Por Henrique Motta (*)
Mesmo antes da pandemia de Covid-19, já se falava da adoção e implementação no país da Quinta Geração de comunicação móvel (5G) de dados em celulares e computadores, instantânea e de alta potência, que permitirá conectar veículos, máquinas, equipamentos agrícolas e outros.
De acordo com estudo de dados da 5GAméricas[1], o Brasil é o líder no número de testes da 5G na América Latina, com estudos concentrados, principalmente, no uso de banda larga móvel melhorada (eMBB) e Internet Massiva das Coisas (MIot).
As principais empresas que disponibilizam, mundialmente, a tecnologia são: as chinesas Huawei e ZTE, a sueca Ericsson, a coreana Samsung e a finlandesa Nokia. Segundo a Global Data, a Huawei foi a única a obter nota máxima em todos os critérios analisados no seu estudo de avaliação das principais empresas fornecedoras de serviços de telecomunicações, o que não, necessariamente, significa que será a vencedora dos leilões de aquisição visto a grande politização que cerca o tema.
Com a sua implementação em nível global em curso e os primeiros impactos já avaliados podemos prever que a chegada da tecnologia 5G no país, prevista para 2021, trará mudanças profundas e significativas. O aumento da velocidade, calculado em 20 vezes mais rápida que a 4G, aliado à ampliação de capacidade de tráfego de dados promoverá inovações ilimitadas.
A banda larga 5G possibilita novas conexões de IoT e no Brasil viabilizará o tráfego dos carros autônomos por todo o território nacional. Suas inumeráveis aplicações em tele-educação e telemedicina, realidade virtual de alta qualidade bem como nos serviços de entretenimento com altíssima definição, desempenharão papel fundamental nas chamadas cidades do futuro. Novos segmentos de negócios e uma sociedade cada vez mais conectada emergirão a partir da sua implantação. Novas formas de administração dos equipamentos urbanos, de monitoramento da mobilidade no trânsito, de estratégia e ações de manutenção e de segurança, assim como agilização e otimização nos serviços públicos e privados de saúde, logística de recolhimento de lixo e limpeza, entre outros serão impactados.
O momento que atravessamos com a Pandemia do Covid-19, deixou ainda mais clara a urgência da implementação da tecnologia 5G. A quarentena e o isolamento social nos impuseram uma transição súbita para novos modelos de negócios e ambientes de trabalho, em que a utilização dos meios remotos se tornou essencial. Home office, reuniões virtuais, webinários, cursos à distância, e até mesmo audiências não presenciais nos tribunais passaram a integrar o novo cotidiano.
O cenário pós-pandemia prevê uma ainda maior aceleração tecnológica, com crescente tráfego de dados demandando conexão ultrarrápida, e para tanto, certamente, a rede 5G será ferramenta fundamental.
Pelas previsões da fabricante sueca Ericsson, em seu Mobility Report deste junho, no fim de 2020 o número global de assinantes do serviço móvel de quinta geração (5G) poderá chegar perto de 200 milhões e até o fim de 2025 alcançar a marca de 2,8 bilhões de usuários. Os números são superlativos e as possibilidades infinitas. Esperemos que em breve sejamos parte deles.
[1] Associação do setor que reúne fabricantes e empresas de telecomunicações da América Latina.
(*) Henrique Motta é Advogado, vice-presidente do GNT de Novas Tecnologias da AIDA Brasil e sócio de MOTTA, SOITO & SOUSA Advocacia Empresarial.2 de junho de 2020