A inflação mundial duradoura (e alta) afeta a rotina da indústria global de seguros, gerando uma série de ações extraordinárias para mitigar seus efeitos. A alta dos preços pesa no custo de reposição dos bens segurados (ou dos serviços de assistência) e, nas renovações dos contratos de seguros, resulta em correções dos preços pagos pelos segurados.
Dependendo da dinâmica da inflação, dizem especialistas, as seguradoras podem ajustar os valores dos prêmios fortemente ou mesmo adotar uma política conservadora para reduzir sua exposição a riscos.
Inflação deve cair na maioria dos países da OCDE. Na Argentina, permanece fora de controle
Por fim, nos casos de inflação mais aguda, há notícias de que os contratos de seguros começam a ser endossados a cada três meses, como na Argentina, para preservar os valores dos capitais segurados e dos prêmios de seguros.
- Pelas contas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a inflação anual da Argentina é projetada em 250% neste ano
- Entre os países da OCDE, o levantamento mais recente diz que a inflação mantém a tendência de queda neste ano, prosseguindo o movimento de desaceleração iniciado a partir de 2023
- A baixa, entretanto, se dará em ritmo lento, permanecendo acima da meta. Neste ano, a taxa de inflação nos países do G20 é estimada em 6,6%, e, salvo algum problema geopolítico, poderá recuar a 3,8% em 2025
Inflação mais elevada afeta ativos e passivos das seguradoras
A alta persistente de preços exige uma política monetária apertada (juros altos) para buscar a meta da inflação. Analistas de investimentos lembram que os valores de ativos e passivos das seguradoras podem ser impactados pela inflação. Os investimentos, realizados para cumprir obrigações futuras, sobretudo de longo prazo, podem ficar descalibrados para custear essas despesas, exigindo novos aportes de capitais no meio do caminho.
Um guia disponível no portal da Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma (Eiopa), a Susep do bloco da União Europeia, busca demonstrar os efeitos negativos da inflação para uma apólice de seguros.
O ponto de vista da Eiopa
“A inflação pode significar que seus investimentos serão menos lucrativos para você. Isso pode fazer com que você tenha menos renda disponível agora ou no futuro, com base no retorno dos seus investimentos, escreve a Eiopa. É importante ter uma visão geral das apólices de seguro que você possui e do que elas cobrem, antes de tomar decisões sobre elas. Tenha em mente que o preço do produto de seguro não é necessariamente o fator mais importante. Dessa forma, tenha cuidado para não permitir que um período de aumento de preços dite suas decisões sobre a contratação de produtos de seguro essenciais, como seguro residencial. Não compare apenas preços, compare também a cobertura. Encontre a política certa para suas necessidades. Lembre-se de que antes de tomar uma decisão importante sobre seus produtos de seguros, você pode consultar seu consultor financeiro”
Desafios e perspectivas no setor de seguros europeu: análise do Painel de Risco da EIOPA em 2024
A Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma (EIOPA), que cuida dos seguros na União Europeia, publicou um relatório sobre os riscos que as seguradoras estão enfrentando em fevereiro. O Painel de Risco de Seguros demostra que as seguradoras estão lidando com diversos problemas, mas o que mais preocupa é o risco de mercado – o que significa uma instabilidade nos mercados financeiros, com os preços dos imóveis comerciais caindo e os mercados de títulos bem voláteis.
Análise dos riscos
- Riscos macroeconômicos e digitais: os desafios continuam a ser de importância significativa. Contudo, a EIOPA observa que a gravidade desses riscos está se moderando e já não são tão alarmantes quanto em períodos anteriores. A expectativa de uma redução nas taxas de inflação é vista como um fator que pode contribuir positivamente para essa situação
- Riscos de crédito e liquidez: estes riscos permanecem em um patamar considerado moderado. Entretanto, há uma preocupação específica relacionada à diminuição da emissão de títulos de catástrofes, o que poderia influenciar a gestão financeira das seguradoras
- Investimentos sustentáveis: as companhias de seguros mantêm um percentual de seus investimentos, especificamente cerca de 3,3%, em ativos que favorecem ações climáticas positivas. Além disso, a parcela de investimentos em títulos verdes se mantém estável, correspondendo a aproximadamente 7% do total de títulos verdes disponíveis no mercado
- Riscos Digitais e Cibernéticos: há uma leve diminuição na percepção desses riscos atualmente. No entanto, a EIOPA projeta que esses riscos possam registrar um aumento nos próximos 12 meses. A atenção a essa categoria de risco se intensifica em vista da crescente preocupação com possíveis ataques cibernéticos
Base dos dados do Painel de Risco de Seguros da EIOPA
O relatório se baseia em muitos dados, incluindo informações de 92 grupos de seguradoras e 2175 seguradoras individuais, com dados atualizados até o final de dezembro de 2023.
A importância do relatório da EIOPA
Esse relatório da EIOPA é fundamental para as seguradoras entenderem os riscos que estão correndo e pensarem em como se proteger melhor. É essencial para manter o setor de seguros forte e preparado para o futuro na União Europeia.
Fonte: CNseg, em 07.02.2024