Anthony Harvey – Chief Commercial Officer- Willis Corretores de Seguros
Um tema em especial tem se tornado recorrente nas reuniões de lideranças de diversas companhias em todo o mundo. Tratam-se das mudanças climáticas, fenômeno já apontado como o maior risco às organizações neste século XXI.
O motivo do crescente espaço e atenções voltadas para esta temática está diretamente atrelado a uma recente sequência de catástrofes naturais, fatos que abalaram mercados e comprometeram operações de grandes empresas em várias regiões do planeta.
Mas, afinal, quais são as providências indicadas a uma companhia para mitigar tais prejuízos, quando ainda não é possível prever com precisão tais catástrofes e nem mesmo seus desdobramentos?
Atualmente, são as empresas do setor de Seguros as responsáveis por fornecer soluções e respostas a tal questionamento. Isso porque o modelo de “seguro ambiental” tem se aprimorado ao longo dos últimos anos, em uma evolução que acompanha o próprio mercado.
Com legislações ambientais cada vez mais rigorosas, e práticas de fiscalização mais intensas, o seguro ambiental surge como item imprescindível a um portfólio para gestão de operações, análise de risco e, especialmente, gerenciamento de crises.
Tal realidade não permanece restrita apenas aos mercados internacionais, sujeitas ao interesse de organizações que mantém operações estratégicas em locais de maior vulnerabilidade. Hoje, o seguro ambiental vai além de uma simples precaução para alçar a condição de requisito fundamental à concretização de novos projetos, como a internacionalização dos negócios.
Empresas que buscam expandir suas operações para outros países devem agora considerar a conformidade ambiental como parte vigente dos planos de crescimento e entendê-la como uma possibilidade e não como empecilho.
Seguradoras de diferentes nacionalidades, aptas a compreender os cenários políticos e regulatórios de outros países, estão olhando com atenção para estes mercados e surgem como parceiras estratégicas para expandir operações de acordo com a regulamentação vigente em cada local. Algumas destas já desenvolvem políticas ambientais no idioma do país de interesse, que podem ser admitida pelos órgãos regulatórios locais, além dos internacionais.
Esse movimento já é realidade em países como Índia e China e um avanço neste processo está sendo observado também nas regiões da América do Sul e da Ásia-Pacífico, uma vez que as seguradoras ambientais começam a localizar oportunidades nestes outros territórios.
Sim, porque mesmo o Brasil, país que ostenta um certo privilégio por não ter grandes catástrofes naturais em sua história, vivencia nos últimos anos um novo cenário, por vezes pautados por complicadores relacionados ao meio ambiente, como enchentes e vazamentos de substâncias químicas.
Entre os esforços para avançar ainda mais neste contexto ambiental estão as parcerias com grandes centros de pesquisa. Prova disso é o Willis Research Networks (WRN), grupo composto pela Willis Corretores de Seguros e 12 universidades de países como Reino Unido, Japão, Cingapura e Estados Unidos, focado em buscar soluções de para o setor de seguros e que estejam atreladas às variáveis das mudanças climáticas.
Uma das principais iniciativas conduzidas pelo WRN é o projeto que envolve uma grande equipe e análises como o supercomputador Earth Simulator, um dos poucos aparelhos existentes com tecnologia capaz de simular situações limites do "mundo real". O objetivo deste projeto é garantir às seguradoras a capacidade de usar informações para prever alterações futuras no clima, o que que irá auxiliar na definição de protocolos e, principalmente, permitirá aos investidores e decisores melhor tomada de decisões para o negócio.
Enquanto este cenário ainda figura no campo das possibilidades, e cientistas em todo o mundo tentam desvendar o desconhecido, cabe ao líder, seja ele de qual segmento for, planejar estratégias levando em conta o aspecto ambiental e o auxílio de um consultor de seguros. Além disso, é preciso comunicar aos acionistas e stakeholders os riscos e oportunidades que envolvem as operações de uma companhia e as mudanças climáticas.
De um grande gestor não se esperam unicamente bons resultados. Exige-se, acima de tudo, visão de futuro. Isso porque, à medida que o tempo passa, não apenas os negócios evoluem. Novos imperativos, como a temática das alterações climáticas, também só tendem a crescer.