Novo marco do seguro rural pode destravar crédito e acelerar a retomada do agronegócio
Aprovado pelo Senado, projeto cria condições para ampliar a proteção contra eventos climáticos, reduzir riscos para produtores, seguradoras e instituições financeiras e fortalecer a integração entre seguro e crédito rural
A aprovação pelo Senado do Projeto de Lei 2.951/2024 representa um passo importante para transformar o seguro rural em um dos pilares da política de financiamento e de adaptação climática do agronegócio brasileiro. O texto, que agora segue para sanção presidencial, aperfeiçoa o marco legal do seguro rural e cria mecanismos destinados a ampliar a proteção dos produtores e estimular a oferta de coberturas.
Adicionalmente, o novo marco pode contribuir para destravar crédito, preservar a capacidade de pagamento dos produtores e acelerar a retomada dos investimentos depois de eventos climáticos extremos. A lógica é simples: quanto mais previsível for a cobertura dos riscos, menor tende a ser a exposição de produtores, bancos, investidores e seguradoras.
Autora da proposta, a senadora Tereza Cristina afirmou que a aprovação do projeto representa um avanço relevante para o agro brasileiro, trazendo maior segurança ao produtor, ampliando a segurança alimentar e melhorando a eficiência dos gastos públicos. Ela também destacou que a expansão do seguro rural reduz riscos para financiadores do setor, como bancos, cooperativas e investidores, diminuindo a inadimplência nas operações de crédito rural.
Essa conexão entre seguro e crédito é um dos pontos estratégicos da nova legislação aprovada nesta quinta-feira. O próprio Senado aponta, entre as consequências esperadas do projeto a possibilidade de utilização do seguro rural como garantia em operações de crédito, facilitando o acesso a financiamentos e melhorando a gestão de riscos no setor.
O momento da aprovação não poderia ser mais relevante. O agronegócio precisa de mais de R$ 1 trilhão em crédito por ano, enquanto o Plano Safra 2025/2026 disponibilizou R$ 516,2 bilhões, destaca o documento “Um plano para o futuro do agronegócio: financiamento, gestão de risco e resiliência climática”, produzido pela Abag/IEAg, CNseg e Acrefi. As entidades afirmam que esse déficit de crédito evidencia que o crescimento do setor dependerá cada vez mais da mobilização de recursos privados e de instrumentos capazes de reduzir os riscos associados ao financiamento.
Para o diretor de Relações Institucionais da CNseg, Hailton Madureira, o seguro rural é um instrumento fundamental para garantir a segurança da produção agropecuária, proteger o produtor diante dos riscos climáticos e dar estabilidade ao abastecimento de alimentos. “Ao termos um marco legal que aumente a estabilidade do orçamento de subvenção ao seguro, o poder público fortalece a competitividade do campo, estimula investimentos e contribui para o desenvolvimento sustentável do agronegócio brasileiro”, destaca.
Ao mesmo tempo, também o seguro rural vai contar com inovações importantes para retomar o ciclo de alta. O fim do contingenciamento dos recursos destinados à Subvenção Econômica ao Prêmio do Seguro Rural, a criação do Fundo de Catástrofe, integralizado pelo governo e pelo mercado, e o uso do seguro como garantia de operações de crédito são medidas que, na avaliação da senadora Tereza Cristina, autora da proposta, vão contribuir para criar um mercado robusto de seguro rural e impedir a crise no agro.
O vice-presidente da Abag, Renato Buranello, informa que a entidade considera a aprovação do PL um avanço importante para fortalecer o seguro rural como instrumento de gestão de riscos e proteção da produção. “O aperfeiçoamento do PSR e a operacionalização do Fundo de Catástrofe contribuem para ampliar a cobertura e a capacidade de resposta diante dos eventos climáticos. Para isso, será fundamental garantir recursos estáveis e adequados ao programa”.
A aprovação ocorre depois de uma significativa retração do seguro rural, em meio ao bloqueio de recursos do PSR e à volatilidade dos preços das coberturas, associada também à ausência de um fundo de estabilização. Esse cenário se materializa em um momento em que os riscos climáticos aumentam e a parcela da produção protegida cai. Depois de a área agrícola segurada alcançar 16,3% em 2021, a participação caiu para uma projeção de apenas 2,3% em 2025.
A partir do projeto aprovado, a lógica muda: ao proteger a produção, o seguro ajuda a proteger o crédito que financia a produção. Ao proteger o crédito, aumenta a capacidade de investimento. E, ao preservar o investimento depois de uma catástrofe climática, contribui para uma recuperação mais rápida da atividade econômica. Afinal, como diz a senadora, “garantir a produção de alimentos é algo estratégico para a economia e para a sociedade. A quebra de safra não é apenas uma questão particular do empresário rural, mas um fator que afeta a segurança alimentar de um país e até do planeta.”
O desafio agora será transformar o novo marco legal em uma política efetiva, com recursos previsíveis, produtos adequados às diferentes culturas e regiões e maior integração entre seguradoras, resseguradores, instituições financeiras, mercado de capitais e produtores.
