
O projeto "Construindo Seguros para a Transição Climática", elaborado pela CNseg, em parceria com a Iniciativa Financeira das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep Fi), com suporte técnico da ERN Nint, foi lançado nesta quarta-feira, dia 28, em workshop realizado em São Paulo, na sede da Mapfre Seguros.
O Projeto é uma adaptação do projeto Global Insuring the Climate Transition, tendo o objetivo de fornecer um melhor entendimento sobre os processos de avaliação dos riscos climáticos sob a perspectiva da Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD, na sigla em inglês).
Abrindo o evento, a diretora de Relações de Consumo e Sustentabilidade da CNseg, Ana Paula de Almeida Santos, explicou que a elaboração do projeto levou 18 meses e contou com a participação de representantes de 21 seguradoras associadas à CNseg, “posicionando o setor na agenda de riscos climáticos e de fomentação de estudos e dados”.
A importância do seguro na mitigação e adaptação às mudanças climáticas
Também presente ao evento, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, afirmou que devido à sua experiência em gestão de riscos e ao seu importante papel de investidos institucional, o setor segurador tem um papel muito importante a desempenhar no processo de mitigação e de gestão dos riscos climáticos e sua adaptação aos mesmos, inclusive por meio dos produtos de seguro. “Por essa razão, somos convidados a participar ainda mais ativamente da agenda de sustentabilidade no mundo inteiro”, concluiu.
Dyogo lembrou citou participação da CNseg na COP 28, em Dubai, onde o papel do seguro foi citado muitas vezes. O presidente da CNseg também informou que o setor participará da COP 30, em 2025, em Belém do Pará, conclamando as seguradoras a também participarem deste evento “que será a janela mais importante a médio prazo para o setor se apresentar como um partícipe importante na questão da sustentabilidade”.
Por meio de vídeo conferência, o líder da Unep Fi, Butch Bacani, disse que o lançamento do programa da CNseg é muito significativo, marcando uma nova fase de combate às mudanças climáticas e de transição para uma economia com emissões zero de carbono.
A diretora da SUSEP Jéssica Bastos elogiou o protagonismo da CNseg frente ao tema, lembrando que o foco do setor em relação à transição climática é uma importante mudança de paradigma, o que sempre traz novos desafios.
Agenda do clima impacta a todos
André Luiz Campos de Andrade, representante do Ministério do Meio Ambiente no evento, disse que o Brasil, com seus diferentes cenários institucionais, financeiros e produtivos, vive um grande desafio de adaptação e de governança na política de combate às mudanças climáticas. “A agenda do clima impacta a todos e é necessário um nivelamento dos atores do setor público e privado para lidar com o tema”, afirmou.
Ele informou que, desde 1995, as mudanças climáticas já causaram um prejuízo de R$ 500 bilhões no Brasil, gerando, segundo a Defesa Civil, mais de 8 milhões de desabrigados nesse período. Além disso, segundo ele, dos mais de 5 mil municípios no Brasil, 3.700 são considerados como tendo baixa capacidade adaptativa aos extremos climáticos. “A agenda do clima não é só ambiental, mas sobretudo de um desenvolvimento econômico mais justo e equitativo”, concluiu.
Já a presidente da Comissão de Integração ASG da CNseg, Fátima Lima, afirmou que o projeto da Confederação é um exemplo claro de como integrar as questões ambientais nas estratégias dos negócios do seguro, mas ainda é preciso descobrir como transformar os riscos em oportunidades.
Ferramenta de Mapa de Calor ajuda a identificar os riscos climáticos
Em seguida, teve início um debate mediado pelo especialista em sustentabilidade da CNseg, Pedro Werneck, lembrando que os riscos climáticos representam uma das principais ameaças para o sistema financeiro. Pedro forneceu detalhes sobre a ferramenta de Mapa de Calor, - também lançada durante o workshop, - que traz uma representação geográfica para a identificação de níveis de impacto de 11 riscos climáticos, em diferentes regiões do Brasil, com uma interface dinâmica, que varia de acordo com as preferências e imputs dos usuários. Por meio dessa ferramenta, as seguradoras poderão mensurar eventuais futuras perdas econômicas relacionadas às mudanças climáticas, obtendo também uma avaliação sobre o quando as suas carteiras estão expostas aos riscos relacionadas aos parâmetros previamente definidos. Por exemplo: inundações por chuva no Seguro Residencial.
Participando dos debates, a gerente da ERM, Beatriz Ferrari, afirmou que um dos maiores desafios para o desenvolvimento da ferramenta foi a criação de processos para a Identificação e estruturação dos dados, além de suas referências e confiabilidade. Mas, para avançar mais no tema, as seguradoras devem, em primeiro lugar, aproveitar e explorar todo o conhecimento e ferramentas já existentes, avaliando como podem ser utilizados nas rotinas de gestão de risco das empresas.
Por sua vez, o presidente da Comissão de Gestão Riscos da CNseg, Laurindo dos Anjos, lembrou que o que não pode ser medido, não pode ser gerenciado, sendo que o principal ganho do projeto é a sua capacidade de previsibilidade. Ele lembrou, ainda, da importância de engajamento de todas as áreas das seguradoras para a coleta dos dados necessários, para a sua aplicação, alinhamento do conhecimento e taxonomia. “Governança e dados existindo, começamos a capitalizar as perdas e a perceber mais oportunidades de novos negócios, novas parcerias, de revisão de condições de subscrição, entre outras”, declarou.
