que entre os 20% com maiores rendimentos (64,2%)
- Em 2022, o rendimento-hora da população ocupada branca (R$ 20,0) era 61,4% maior que o da população preta ou parda (R$12,4). Por nível de instrução, a maior diferença (37,6%) estava no nível superior completo: R$ 35,30 para brancos e R$ 25,70 para pretos ou pardos
- Em 2022, 40,9% dos trabalhadores do país estavam em ocupações informais. A proporção de informais entre mulheres pretas ou pardas (46,8%) e homens pretos ou pardos (46,6%) superava a média, enquanto mulheres brancas (34,5%) e homens brancos (33,3%) tinham taxas abaixo da média
Acesse agora as tabelas da pesquisa “Síntese de Indicadores Sociais” no site do IBGE
Relatório Focus da semana indica redução na projeção de inflação e elevação nas projeções de crescimento
Confira a análise completa do Acompanhamento das Expectativas Econômicas, número 281
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Fonte: CNseg, em 12.12.2023