
- O 23º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, realizado no Rio de Janeiro, reuniu cerca de 3 mil corretores e executivos do setor, sendo palco para discussões importantes sobre o futuro do mercado de seguros no Brasil
- Entre os principais temas abordados, o desafio de reduzir o déficit de proteção securitária no país, uma questão urgente já que aproximadamente 80% da população ainda não possui cobertura de seguros
- A meta faz parte do Plano de Desenvolvimento do Mercado de Seguros (PDMS) da CNseg, lançado em março de 2023, que tem como objetivo aumentar em 20% a participação do seguro na vida dos brasileiros.
- O plano está baseado em quatro pilares: imagem do seguro, canais de distribuição, produtos e eficiência regulatória
Mercado segurador em transformação e perspectivas otimistas
Ao longo do 23º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguro, Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, destacou o crescimento constante do setor, que atualmente representa 6% do PIB brasileiro e emprega cerca de 300 mil pessoas.
O mercado segurador tem registrado taxas de crescimento de dois dígitos nos últimos anos, com uma projeção de expansão de 11% para 2024. Oliveira reforçou a capacidade do setor de enfrentar crises, como as recentes enchentes no Rio Grande do Sul, que geraram R$ 6 bilhões em indenizações sem prejuízo ao pagamento de sinistros.
Durante o painel de debates, Oliveira trouxe à tona a importância de manter uma visão otimista sobre o futuro, mesmo em um cenário de instabilidades políticas e jurídicas que afetam a confiança dos investidores no Brasil. Ele reforçou que o acesso a seguros depende da posse de bens e da estabilidade econômica. O investimento no Brasil continua abaixo do esperado, afetando diretamente o setor.
Lei trará confiança para o mercado
"Acredito que o mercado segurador pode reproduzir a revolução sem precedentes ocorrida no mercado de capitais, com a reforma da legislação e o fortalecimento da regulação, que proporcionou mais segurança para os investidores e garantiu seus direitos", afirmou o secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Pinto, durante painel durante o congresso. O secretário acredita que a aprovação da nova lei do contrato de seguro, o Projeto de Lei Complementar 29, já aprovado no Senado e aguardando aprovação da Câmara dos Deputados, terá um impacto muito positivo para o setor. Segundo Marcos Pinto, a lei trará confiança para esse mercado e aumentará a demanda por seus produtos.
"O mercado de seguros tem crescido, mas ainda está em patamar bem abaixo do que poderia em termos de participação no PIB, havendo, assim, um enorme potencial de crescimento". O secretário defendeu o fortalecimento da regulação e da Susep para que o órgão do governo tenha mais instrumentos para fazer uma fiscalização efetiva. Ele também destacou a necessidade de impulsionar a oferta de produtos de seguro, citando a importância das cooperativas, modelo que fortaleceu o mercado de seguros nos Estados Unidos e Inglaterra. E reforçou a necessidade de se aperfeiçoar a tributação deste mercado, o que deverá acontecer com o fim da cobrança do IOF prevista na Reforma Tributária.
"Com um conjunto de medidas que aumentem a confiança, a oferta de produtos e removam os obstáculos tributários, o setor de seguros tem todas as condições de dobrar sua participação no PIB", finalizou Marcos Pinto.
Apoio governamental e novas regulamentações
A participação do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, trouxe um componente importante ao evento, reforçando o papel do governo no desenvolvimento do mercado de seguros. Haddad, que relembrou sua relação de longa data com o setor, mencionou sua contribuição na criação da Tabela FIPE e destacou a recente aprovação do Marco Legal do Seguro e do Projeto de Lei Complementar 519/18, que fortalecem a supervisão e a transparência no setor.
Compromissos futuros do Congresso
O presidente da Fenacor, Armando Vergílio, anunciou que todas as futuras edições do Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros serão realizadas no Rio de Janeiro. O evento, além de ser um ponto de encontro para os principais agentes do setor, inclui a Exposeg, uma feira paralela com a participação de corretoras, seguradoras e instituições do mercado, como a CNseg. Os visitantes tiveram a oportunidade de testar seus conhecimentos sobre o mercado segurador e concorrer a brindes no estande da confederação.
