- A prolongada guerra entre a Ucrânia e a Rússia, que começou em 24 de fevereiro de 2022, causou não apenas mortes e feridos, mas também afetou significativamente o setor de seguros
- Apesar da destruição de inúmeros ativos como casas, empresas e carros, além de um ambiente de negócios hostil, 40 seguradoras fecharam as portas nos quatro primeiros meses de 2024
Guerra na Ucrânia: impacto no mercado segurador
No final de 2021, a Ucrânia contava com 145 grupos seguradores, sendo 132 de Danos e Responsabilidades e 13 de Vida. Até abril de 2022, poucos meses após a invasão russa, 140 seguradoras ainda estavam ativas. Atualmente, são 89 seguradoras de danos e 12 de Vida, totalizando 102, segundo a NAIU (Associação de Seguradores da Ucrânia)
Recuperação do setor segurador na Ucrânia
Curiosamente, esse grupo de empresas tem mostrado resiliência e expansão dos prêmios. Em 2023, houve um aumento de 25%, alcançando 8,5 bilhões de euros, compensando a queda de 5% em 2022. As modalidades que mais contribuíram para essa recuperação foram Automóveis (23% da arrecadação), Residência (18%), Saúde (13%), Vida (11%) e Green Card (10,6% - combinação de coberturas de Auto e viagem ao exterior).
Coberturas ativas na Ucrânia
As seguradoras ainda oferecem coberturas para lesões causadas pela guerra, casas e unidades de saúde danificadas, carros destruídos e empresas arruinadas. “Isso machuca a todos. Mas estamos felizes que o seguro possa ser uma força positiva e benéfica em meio a esse horror”, destaca Denis Yastreb, presidente da NAIU.
Adaptações necessárias à guerra na Ucrânia
A recuperação ocorre em meio à saída de algumas das principais resseguradoras globais. Um estudo do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), dos Estados Unidos, destaca que as resseguradoras, como a Munich Re, saíram do mercado ucraniano no começo de 2023, ou reduziram a oferta de cobertura. A Swiss Re, por exemplo, sofreu perdas de US$ 283 milhões no primeiro trimestre de 2022. Essa retração fez o mercado segurador da Ucrânia limitar os valores dos capitais segurados, considerados insuficientes pelo CSIS.
“O mercado de seguros não só se adaptou ao trabalho durante a guerra, mas também adaptou os seus produtos. Os membros das associações de seguros sentem a necessidade desse seguro por parte de seus clientes”, explica Denis Yastreb, presidente da NAIU (Associação de Seguradores da Ucrânia)
Ucrânia: cobertura de riscos de guerra
Para ele, as seguradoras do país cobrem parte dos riscos de guerra de cidadãos e empresas. Dependendo do produto, algumas seguradoras desenvolveram contratos específicos para a guerra, enquanto outras expandiram os limites das condições existentes ou incluíram seguros contra riscos de guerra em pacotes básicos e padrão.
Compensação total para bens danificados na Ucrânia
A questão da compensação total para bens danificados ou destruídos devido à guerra ainda é complexa. “Os termos do seguro e os valores segurados são determinados por cada seguradora separadamente. Atualmente, a maioria das companhias de seguros oferece proteção patrimonial contra danos de guerra dentro de certos limites, e não pelo valor total da propriedade. A possibilidade de seguro com cobertura total de sinistros também existe, mas afetará significativamente o custo do seguro”, conclui Yastreb.
Setor segurador pode construir soluções para enfrentar transição climática
“Primeiro precisamos prevenir, tomar medidas que evitem os desastres como criar contenções de encostas, barragens reguladoras, sistemas de drenagem nas cidades. Depois, nos prepararmos para a resiliência, construindo uma infraestrutura mais resistente para cenários extremos. Ou seja, temos que nos preparar para respostas aos desastres”, disse o presidente executivo da CNseg, Dyogo Oliveira, durante o 3º Fórum Esfera Brasil, no Guarujá
- O executivo da Confederação Nacional das Seguradoras participou do painel “Futuro Seguro: Prevenção a Desastres Ambientais” ao lado de Gustavo Pimentel, vice-presidente de finanças da Vale, e Rafael Tello, diretor de sustentabilidade da Ambipar.
- Confira a entrevista com Dyogo Oliveira durante o 3º Fórum Esfera Brasil.
Nova realidade climática: preparação e resiliência
Dyogo Oliveira ressaltou que o Brasil ainda não está preparado para enfrentar a nova realidade climática e defendeu a necessidade de aumentar a conscientização da sociedade sobre a importância da prevenção e da busca por coberturas de seguros.
Atualmente, no Brasil, apenas 30% da frota de veículos (19,9 milhões) e 17% dos domicílios (11 milhões) são segurados. No setor agrícola, somente cerca de 6% da área (7,3 milhões de hectares) possui cobertura de seguro rural.
“O seguro estabiliza a qualidade de vida ao longo do tempo, estabiliza o fluxo de uma família e empresas ao longo do tempo”, destacou Dyogo Oliveira.
Emergência climática: ações necessárias
O executivo reforçou a necessidade de o país criar ações para aumentar a resiliência contra a emergência climática.
“O Brasil tem enchentes todo ano e não se prepara para essa resposta e para essa realidade. Por isso, a CNseg apresentou ao governo e ao executivo uma proposta de resposta, que é a criação do Seguro Social de Catástrofe, um caminho que pode ajudar as vítimas das enchentes”, explicou.
Sobre o Seguro Social de Catástrofe
O Seguro Social de Catástrofe prevê o pagamento de indenizações de R$ 15 mil a famílias vítimas de enchentes e inundações. O seguro é visto como uma medida crucial para oferecer suporte financeiro imediato às vítimas, ajudando a estabilizar suas vidas após eventos desastrosos
Fonte: CNseg, em 10.06.2024