5 erros que enfraquecem a resiliência cibernética (e onde o seguro pode ajudar)
- Empresas que enxergam resiliência cibernética como checklist técnico, e não como gestão de risco de negócio, acabam repetindo sempre os mesmos erros - e aí nem o melhor seguro dá conta do prejuízo.
- O caminho é combinar boas práticas (pessoas, processos e tecnologia) com uma apólice bem estruturada, que entra como camada financeira complementar, nunca como substituta da prevenção.
1. Confundir “ter backup” com ser resiliente
Muita empresa se sente segura porque “faz backup”, mas mantém uma única cópia, no mesmo ambiente, sem testar a restauração e sem proteção adequada contra ransomware. Quando vem um ataque mais sério, descobre que a cópia está criptografada, corrompida ou tão desatualizada que não serve para retomar a operação com velocidade aceitável.
O que fazer melhor
Empresas mais maduras definem claramente quanto tempo podem ficar fora do ar e quanto dado podem perder, e alinham os backups a esses limites (RTO e RPO). Usam estratégias como a regra 3‑2‑1 (múltiplas cópias, mídias diferentes, uma delas offline ou em nuvem separada) e testam regularmente a recuperação em simulações de desastre. O seguro cibernético entra quando, apesar de todo o cuidado, ainda há custos elevados de resposta, investigação, comunicação e paralisação - mas ele não “ressuscita” dados que nunca foram devidamente copiados.
2. Tratar incidente cibernético como algo “à parte” da continuidade de negócios
Outro erro comum é ter um plano de continuidade focado em incêndio, enchente, falta de energia - mas que quase não contempla cenários de ataque digital, como sequestro de dados ou indisponibilidade prolongada de sistemas. O resultado é uma empresa com dois mundos desconectados: o da TI e o da gestão de crise, que só se encontram na pior hora possível.
O que fazer melhor
Organizações que respondem melhor a ataques integram o risco cibernético à agenda de continuidade: definem previamente quem decide o quê, quais áreas são acionadas, em quanto tempo e por quais canais. Simulam, na prática, situações como queda de sistemas críticos, falha de atendimento a clientes e pressão de reguladores, envolvendo liderança, jurídico, comunicação e tecnologia. Muitas apólices de cyber oferecem equipes especializadas de resposta, forense, jurídico e relações públicas - mas esse apoio só rende se a empresa já tiver um plano mínimo para acionar rapidamente esses recursos e encaixá‑los na sua governança de crise.
3. Ter governança de segurança “no papel”, sem métrica nem prioridade
Pesquisas indicam que a maioria das organizações declara possuir programas de resiliência cibernética, mas poucas medem de forma consistente sua capacidade real de resistir, responder e se recuperar. Falta visibilidade para o conselho sobre indicadores básicos, como tempo para detectar e conter incidentes, frequência de testes, eficácia de treinamentos e aderência a políticas.
O que fazer melhor
Empresas mais avançadas tratam resiliência cibernética como qualquer outro risco estratégico: com métricas, metas e acompanhamento pela alta liderança. Elas usam frameworks de gestão de risco cibernético (como guias de órgãos técnicos) para priorizar investimentos, em vez de só “acumular ferramentas”. Nesse contexto, o seguro cibernético vira parte de uma conversa estruturada com o conselho: ajuda a traduzir risco em impacto financeiro esperado e a disciplinar práticas mínimas, mas não resolve a falta de governança interna.
4. Tratar treinamento como campanha pontual de conscientização
Não é segredo que o elo humano ainda origina a maior parte dos incidentes - via phishing, senhas fracas, uso indevido de dispositivos, entre outros. Mesmo assim, muitas empresas limitam o tema a um curso obrigatório anual, feito para “cumprir tabela”, sem simulações reais nem adaptação de linguagem ao dia a dia das equipes.
