A possibilidade real de ser extinto ou limitado o parcelamento sem juros no cartão de crédito pode afetar o hábito de compra dos brasileiros e, de forma indireta, alcançar algumas modalidades de seguros.
De acordo com pesquisa do Instituto Locomotiva, cerca de 78% da população admite reduzir seu consumo por conta da limitação do parcelamento sem juros.
São 119,5 milhões de pessoas que baixariam os tíquetes de suas compras.
O panorama atual
Esse ano, até junho, no setor de seguros:
- A arrecadação do seguro de Garantia Estendida experimentou alta de 4,4,%, totalizando R$ 1,7 bilhão
- Apenas em junho, sobre o mesmo mês do ano passado, o Seguro Viagem viu sua receita subir 30,1%, movimentando R$ 86,1 milhões
Quem está contra
Na pesquisa do Instituto Locomotiva, cerca de 67% dos participantes se declararam contra o fim do parcelado sem juros.
Ao lado deles, estão as associações do comércio, para quem essas atividades tendem a desacelerar com a cobrança de juros nos parcelamentos.
O comércio informa que compras com cartões representam 40% das vendas realizadas.
O motivo da polêmica
O nascedouro da polêmica tem a ver com a constatação de que os juros cobrados no rotativo do cartão de crédito são muito elevados.
Pelas contas do Banco Central, os juros médios atingiam 445,7% ao ano em agosto nessa modalidade, contra uma Selic de 12,75%.
As administradoras ligadas a bancos dizem que as taxas são elevadas porque servem de subsídio cruzado para o parcelamento sem juros.
A opinião do Banco Central
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, classifica de "anomalia o parcelamento sem juros, que representa 15% do crédito total no Brasil sem a incidência de taxas.
Outros emissores de cartões, como as maquininhas, refutam essa correlação, segundo o Broadcast.
A visão do Instituto Locomotiva
Para o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, a pesquisa constata uma preferência por pagar em 10 vezes sem juros, no lugar de 12 parcelas com juros.
A cobrança de juros no rotativo tende a atingir as classes mais baixas da população.
"Com o fim do parcelado sem juros, os mais pobres só teriam a opção de pagar com juros, enquanto os ricos pagariam à vista. Não me parece justa uma regulamentação que leve o pobre a pagar mais do que os ricos”, declarou ele ao Broadcast.
Segundo a pesquisa, os brasileiros que tiverem que pagar juros no parcelamento de compras admitem que seu nível de endividamento crescerá. A sondagem envolveu 1.000 entrevistas com homens e mulheres a partir de 18 anos.
Fonte: CNseg - Notícias do Seguro, em 02.10.2023