A semana no ‘Notícias do Seguro’: mercado mantém trajetória de crescimento, IA ganha espaço e Seguro Residencial protege contra granizo
- Com arrecadação de quase R$ 700 bilhões no ano passado, equivalente a mais de 6% do PIB nacional, o mercado brasileiro de seguros mantém trajetória de crescimento em 2026.
- A projeção da CNseg, a Confederação Nacional das Seguradoras, é de alta de 5,7% neste ano.
Segundo o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, a solidez do mercado também está relacionada às regras que determinam a manutenção de reservas técnicas pelas seguradoras, garantindo recursos para fazer frente aos compromissos assumidos com os clientes.
“E além disso, a nossa regulação, ela obriga todas as seguradoras a manterem reservas técnicas. São recursos mantidos em aplicações financeiras líquidas e disponíveis para que sejam usados para pagar os benefícios, as indenizações, os acidentes, né, todos os casos que realmente são atendidos pelo setor segurador. Então a resposta é muito objetiva, muito clara: o setor segurador brasileiro está plenamente preparado para lidar com as necessidades dos seus clientes e tem feito isso de maneira brilhante nos últimos anos.”
É nesse mercado de grande porte e em expansão que também acontecem operações de fusões e aquisições. Para o consumidor, uma questão importante é saber o que acontece com os contratos quando uma seguradora ou determinada carteira é adquirida por outra companhia.
Dyogo Oliveira explica:
“E a coisa mais importante para todos os clientes e segurados saberem é que os contratos dessa seguradora são totalmente absorvidos pela seguradora que tá adquirindo. Inclusive, com a nova Lei do Seguro, isso foi mais reforçado ainda, de maneira que não só a seguradora que está comprando, como também a seguradora que está vendendo tem a obrigação de honrar esses contratos. Portanto, o segurado ou o cliente da seguradora não precisa ter a menor preocupação com essa questão das fusões e aquisições.”
A CNseg orienta os consumidores a buscar informações com a própria seguradora ou com o corretor antes de tomar qualquer decisão sobre seus contratos. A entidade lembra ainda que alguns produtos permitem portabilidade, como a Previdência, mas essa possibilidade não existe em seguros como Auto e Vida.
🌨️ Você sabia? Seguro Residencial pode proteger a casa contra danos provocados por granizo
Uma forte chuva de granizo danificou pelo menos 700 imóveis em Florianópolis, chamando atenção para os prejuízos que eventos meteorológicos podem provocar em poucos minutos.
Além dos danos imediatos, ocorrências desse tipo podem gerar despesas inesperadas, especialmente com reparos em telhados e outras estruturas das residências.
É justamente diante de imprevistos como esses que o Seguro Residencial pode ajudar na proteção do patrimônio.
Dependendo das coberturas contratadas, o seguro pode oferecer proteção contra danos provocados por granizo. Alguns produtos também contam com serviços de assistência 24 horas, como encanador, eletricista e chaveiro.
Por isso, é importante conhecer as condições do contrato e verificar quais eventos e serviços estão incluídos na proteção.
🤖 Dados e inteligência artificial impulsionam produtividade no mercado segurador
Dados e Inteligência Artificial já estão transformando processos dentro do mercado de seguros.
Durante o Conexão Corporativa, evento promovido pela CNseg, executivos apresentaram exemplos concretos dos ganhos de produtividade proporcionados pelo uso dessas tecnologias.
No Seguro Auto, um processo de cotação que chegava a exigir cerca de 70 perguntas ao consumidor passou a precisar de apenas quatro informações: CPF, placa, CEP e uso do veículo.
Em outra aplicação, a Inteligência Artificial reduziu de 15 horas para cerca de um minuto o tempo necessário para a realização de uma atividade relacionada à regulação de sinistros.
A expectativa do setor é ampliar o uso inteligente dos dados para simplificar processos, combater fraudes e desenvolver produtos mais adequados às necessidades dos clientes.
🎸 Tá na rede! Rock in Rio movimenta o Rio e reforça cuidados com celulares e pertences
O clima do Rock in Rio já tomou conta das redes sociais. Foo Fighters, Calvin Harris, Elton John e Stray Kids estão entre as atrações da edição, que acontece de 4 a 13 de setembro.
O impacto do festival também aparece no movimento de turistas. A projeção é de quase 15 mil ônibus e mais de 500 mil passageiros no terminal rodoviário durante o período. Segundo um site de buscas de hotéis, a procura por hospedagem no Rio aumentou 212%, movimento que também é influenciado pelo feriado da Independência, em 7 de setembro.
Grandes aglomerações, porém, exigem atenção redobrada aos pertences. No último festival, foram registradas 850 ocorrências policiais, com destaque para casos de roubo e furto de celulares na própria Cidade do Rock.
Além dos cuidados pessoais, alguns seguros podem ajudar a reduzir os prejuízos diante de situações previstas no contrato.
O Seguro Celular, dependendo da cobertura contratada, pode proteger o aparelho em situações como roubo, furto ou até danos decorrentes de quedas. Já o Seguro Bolsa Protegida oferece proteção para riscos cobertos previstos em contrato em casos de roubo ou furto.
Assim, quem vai aproveitar os shows pode reforçar a proteção dos seus pertences — e tentar voltar para casa apenas com boas lembranças, muitas histórias e a voz rouca de tanto cantar.
Fonte: CNseg, em 04.09.2026