Por Glória Faria (*)
O Governo chinês parece ter encontrado na inovação tecnológica a resposta para, pelo menos, um de seus problemas ambientais mais preocupantes. O smog que invadiu as metrópoles chinesas e que vem causando, entre outros, sérios problemas respiratórios aos seus habitantes.
A poluição do ar é responsável por 7 milhões de mortes por ano. Estes são os dados da Organização Mundial da Saúde aferidos entre 4300 cidades de 108 países que formam a base de dados usada para o cálculo pelo organismo. Beijing com seus 21,7 milhões de habitantes e frota veicular de 4.3 milhões de automóveis ocupa a quinta posição como cidade mais poluída em uma lista em que Delhi e Cairo se alternam nos dois primeiros lugares mundiais.
A melhora da qualidade do ar nos centros urbanos chineses que sofrem com denso smog já começa a ser vislumbrada com a adoção massiva da propulsão elétrica no transporte urbano.
Com 1.3 bilhão de habitantes o país possui uma frota de 224 milhões de veículos de todos os tipos incluindo 104 milhões de automóveis. Maior fabricante de carros do planeta, a China pretende que o volume de carros elétricos atinja 20% da frota em 2015. Para tanto estão sendo investidos o equivalente a 15 milhões de euros em incentivos a fabricantes e compradores de veículos. E os resultados já se fazem sentir. Apenas no primeiro trimestre de 2018 foram comercializados quase 150 mil veículos elétricos e híbridos plug-in. O equivalente a quase 2/3 das vendas nos Estados Unidos durante todo o ano de 2017.
A vitrine dessas conquistas está sendo o Salão de Pequim, aberto na última semana de abril. O China Auto Show de 2018 é hoje o maior do mundo, com oito pavilhões e 220 mil metros quadrados, 20 mil a mais que seu concorrente mais próximo, o Salão de Frankfurt.
Na exibição encontram-se lado a lado marcas mundiais consagradas como a Honda, BMW, Mercedes e Volks e os fabricantes chineses todos em busca de garantir sua fatia no mercado “verde” automobilístico chinês que deverá em breve atingir os 8% do setor.
Nos pavilhões há carros sofisticados como o Maybach Ultimate Luxury da divisão ultraluxo da Mercedes, com um motor elétrico em cada roda e um sistema de massagem para os viajantes do banco traseiro, ou o aerodinâmico E-Jing GT, o superesportivo elétrico da chinesa Hongqi. A Honda por sua vez expõe um utilitário elétrico, o Everus, fabricado em dobradinha com a chinesa GAC e promete a sua comercialização para ainda este ano.
Outra a fechar parceria com os chineses foi a Volks que, unida à JAC lançou uma nova marca a SOL e um veículo popular “a baterias”, o JAC T40.
Uma das mais novas marcas chinesas a Byton, recém-criada e sob a direção de Carstein Breitfeld, ex-vice-presidente da BMW, apresentou um veículo autônomo nível 4 [1], que estará a venda por U$160 mil em 2019, e traz painel em tela de LCD ocupando toda a largura dianteira da cabine.
A frota mundial de elétricos no início de 2018 já tinha atingido 3,2 milhões de veículos – o que representa um aumento de 55% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o Centro de Pesquisa em Energia Solar e Hidrogênio de Baden-Württemberg (ZSW), na Alemanha, sendo que destes 1,2 milhão já circulam pelas ruas chinesas. Somente em 2017, 579 mil unidades foram acrescentadas à frota do país. Nos Estados Unidos, o crescimento da frota elétrica foi de 385% com o número de carros elétricos saltando de 195 mil para 750 mil no último ano.
As novidades são muitas e há carros para todos os gostos e (quase) todos os bolsos. O foco na dobradinha automação e combustível não poluente predomina em todas as propostas.
Para o bem de nossas cidades e nossos pulmões, bem-vindos os elétricos qualquer que seja a nacionalidade em seus “passaportes”!
[1] De acordo com as diretrizes da Society of Automotive Engineers (SAE), um carro de nível 4 deve ser capaz de se autoconduzir com segurança, “mesmo se um humano não responder adequadamente a uma solicitação para intervir”. Um carro de nível 4 vai reduzir, encostar ou estacionar sozinho em um ponto seguro se o motorista não assumir o controle quando solicitado, o que pode acontecer em condições mais difíceis de navegação, como off-road ou em estradas não mapeadas.
(*) Gloria Faria é Consultora Jurídica da CNseg.