O Congresso reafirmou a importância da cooperação entre o setor de seguros e os agentes reguladores e governamentais, destacando o papel crucial dos corretores de seguros na ampliação do acesso à proteção securitária no Brasil.
Seguro Cibernético avança, mas persistem lacunas de cobertura
- O mercado de seguros cibernéticos tem registrado um crescimento significativo nos últimos anos. No entanto, a lacuna de proteção contra riscos cibernéticos continua elevada em escala global
- Tensões geopolíticas e a crescente digitalização das empresas são alguns dos fatores que aumentam esses riscos
- Em 2022, houve um aumento de 38% nos ataques cibernéticos em comparação ao ano anterior, demonstrando que incidentes dessa natureza podem causar impactos severos em diversos setores da economia global
Riscos cibernéticos são perigos relacionados ao uso da tecnologia, como ataques de hackers, vírus, roubo de informações e interrupções de serviços. Eles podem causar prejuízos financeiros, problemas de reputação e até questões legais para pessoas e empresas que usam sistemas digitais
Riscos cibernéticos: um desafio para o mercado de seguros
De acordo com o novo relatório da Geneva Association, intitulado Cyber Risk Accumulation: Fully tackling the insurability challenge, há desafios importantes na criação de soluções de seguros para riscos cibernéticos extremos. Esses eventos não podem ser previstos usando modelos estatísticos tradicionais, uma vez que as perdas cibernéticas dependem fortemente de fatores como os incentivos dos atacantes e as defesas das vítimas. Além disso, a crescente sofisticação dos ataques cibernéticos torna mais difícil prever a magnitude dos danos.
Ataques cibernéticos: impacto nas resseguradoras e acúmulo de perdas
O estudo destaca que a possibilidade de um ataque cibernético severo prejudica o apetite das resseguradoras para assumir riscos cibernéticos. Isso ocorre porque um incidente grave pode gerar uma série de reivindicações de segurados em várias linhas de negócios, resultando em um acúmulo substancial de perdas para as resseguradoras. Isso coloca em risco a estabilidade financeira das companhias de seguros e exige uma abordagem cuidadosa na avaliação desses riscos.
A importância de parcerias estratégicas na proteção contra ameaças cibernéticas
A Geneva Association sugere que parcerias estratégicas entre resseguradoras, governos e empresas de tecnologia são cruciais para melhorar a compreensão e a proteção contra ameaças cibernéticas. O compartilhamento de informações e conhecimento pode ajudar as seguradoras a ampliar suas ofertas de proteção cibernética, aumentando a capacidade de lidar com esses riscos. No entanto, o relatório também alerta que há limites para as perdas financeiras que o setor de resseguros pode suportar de maneira segura.
Um "backstop" governamental como solução contra ataques cibernéticos
O relatório da Geneva Association propõe a criação de um "backstop" governamental para incidentes cibernéticos de grande escala. Essa solução permitiria que as resseguradoras aumentassem sua cobertura e capacidade de absorção de riscos, oferecendo maior proteção para as empresas e a sociedade como um todo.
Preparação para eventos catastróficos
Jad Ariss, diretor executivo da Geneva Association, ressaltou a importância de parcerias adequadas para a preparação de eventos catastróficos, comparando a ameaça cibernética aos impactos globais da pandemia de COVID-19. Segundo Ariss, não se pode depender apenas de mecanismos de resposta após um ataque cibernético; é fundamental que as seguradoras, governos e empresas de tecnologia estejam preparados para lidar com um ataque cibernético generalizado e devastador.
Diminuindo a lacuna de proteção cibernética
Darren Pain, diretor de Cibersegurança da Geneva Association e autor do relatório, aponta que as muitas incertezas em torno dos riscos cibernéticos estão ampliando a lacuna de proteção cibernética. Ele acredita que, com melhores dados e uma compreensão mais aprofundada das ameaças, o mercado de seguros pode ajudar a diminuir essa lacuna. Contudo, Pain reforça que apenas melhorar os modelos de risco não será suficiente. São necessárias parcerias estratégicas entre resseguradoras, provedores de tecnologia e governos para criar um mercado de seguros cibernéticos mais robusto e sustentável.
Fonte: CNseg, em 11.10.2024