O que fazer melhor
Empresas resilientes transformam treinamento em rotina: fazem campanhas contínuas, simulados de phishing, mensagens curtas sobre golpes em alta e compartilham lições aprendidas com incidentes reais, sem culpabilizar indivíduos. Elas medem o efeito disso (taxa de cliques em simulações, evolução ao longo do tempo, engajamento por área) e ajustam conteúdo de acordo com o perfil dos públicos internos. Em paralelo, uma apólice de cyber bem desenhada ajuda a custear resposta, notificação a titulares de dados e medidas de mitigação pós‑incidente, mas não impede o clique equivocado se a cultura seguir frágil.
5. Apostar no seguro como “plano B” e relaxar na gestão de risco
Talvez o erro mais perigoso seja enxergar o seguro cibernético como substituto de controles técnicos e de processos, quase como um “vale tudo” financeiro após o incidente. O movimento de mercado vai na direção oposta: seguradoras têm endurecido requisitos, restringido coberturas e exigido evidências concretas de maturidade para aceitar riscos mais complexos.
O que fazer melhor
O seguro precisa ser encarado como parte de uma estratégia mais ampla de gestão de risco: vem depois de identificar ativos críticos, corrigir vulnerabilidades, estruturar governança e fortalecer pessoas e processos. Ele protege o caixa, viabiliza acesso rápido a especialistas e reduz o impacto financeiro de eventos graves, mas não garante conformidade regulatória nem reputação intacta se a empresa negligenciar o básico. Em vez de perguntar “tenho seguro, então estou tranquilo?”, a pergunta madura passa a ser: “o que o fato de eu ser (ou não) segurável está dizendo sobre a minha gestão de risco?”.
Enchentes assumem protagonismo entre as preocupações ambientais nas cidades brasileiras
As enchentes deixaram de ser um problema sazonal para se consolidar como a principal preocupação ambiental nas grandes cidades brasileiras. É o que revela a nova edição da pesquisa “Viver nas Cidades: Meio Ambiente e Mudanças Climáticas”, realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, que ouviu 3.500 pessoas em dez capitais do país.
O dado marca uma virada relevante na percepção urbana: pela primeira vez, alagamentos e inundações superam a tradicional preocupação com a poluição do ar, uma pauta historicamente dominante nos grandes centros.
O levantamento aponta que enchentes lideram o ranking de problemas ambientais em cidades como Porto Alegre (64%), Goiânia (50%), Belo Horizonte (49%), Recife (41%) e Rio de Janeiro (40%).
Esse avanço reflete não apenas eventos climáticos mais intensos, mas também falhas estruturais antigas — como drenagem insuficiente, ocupação irregular e falta de planejamento urbano resiliente.
A exceção é São Paulo, onde a poluição do ar ainda ocupa o primeiro lugar (51%), evidenciando como os desafios ambientais variam conforme o perfil urbano e econômico de cada metrópole.
Mudanças climáticas já pesam no bolso e na rotina
Além de identificar os principais problemas, a pesquisa revela como as mudanças climáticas estão sendo sentidas no cotidiano da população.
O impacto mais citado foi o calor excessivo (33%), seguido pela poluição do ar (22%). Já fatores econômicos começam a ganhar destaque: o aumento do preço dos alimentos aparece com 15%, enquanto as enchentes atingem 11% das respostas.
Esse cenário mostra uma mudança importante: o clima deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar também uma questão econômica e social, afetando desde a saúde até o custo de vida.
Desigualdade também molda a percepção ambiental
Os dados evidenciam diferenças importantes entre classes sociais e níveis de escolaridade.
- Pessoas com maior instrução e renda tendem a apontar mais as enchentes e a poluição como problemas prioritários
- Já grupos de menor renda registram uma percepção diferente, com menor destaque relativo para esses temas .
- Isso sugere uma desigualdade na forma como os impactos ambientais são percebidos — e potencialmente enfrentados.