A coordenadora regional da Unep Fi, Paula Perão, informou que a entidade ligada à ONU também trabalha em um projeto para a criação de produtos para a adaptação de pequenas e médias empresas às mudanças climáticas, além de se envolver em discussões sobre como as mudanças climáticas afetam a biodiversidade. Na ocasião, ela fez um chamado para que as seguradoras aproveitem a oportunidade para desenvolverem novos produtos para a mitigação das mudanças climáticas. O passo seguinte, então, será avançar para além dessas ferramentas, abarcando novos tipos de riscos. “O risco climático físico é apenas um dos efeitos a que estamos expostas. Há ainda os riscos de transição, de mudanças regulatórias, tecnológicas, de mercado e de litígios”, disse ela.
Os riscos e oportunidades advindos das mudanças climáticas
A gerente sênior das áreas de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Bradesco Seguros, Ivani Andrade, lembrou que as mudanças climáticas trazem muitos riscos, mas também muitas oportunidades, sendo necessário, concordando com Paula Perão, a revisão e adaptação dos produtos de seguro já existentes, além da criação de novos. “Na Bradesco, as indenizações de eventos relacionados às mudanças climáticas em 2023 aumentaram 400%”, informou.
O evento contou, ainda, com apresentação de representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Fernando Líbano, que deu alguns detalhes do projeto da instituição sobre Transição Justa, de promoção de uma economia ambientalmente sustentável, de forma inclusiva, criando oportunidade de trabalho decente, com a redução das desigualdades. Nesse processo, disse ele, as seguradoras têm um importante papel, tanto como gestoras de risco, como investidoras.
O evento foi encerrado com apresentação da diretora de Relações de Consumo e Sustentabilidade, que apontou os objetivos de sua diretoria para 2024. Entre estes, a construção de um roadmap de sustentabilidade para o setor, alinhado às melhores práticas internacionais relacionadas à sustentabilidade. Também estão previstas ações em prol da promoção de uma transição justa para uma economia de baixo carbono, o estímulo à resiliência da sociedade frente às mudanças climáticas e a promoção da inclusão e o combate às desigualdades.
Confira aqui a íntegra da publicação que detalha o Programa.
CNseg lança o seu Relatório Anual de Atividades 2023

A CNseg acaba de lançar o seu Relatório de Anual referente às atividades de 2023. Na publicação, o leitor conhecerá as importantes ações realizadas pela Confederação Nacional das Seguradoras no período, como o lançamento do Plano de Desenvolvimento do Mercado de Seguros (PDMS), que definiu um marco de convergência do mercado segurador, abrindo um ano de entregas significativas e fortalecimento do posicionamento institucional do setor.
A comunicação da CNseg também empreendeu uma “guinada estratégica” em 2023, com a multiplicação expressiva de reportagens sobre a sua atuação e sobre os produtos de suas associadas na grande imprensa e na mídia regional.
Outro destaque no ano foi o lançamento da 1ª edição da Agenda Institucional do Setor de Seguros, um documento que reuniu os temas prioritários para o setor em debate no Governo Federal e contou com a presença de importante lideranças políticas.
Também na esfera institucional, a CNseg estreitou a proximidade com a Susep e outras entidades governamentais, visando o aperfeiçoamento do ambiente regulatório, empenhando-se no trabalho de articulação para que a redação de projetos importantíssimos, como a Reforma Tributária no Congresso, o Marco do Setor de Seguros (ainda em discussão) e o Marco Legal das Garantias, contemplassem a melhor perspectiva para a indústria seguradora.
2023 também contou com muitos avanços em temas relacionados às questões Ambientais, Sociais e de Governança (ASG), com a Confederação tendo participado pela primeira vez da Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP 28), em Dubai, onde se envolveu em importantes discussões sobre o papel do setor na mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
O combate ao exercício irregular da atividade seguradora, que tanto prejuízo tem trazido para os consumidores, também esteve na agenda da CNseg em 2023, bem como sua atuação junto a ministros do Superior Tribunal Federal (STF) para prevalência do entendimento da não incidência de PIS-COFINs sobre a receita financeira das Seguradoras.
Também é importante mencionar a realização da 38ª Conferência Hemisférica de Seguros, a FIDES 2023, no Rio de Janeiro, em setembro, reunindo mais de dois mil executivos do setor – dos quais cerca de 70% estrangeiros, representando 41 países – focados em importantes debates voltados ao desenvolvimento do mercado segurador em todo o mundo, particularmente nas Américas.
Confira aqui o relatório na íntegra
Nova Pesquisa de Seguro: mais segura, ágil e eficiente
A CNseg acaba de disponibilizar uma nova versão do formulário para a Pesquisa de Seguros, que permite que pessoas busquem informações - suas e de seus familiares (falecidos) - sobre contratos de seguro, planos de previdência privada e títulos de capitalização.
O novo formulário, via plataforma GED (Gerenciamento Eletrônico de Documentos), tem o objetivo de agilizar e dar maior segurança à pesquisa feita junto às seguradoras associadas.
De acordo com André Alves, gerente do projeto, realizado em parceria com a Diretoria Jurídica da Confederação, ao deixar de utilizar o e-mail como canal de comunicação, a CNseg garante que todas as etapas do processo possam ser registradas e auditadas, além de uma maior segurança no tratamento dos dados dos solicitantes.
As demandas (ofícios) oriundas exclusivamente do Poder Público devem continuar a ser feitas pelo e-mail
O novo formulário de Pesquisa de Seguro está disponível no site institucional da CNseg e pode ser acessada, clicando aqui.
Fonte: CNseg, em 01.03.2024