Em um evento que destaca as vulnerabilidades crescentes no ciberespaço, uma sofisticada fraude de deepfake em Hong Kong resultou em perdas superiores a 25 milhões de dólares para uma corporação internacional. O incidente sublinha a importância crítica da segurança cibernética em um mundo digital em rápida evolução.
O avanço das ameaças digitais
O Brasil, figurando como o segundo país na América Latina em número de tentativas de ataques cibernéticos, testemunhou 100 bilhões de ataques em 2022, ficando atrás apenas do México. Em 2023, a frequência desses ataques aumentou significativamente, com um crescimento de 50% nos casos de ransomware no primeiro semestre, comparado ao ano anterior, conforme relatório da Allianz Commercial.
O caso de Hong Kong: um golpe de deepfake
- A fraude envolveu o uso de deepfake, uma técnica avançada que cria vídeos extremamente realistas, para se passar pelo diretor financeiro de uma corporação
- Por meio de um e-mail seguido de uma reunião virtual falsificada, o golpista ordenou transferências financeiras que resultaram em perdas milionárias
- A detecção da fraude ocorreu apenas uma semana após os eventos, quando iniciaram as investigações policiais
Os riscos da Inteligência Artificial
Este caso em Hong Kong exemplifica os perigos potenciais da inteligência artificial (IA) em mãos erradas. Incidentes similares, incluindo a disseminação de imagens falsas da cantora Taylor Swift, reforçam a necessidade de vigilância e proteção contra o uso mal-intencionado da IA.
A importância do Seguro Cibernético
Diante dessas ameaças emergentes, o Seguro Cyber ou Seguro Cibernético - ou, ainda, Seguro para Riscos Cibernéticos - ganha destaque como uma proteção vital para organizações contra invasões virtuais, vazamentos de informações, danos a sistemas, perda de dados e outros desafios digitais.
Santa Catarina: marcha de crescimento do mercado segurador prossegue em 2024
Com números excelentes em 2023, já é prevista uma nova e forte expansão
A expectativa é que a receita neste ano alcance a casa de dois dígitos (mais de 11%), ao se apropriar de um ambiente mais favorável ao consumo de seguros.
“Olhando para 2024 estamos otimistas, temos um cenário econômico que sinaliza um ambiente favorável para o consumo de seguros, já que a expectativa da redução da taxa de juros (Selic) terá como consequência o crédito mais barato, incentivando assim o consumo e a produção. São situações que estimularão a atividade econômica, algo tão importante para nosso mercado”
O prognóstico é do presidente do Sindicato das Seguradoras de Santa Catarina (SindsegSC), João Amato (profissional da Zurich), 28 anos de atuação no mercado segurador, em entrevista exclusiva ao Notícias de Seguro.
Em tempo: a percepção de riscos está mais aguçada entre os consumidores catarinenses e tem a ver com as ações educativas para aumentar a cultura de seguros no estado. Extremos climáticos e seus efeitos incertos e pesados, inclusivo o risco de morte, levam consumidores à compra de Previdência Aberta, Seguro Automóvel e coberturas de Pessoas, os três ramos mais relevantes no market share das seguradoras locais
Leia, a seguir, a entrevista de João Amato:
1) O que dizem os números sobre o comportamento do mercado local, olhando os dados acumulados no ano? Em SC, estamos falando de uma receita de R$ 14 bilhões no ano até outubro, alta de 8,6% (sem Saúde e sem DPVAT). Qual sua previsão de fechamento do ano?
O Estado de Santa Catarina, com seus 295 municípios e uma população de pouco mais de sete milhões e seiscentas mil pessoas, vem em um ritmo de crescimento em receitas de seguros na ordem de 8,6% no acumulado até outubro/2023. São R$ 14 bilhões de prêmios de seguro (excluindo Saúde e DPVAT) distribuídos nos seguros de Danos e Responsabilidades e seguros de Pessoas. O destaque fica para Automóvel, com 18% de participação nos prêmios totais e crescimento de 10,8%, dos seguros Patrimoniais, com 8% de participação nos prêmios totais e crescimento de 47,2%, bem como, dos seguros de Pessoas e Previdência Aberta, com 15% e 42% de participação nos prêmios totais, e, 4,4% e 5,8% de crescimento, respectivamente. Com os dados do fechamento do ano, esperamos um crescimento na ordem de dois dígitos e assim seguir a disseminação da cultura do seguro, protegendo o maior número de empresas e pessoas.
