Boletim Notícias do Seguro T3#14: sua casa está preparada para evitar acidentes?
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Brasil precisa transformar projetos-piloto em iniciativas de escala para acelerar transição climática, defende Ana Toni
Secretária nacional de Mudança do Clima destaca que implementação depende da continuidade das políticas públicas e da atuação conjunta entre governos e setor privado
A secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e diretora-executiva da COP30, Ana Toni, afirmou que o Brasil reúne condições para liderar a agenda global de desenvolvimento sustentável, mas alertou que o país precisa transformar boas experiências em projetos de grande escala e fortalecer a parceria entre o setor público e a iniciativa privada para acelerar a implementação da agenda climática.
A declaração foi feita durante o painel "Transição climática como propulsora do desenvolvimento econômico", realizado no 2º Fórum de Finanças Sustentáveis, promovido por CNseg, Febraban e Anbima.
Segundo Ana Toni, o Brasil já superou a fase de enxergar a agenda climática apenas sob a ótica ambiental e passou a tratá-la como uma estratégia de desenvolvimento econômico. Para ela, o país possui vantagens comparativas importantes, mas elas só se transformarão em vantagem competitiva por meio de planejamento, cooperação e execução.
"Temos vantagens comparativas, políticas públicas, regulamentação, instrumentos econômicos e uma sociedade mobilizada. Mas isso não é destino. O que faremos com essa base depende da capacidade de implementar", afirmou.
Na avaliação da secretária, o país precisa concentrar esforços em três prioridades para acelerar a transição climática:
- Dar continuidade às políticas públicas: "A trajetória não é linear. Ela terá erros, acertos, avanços e retrocessos. Independentemente dos ciclos políticos, precisamos manter a convicção de que essa vantagem comparativa pode e deve ser transformada em desenvolvimento."
- Transformar projetos-piloto em iniciativas de escala: "Precisamos sair dos excelentes casos de piloto e construir um pipeline de projetos. Escala é fundamental. O Brasil faz projetos extraordinários, mas ainda pensa pouco em como transformá-los rapidamente em iniciativas de grande alcance."
- Fortalecer o alinhamento entre setor público e setor privado: "Precisamos fazer políticas públicas entendendo as dificuldades do setor privado, e o setor privado implementar compreendendo os desafios do poder público. Cada vez mais alinhar essas agendas é absolutamente fundamental para chegarmos à implementação."
Ana Toni também defendeu que essa cooperação seja organizada por cadeias produtivas e por instrumentos financeiros específicos, permitindo que governo, instituições financeiras e empresas construam soluções conjuntas para destravar investimentos e ampliar a escala dos projetos sustentáveis.
COP31 terá foco na implementação
Ao abordar a agenda internacional, Ana Toni afirmou que o principal legado da COP30 foi colocar a implementação no centro das discussões globais sobre clima. Segundo ela, o tema passou a orientar as conversas internacionais e consolidou o Brasil como uma referência na construção de soluções para países em desenvolvimento.
"A aceleração da implementação pegou. É isso que todos querem discutir hoje. O Brasil é visto internacionalmente como uma liderança nesse tema."
Como parte desse esforço, ela anunciou que o país apresentará durante a COP31 um roadmap para mobilização de US$ 1,3 trilhão em financiamento climático, detalhando os caminhos para ampliar os investimentos destinados à transição climática e aumentar a participação do setor privado na mobilização desses recursos.
Para a secretária, o desafio agora é demonstrar resultados concretos entre uma conferência e outra.
"Precisamos mostrar quantos projetos saíram do papel, quanto foi mobilizado e o que foi efetivamente implementado. O mundo já reconhece a capacidade do Brasil de construir consensos. Agora precisamos mostrar que também somos capazes de implementar em escala."
Nordeste acelera e amplia oportunidades para o mercado de seguros
Estudo do Banco Mundial aponta a região como novo polo de crescimento econômico, enquanto seguradoras enxergam expansão em energia, infraestrutura, agronegócio, logística e economia digital
O Nordeste deixou de ser apenas uma promessa para se consolidar como uma das regiões mais estratégicas para o desenvolvimento econômico brasileiro. Essa é a principal conclusão do relatório Rotas para o Nordeste: Produtividade, Empregos e Inclusão, do Banco Mundial, que identifica uma combinação de fatores capazes de transformar a região em um dos principais motores do crescimento do País.
Com cerca de 54 milhões de habitantes, dos quais 80% estão em idade economicamente ativa, avanços na qualificação profissional e liderança na geração de energias renováveis, o Nordeste reúne condições para atrair investimentos de grande porte e impulsionar uma nova onda de negócios. Para o mercado segurador, o movimento representa uma expansão natural da demanda por soluções de proteção e gestão de riscos.
"O avanço do Nordeste na transição energética, com forte protagonismo regional em energia eólica e solar, tende a estimular a demanda por seguros ligados a riscos de engenharia, garantia, responsabilidade civil, riscos ambientais, transportes e riscos operacionais", afirma Carlos Luna, vice diretor-presidente do Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste (SindsegNNE).
O estudo destaca que a região concentra 91% da produção brasileira de energia eólica e 42% da geração solar, além de ocupar posição estratégica para a economia digital por abrigar importantes cabos internacionais de internet e corredores logísticos voltados ao comércio exterior.
Para Luna, o potencial vai muito além desses segmentos. Segundo ele, o crescimento também alcança o agronegócio, mineração, turismo, saneamento e infraestrutura, ampliando o espaço para seguros patrimoniais, de transportes, garantia, responsabilidade civil e grandes riscos. "A região deixou de ser vista como um mercado complementar e passou a ocupar posição estratégica nos planos de expansão das seguradoras", destaca.
Apesar do ambiente favorável, o Banco Mundial alerta que persistem desafios históricos relacionados à produtividade, à informalidade e à desigualdade social. A instituição defende investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e melhoria do ambiente de negócios para acelerar a geração de empregos e aumentar a competitividade regional.
Segundo Cécile Fruman, diretora do Banco Mundial para o Brasil, "fortalecer empresas, desenvolver capital humano e modernizar a infraestrutura são medidas essenciais para gerar empregos mais qualificados e ampliar a mobilidade social na região."
Especialistas detalham porque o Nordeste desponta como uma das principais fronteiras de crescimento da economia brasileira, quais setores concentram as maiores oportunidades para o mercado segurador e como o avanço da transição energética, da infraestrutura e da economia digital deve redesenhar o mapa dos negócios na próxima década.
A íntegra da reportagem está disponível no link abaixo:
https://cnseg.org.br/publicacoes/revista-de-seguros-n-937
Fonte: CNseg, em 05.08.2026