Prefeituras no centro da solução
Se o problema é urbano, a solução também passa pelas cidades. Para 84% dos entrevistados, os governos municipais têm papel fundamental no combate às mudanças climáticas.
Entre as ações mais citadas pela população estão:
- Controle do desmatamento e da ocupação de áreas de manancial (57%)
- Ampliação de áreas verdes (50%)
- Redução do uso de combustíveis fósseis (49%)
- Melhoria na gestão de resíduos sólidos (48%) [Enchentes...stentáveis]
O recado é claro: não existe solução única. A agenda climática urbana exige integração entre planejamento, infraestrutura e políticas públicas.
Antes de um ranking de problemas, a pesquisa revela uma transformação profunda na percepção urbana. Ou seja, as enchentes simbolizam o ponto de encontro entre crise climática e fragilidade estrutural das cidades brasileiras. Quando passam a liderar as preocupações da população, indicam que eventos extremos deixaram de ser exceção e se tornaram parte do cotidiano.
Para gestores públicos e setor privado, o recado é direto: investir em resiliência urbana não é mais uma agenda de longo prazo, mas uma necessidade imediata.
Conversa Segura T4#23 | Mobilidade sustentável: eletrificação ou biocombustíveis?

A mobilidade sustentável será elétrica, movida a biocombustíveis ou uma combinação de diferentes tecnologias? E qual o papel da inovação, da indústria automotiva, do seguro e das políticas públicas nessa transformação?
Neste episódio do Conversa Segura, do canal SeguroPod, a jornalista Leila Sterenberg recebe Igor Calvet, presidente da ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), e Gilberto Martins, diretor de Assuntos Regulatórios da entidade, para uma análise aprofundada sobre os desafios e oportunidades da transição para uma mobilidade de baixa emissão de carbono no Brasil.
A conversa aborda por que o país pode se tornar uma referência global em descarbonização do transporte ao combinar eletrificação, biocombustíveis, veículos híbridos flex, biometano e uma matriz energética predominantemente renovável.
Entre os temas discutidos estão:
- O futuro da mobilidade brasileira e o debate entre eletrificação e modelo multicombustível.
- O potencial dos biocombustíveis, do etanol e do biometano na redução das emissões do transporte.
- As projeções para a eletrificação da frota brasileira até 2040.
- O uso de inteligência artificial, sensores veiculares e conectividade para monitoramento de emissões, eficiência energética e segurança.
- O Programa MOVER (Mobilidade Verde e Inovação) e seus impactos sobre investimentos, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade.
- Os desafios regulatórios para a implementação das metas de eficiência energética, segurança veicular e economia circular.
- Reciclagem automotiva, reutilização de peças, veículos salvados e novas oportunidades para a economia circular.
- O conceito de análise do ciclo de vida dos veículos e sua importância para a redução da pegada de carbono.
- A renovação da frota brasileira como instrumento de descarbonização, segurança viária e saúde pública.
- O papel dos caminhões, ônibus, veículos comerciais e transporte de cargas na agenda climática.
- As oportunidades de cooperação entre o setor automotivo e o mercado segurador para fortalecer a gestão de riscos e impulsionar a mobilidade sustentável.
Ao longo do episódio, os convidados mostram como a transição energética no transporte exige uma combinação de inovação tecnológica, previsibilidade regulatória, investimentos de longo prazo e integração entre diferentes setores da economia.
A discussão também oferece uma perspectiva estratégica sobre o posicionamento do Brasil no cenário internacional, especialmente diante da COP30, destacando vantagens competitivas construídas ao longo de cinco décadas de experiência com biocombustíveis e uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo.
Mais do que uma conversa sobre veículos, este episódio analisa como mobilidade, sustentabilidade, indústria, tecnologia e gestão de riscos estão se tornando elementos centrais da agenda de desenvolvimento econômico e climático do país.
🎙️ Assista, acompanhe e compartilhe:
Fonte: CNseg, em 09.06.2026