2) Os dados de média móvel de 12 meses ratificam uma desaceleração no ritmo de crescimento da receita- caiu de 12,2% (jun23/jun22) para 8,9% (out 23/out 22). Isso é uma sinalização de que a taxa projetada para 2024 tende a se acomodar na casa de um dígito ou não?
Olhando para 2024 estamos otimistas, temos um cenário econômico que sinaliza um ambiente favorável para o consumo de seguros, temos a expectativa da redução da taxa de juros (SELIC), que terá como consequência o crédito mais barato, o que incentivará o consumo e a produção. São situações que estimularão a atividade econômica, tão importante para nosso mercado. Os contextos anuais são muito específicos e a desaceleração comparando dois períodos não pode ser expandida. Por isto, em linha com as estimativas da CNseg, também, projetamos em 2024 um crescimento do setor segurador em Santa Catarina acima de 11%.
3) Quais são as carteiras de maior market share no seu estado e como o senhor avalia o comportamento das vendas nessas modalidades no ano?
No Estado de Santa Catarina as maiores participações de market share são a Previdência Aberta, com 42% de participação, seguido por Automóvel com 18% e Seguro de Pessoas com 15%. O comportamento das vendas nestas modalidades no ano apresenta crescimento, algo impulsionado pela percepção dos consumidores de dispor de maior proteção por meio de apólices de seguros, seja motivado pelos prejuízos ocasionados a cada ocorrência climática, como os ciclones que atingiram recentemente o Sul do Brasil, seja pela maior preocupação com o planejamento financeiro, por conta do aumento na expectativa de vida, e, ainda, garantir para suas famílias segurança financeira, caso venha a faltar, como por exemplo, por conta de morte. Certamente, ainda há grandes oportunidades de aumentarmos a penetração de seguros e previdência e desenvolver nosso mercado de seguros. Somente para exemplificar, temos apenas 30% da frota nacional com seguro de Automóvel; em Vida, este percentual é ainda menor, em torno de 17%. Com esta simples análise, concluímos que podemos fazer muito mais do que estamos fazendo.
4) Seu estado está entre os que mais sofrem os efeitos dos extremos, incluindo uma sequência de tornados no ano, além de tempestades convectivas etc. Quais as carteiras que mais de perto traduzem essas perdas seguradas?
Santa Catarina vem sofrendo o impacto das mudanças climáticas neste ano, mas temos um povo resiliente, com muita garra e força de vontade. As calamidades em diversas regiões do estado têm tirado vidas, soterrado e destruído moradias, além de danificar rodovias essenciais para a economia catarinense. Em 2023, lembramos os 15 anos do maior desastre climático de Blumenau e do Vale do Itajaí, que ocasionou em 2008 quase três mil deslizamentos, com quase dez mil desabrigados. Sobre as carteiras com mais perdas, temos os seguros patrimoniais. De acordo com a FenSeg (dados 04/2023) apenas 17% das residências no Brasil atualmente estão protegidas por uma apólice, seguros patrimoniais para pequenos negócios também tem aderência baixa. Precisamos disseminar ainda mais a cultura de seguros, pois essa lacuna de proteção ainda é um dos obstáculos para garantir proteção da população e seu patrimônio o máximo possível.
