Com CNseg, Ary Fontoura leva a experiência da televisão para vídeos curtos nas redes
Em entrevista ao 'Notícias do Seguro', ator conta que começou a produzir conteúdo durante a pandemia e explica como adaptou seu processo criativo ao ritmo da internet
A experiência de décadas na televisão não dispensou Ary Fontoura de aprender uma nova linguagem. Ao começar a publicar conteúdo na internet durante a pandemia, o ator percebeu que vídeos curtos exigiam síntese: era preciso prender a atenção rapidamente e, ainda assim, construir uma situação capaz de transmitir emoção.
A entrada nas redes começou de forma despretensiosa. Segundo ele, seu assistente e agente sugeriu que criasse conteúdo para atravessar o período de isolamento com uma atividade e manter contato com o público. A ideia, inicialmente tratada como uma brincadeira, começou a produzir resultados em poucas semanas e ganhou também dimensão comercial.
Da novela ao vídeo curto
Para Fontoura, atuar em uma novela e criar para a internet são trabalhos diferentes. Na televisão, personagens, cenas e histórias se desenvolvem ao longo do tempo. Nas redes, o desafio é condensar uma ideia antes que o público passe para outro conteúdo.
“Eu acho mais difícil você condensar as coisas”, afirma.
A diferença, diz o ator, não está apenas na duração. Uma fala pode transmitir informação, mas a emoção depende da construção da cena e da consistência do personagem. “Quando a cena é muito bem feita, quando ela é devidamente elaborada”, os personagens “transferem para o público toda uma verdade”, afirma.
Essa busca por autenticidade também orienta sua relação com trabalhos comerciais e institucionais. Fontoura diz que procura se envolver pessoalmente no processo e colocar algo de si na comunicação. Para ele, a proximidade construída ao longo da carreira ajuda a criar uma conversa mais direta com pessoas de diferentes idades.
Em agosto de 2025, Fontoura passou a integrar o time de influenciadores da CNseg no projeto Seguro pra Gente. Lançada no ano anterior com 20 criadores de diferentes regiões do país, a iniciativa busca tornar mais acessíveis informações sobre seguros, previdência aberta, saúde suplementar e capitalização. Na parceria com o ator, a pauta incluía educação e proteção financeira, previdência e vida, sustentabilidade e seguros. Também estavam previstas participações em um evento e em um podcast da entidade. A CNseg associou a escolha à credibilidade e ao alcance do artista.
Reinventar-se ao longo da carreira
A disposição para mudar de atividade aparece em diferentes momentos de sua trajetória. Na entrevista, Fontoura conta que conciliou a televisão com outros trabalhos para complementar a renda e preservar tempo para decorar seus textos. Em uma dessas fases, comprou um táxi e passou a trabalhar como taxista enquanto atuava em novelas.
“Me reinventar sempre, em todas as ocasiões, foi o que mais aconteceu na minha vida”, diz.
A trajetória nas redes dá continuidade a esse movimento: a experiência acumulada como ator passa a servir a formatos mais rápidos, que pedem outro ritmo de criação e uma atenção diferente ao público. Ao comparar os dois meios, o próprio ator resume a exigência dos vídeos curtos: “quanto menos for, melhor e mais difícil”. A síntese, em sua descrição, não elimina o trabalho de interpretação. Ela torna ainda mais importante escolher o que contar e como fazer a história chegar a quem assiste.
O ator e influenciador social da CNseg, Ary Fontoura, fala sobre sua trajetória e processo criativo
El Niño também é fenômeno socioeconômico, afirma José Marengo, do Cemaden
Plano prevê R$ 1,335 bilhão para preparação e resposta; seguro pode ajudar na recuperação financeira, dentro das coberturas contratadas
O quarto boletim do Painel El Niño 2026-2027, publicado em 1º de outubro, estima 95% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte no trimestre de outubro a dezembro. Para o período, a previsão aponta chuvas acima da média no Sul e condições mais secas, temperaturas elevadas e maior risco de fogo no centro-norte do país. O El Niño deve persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, segundo o documento.
A previsão é sazonal: indica tendências para regiões amplas, não determina que haverá enchente, seca ou incêndio em uma cidade específica. O fenômeno é associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, que altera padrões de circulação atmosférica e pode mudar a distribuição de chuvas e temperaturas. Outros fatores, como condições locais e vulnerabilidade das áreas expostas, também influenciam os impactos.
Em entrevista ao Notícias do Seguro, José Antonio Marengo Orsini, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden e membro titular da Academia Mundial de Ciências (TWAS), afirmou que o El Niño também deve ser compreendido como um fenômeno socioeconômico. Seus efeitos podem alcançar diferentes setores, com impactos sobre a agricultura, as cidades e a infraestrutura.