5) Essa é também a razão para que tenha havido expansão acelerada da arrecadação dos prêmios? Em Auto, a receita alcançou R$ 2,5 bilhões até outubro, alta de 10,8%; no residencial, R$ 299 milhões, evolução de extraordinários 25,1%. A alta de prêmios das demais modalidades do ramo Patrimonial (na maioria, de dois dígitos entre os massificados) tem a ver com a prevenção aos fatores climáticos ou podem ser explicados por outros fatores, incluindo-se avanço da cultura de seguros, novos canais de distribuição, aversão a riscos, um legado da pandemia... etc.
Exatamente isto. Uma combinação de fatores resulta no crescimento da arrecadação e mais apólices de seguro. Temos a convicção de que a percepção do risco fica mais latente quando ocorrências climáticas se apresentam, mas, além deste fator, precisamos destacar o trabalho diário dos profissionais corretores de seguros em alcançar a população, ofertando uma gama de produtos e serviços, utilizando, sim, das ferramentas tecnológicas e de uma maior conscientização da população, que começa a compreender o quão importante é estar segurado.
A cultura do seguro em Santa Catarina é bem difundida, e já podemos perceber que há compreensão da sociedade sobre a importância de preservação das conquistas, e, nesse sentido, o mercado de seguros é peça-chave. Somos conscientes quanto ao trabalho que ainda precisamos realizar, porque há ainda uma baixa penetração de seguros na população brasileira. Estamos num processo de evolução.
6) Olhando a previsão do Inmet para o verão em seu estado, o que se pode antever para os seguros que mais sofrem com os efeitos das mudanças climáticas.
Os impactos climáticos estão cada vez mais frequentes no Brasil, o que não é diferente em Santa Catarina. De acordo com o Ministério da Integração Regional, os eventos climáticos geraram prejuízos a iniciativa privada na ordem de R$ 320,1 bilhões entre os anos de 2013 e 2022 (nacionalmente).
A Região Sul lidera esse ranking infelizmente, com o maior percentual de casas afetadas. O cenário atual reforça cada vez mais a necessidade de levar a cultura do seguro para todos os setores. A agricultura, a pecuária, a indústria, o comércio e os serviços são afetados. O SindsegSC já vem há anos com essa pauta em suas ações. Painéis com especialistas das áreas, os geólogos, os meteorologistas, defesa civil, entre outros, trouxeram debates para superar os desafios relacionados aos eventos climáticos no estado.
7) Para finalizar, qual sua projeção de crescimento de prêmios e de indenizações do mercado local para 2024?
Seguiremos nossa atuação com foco no PDMS (Plano de Desenvolvimento do Mercado de Seguros) onde precisamos ampliar a proteção das famílias, dos negócios e da sociedade em geral. O PDMS possui como principais objetivos: aumentar a parcela da população atendida em 20% pelos diversos produtos do mercado de Seguros, Previdência Aberta, Saúde Suplementar e Capitalização; elevar o pagamento de indenizações, benefícios, sorteios, resgates e despesas médicas e odontológicas dos atuais 4,6% do PIB para 6,5% do PIB; e fazer com que o mercado segurador atinja uma participação equivalente a 10% do PIB. Objetivos estes a serem alcançados até 2030. Estamos alinhados com a CNseg e projetamos o crescimento de prêmios do mercado para 2024 acima de 11%, seguindo o crescimento no ritmo de dois dígitos, mas principalmente, levando proteção ao maior número possível de catarinenses.
Vandalismo à Mona Lisa
Saiba como o Seguro de Obras de Arte pode proteger contra este e outros riscos
Em janeiro, a famosa pintura Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, exposta no Museu do Louvre, em Paris, voltou às páginas dos jornais devido ao ataque impetrado por ativistas de uma organização que alegava proteger o ambiente e fontes de alimentos e jogou sopa sobre o vidro que protege a pintura.
A importância do Seguro de Obras de Arte
Patrimônios da humanidade como a Mona Lisa têm um enorme valor de mercado. O quadro "Salvator mundi", do mesmo artista italiano, por exemplo, foi leiloada em 2017 por 450 milhões de dólares, tornando-se o quadro mais caro de todos os tempos, razão pela qual não podem prescindir de um Seguro de Obras de Arte.
O Seguro para Obras de Arte, que pertence à categoria dos Seguros Patrimoniais, é destinado a proprietários de obras de arte, que podem ser colecionadores privados, museus ou galerias. Ele protege contra danos e avarias durante exposições, estadias e transporte, além de roubo e furto
Seguro de Obras de Arte: cobertura abrangente contra diversos riscos
Além de danos, os roubos de obras de arte também são comuns. A própria Mona Lisa já havia sido roubada em 1911, tendo passado mais de dois anos desaparecida, sendo conhecida por ter tido o seguro mais caro da história. Em 1963, quando estava em exposição nos Estados Unidos, o seguro cobria um valor de U$ 100 milhões, equivalente a R$ 4,7 bilhões, na cotação atual.
Confira abaixo alguns casos de dano e furto de famosas obras de arte:
Vandalismo
- Vênus ao Espelho, de Diego Velázquez: em 1914, a obra foi alvo de um ato de vandalismo da sufragista Mary Richardson, que teria cortado a tela várias vezes com uma faca, deixando um belo estrago na obra histórica
- Danaë, de Rembrandt: Em 1965, a tela foi alvo de um severo ataque de um lituano, mais tarde declarado como louco, que atirou uma enorme quantidade de ácido sulfúrico sobre a tela, golpeando-a ainda duas vezes com uma faca
- Guernica, de Pablo Picasso: O painel foi alvo de um ato de vandalismo em 1974 quando um homem teria pintado com uma tinta em spray vermelha a frase “Kill Lies All” sobre o painel, que estava em exibição no MoMA, em Nova York
- Pietà, de Michelangelo: Em 1972, um geólogo australiano martelou várias vezes a escultura feita em 1499 e exposta na Basílica de São Pedro, no Vaticano, arrancando um braço e parte do nariz
Acidentes
- Os Quebradores de Pedra, de Gustave Courbet: durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade alemã de Dresden foi bombardeada pelos Aliados, causando a destruição de grande parte da cidade, incluindo a coleção de arte Pröll-Heuer, que contava com 21 obras de arte. Dentre elas estava a pintura "Os Quebradores de Pedra" de Gustave Courbet
- Pintura a óleo sem título, de Lucian Freud: em 2000, a obra chegou à casa de leilões Sotheby's, em Londres, e foi acidentalmente colocada em uma área destinada a caixas vazias para descarte, quando dois trabalhadores acabaram triturando a obra em uma máquina trituradora de papel
- Le Peintre, de Pablo Picasso: em setembro de 1998, um avião da Swissair, que viajava de Nova York para Genebra, caiu no Oceano Atlântico, matando todos os 229 passageiros e tripulantes e também destruindo a pintura avaliada em cerca de $ 1,5 milhão de dólares na época
Obras roubadas e jamais encontradas
- Retrato de um Jovem, de Raphael: no começo da II Guerra Mundial, os nazistas levaram a obra de 1514 do Museu Czartoryski, na Polônia, tendo desaparecido sem deixar pistas
- A Natividade com São Francisco e São Lourenço, de Caravaggio: mantida por mais de 350 anos no Oratório de São Lourenço, em Palemo, essa pintura de 1609 foi grosseiramente recortada de sua moldura em 1969 e levada do local. Até hoje se especula se foi um roubo orquestrado pela Máfia siciliana
- Cristo na Tempestade no Mar da Galileia, de Rembrandt: parte do acervo do Museu Isabella Stewart Gardner em Boston, esta pintura a óleo do mestre holandês foi roubada juntamente com outras doze obras em 1990, gerando um prejuízo estimado em mais de $ 500 milhões e sendo o maior roubo da história da arte norte-americana
- Vista de Auvers-sur-Oise, de Paul Cézanne: a tela de 1873, avaliada em 4,8 milhões de euros, foi roubada na noite do réveillon de 2000 do Museu Ashmolean, em Oxford e, por incrível que pareça, não tinha seguro
Fonte: CNseg, em 06.02.2024