O boletim registra que chuvas volumosas em setembro elevaram níveis de rios e provocaram inundações no Vale do Taquari, ao longo do rio Caí e em municípios de Santa Catarina. O registro mostra riscos já presentes, mas não prova que esses episódios tenham sido causados pelo El Niño. Para o último trimestre, o Painel mantém a previsão de chuva acima da média no Sul e indica que o risco de cheias deve diminuir até dezembro.
Riscos diferentes para lavouras, cidades e infraestrutura
No campo, o excesso ou a falta de chuva pode afetar o calendário de plantio, o desenvolvimento das culturas, a colheita e a renda das propriedades. No Norte e no Nordeste, a combinação de estiagem e calor pode pressionar a disponibilidade de água e elevar o risco de fogo. Em áreas urbanas, chuvas intensas podem sobrecarregar drenagem e sistemas de transporte; períodos secos podem pressionar reservatórios e o abastecimento.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recomenda que produtores consultem o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), planejem a safra conforme as orientações técnicas e combinem prevenção, manejo e instrumentos de proteção financeira. Para o Sul, as medidas incluem reforçar drenagem e planejar a colheita; para Norte e Nordeste, o Ministério destaca reservas de água e forragem, monitoramento por satélite e prevenção de incêndios.
Plano público prevê R$ 1,335 bilhão
O governo federal prevê R$ 1,335 bilhão em ações de preparação e resposta a possíveis impactos climáticos associados ao El Niño. A Sala de Situação do fenômeno, coordenada pela Casa Civil, reúne 24 ministérios e instituições federais para acompanhar condições meteorológicas e hidrológicas, gestão de riscos, defesa civil, segurança hídrica, saúde, abastecimento e prevenção de incêndios.
Do total previsto, R$ 998 milhões se destinam a medidas de abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde e monitoramento hidrológico. Outros R$ 337 milhões correspondem a crédito extraordinário para fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios florestais. Portanto, o pacote não se destina integralmente a brigadas ou monitoramento de fogo; os recursos cobrem frentes diferentes de preparação e resposta.
Onde o seguro pode contribuir
O seguro pode oferecer recursos para reparar danos ou retomar uma atividade depois de um evento coberto, mas não evita o desastre nem substitui alertas, obras, planejamento territorial, evacuação ou defesa civil. A contribuição do setor também pode envolver dados e modelagem de riscos, desde que articulada às medidas públicas de prevenção. Um grupo de trabalho consultivo da Superintendência de Seguros Privados (Susep) tratou de instrumentos de proteção financeira, prevenção, informação e coordenação entre agentes públicos e privados. As propostas do relatório são recomendações para debate, não regras já implementadas.
A cobertura depende do contrato. No seguro residencial, por exemplo, alagamento e outros danos podem estar previstos, mas o consumidor deve conferir quais eventos estão cobertos, quais limites se aplicam e quais riscos foram excluídos. Na agricultura, a indenização também depende das coberturas e condições da apólice.
O relatório do grupo da Susep estima que cerca de 9% das perdas econômicas decorrentes de desastres climáticos no Brasil sejam cobertas pelo mercado de seguros. O próprio documento informa que a estimativa brasileira se baseia no Radar de Eventos Climáticos e Seguros no Brasil 2025, da CNseg. O percentual se refere à parcela das perdas econômicas estimadas, não à proporção de residências ou empresas que têm seguro.
Seguro rural, PSR e Garantia-Safra são instrumentos distintos
O seguro rural é um contrato que prevê indenização conforme os riscos e limites da apólice. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é uma política pública que reduz parte do custo do prêmio pago pelo produtor para contratar esse seguro. Já o Garantia-Safra é um benefício voltado a agricultores familiares inscritos no programa e sujeitos a critérios próprios de perda e elegibilidade. Assim, seguro e benefício público podem integrar a gestão de riscos, mas funcionam por regras diferentes.
A preparação para o El Niño combina monitoramento, medidas de prevenção, orientação técnica e proteção financeira. Seguro pode ajudar a distribuir parte do custo de perdas cobertas; a redução do risco à vida e à infraestrutura, porém, depende também de planejamento, informação e ação pública antes que os extremos aconteçam.
Perguntas frequentes
A previsão significa que haverá enchentes no Sul e incêndios no Norte?
Não. O boletim aponta tendências sazonais e probabilidades para regiões amplas. Não prevê a ocorrência de um evento específico em uma localidade.
O seguro residencial cobre automaticamente alagamentos?
Não se deve presumir que sim. É necessário verificar na apólice quais eventos estão cobertos, além de limites, franquias e exclusões.
PSR e Garantia-Safra são seguros?
Não. O PSR subsidia parte do prêmio de uma apólice de seguro rural. O Garantia-Safra é um benefício público sujeito a critérios próprios.
Fonte: CNseg, em 06.10.2026