A captação líquida da indústria de fundos de investimento alcançou R$ 49,9 bilhões no primeiro trimestre de 2018, o que correspondeu a uma queda de 54,5% na comparação com igual período do ano passado, quando o montante foi de R$ 109,9 bilhões. Carlos André, vice-presidente da Anbima, destacou durante teleconferência com a imprensa realizada nesta quinta-feira, 5 de abril, que a desaceleração no ritmo de captação teve influência dos números atípicos de 2017, que ficaram bem acima da média dos anos anteriores. “Tivemos um primeiro trimestre de 2018 muito bom quando comparamos com a captação dos últimos cinco anos. Foi um valor bastante expressivo, principalmente se levarmos em consideração que tivemos dois casos pontuais de resgate líquido no segmento corporate de quase R$ 28 bilhões”.
O executivo disse também que a redução da atratividade da renda fixa foi outro fator que teve impacto relevante para a captação dos três primeiros meses do ano ter ficado bem abaixo do verificado no mesmo período de 2017. Os multimercados foram o grande destaque do período, com captação de R$ 33,3 bilhões, seguidos pelos fundos de ações, com R$ 8,8 bilhões, e pelos de renda fixa, com R$ 5,8 bilhões (no primeiro trimestre de 2017 a captação líquida dos fundos de renda fixa atingiu R$ 73,3 bilhões). Na outra ponta, a única classe que registrou resgate líquido de janeiro a março de 2018, de R$ 4,8 bilhões, foi a de FIDCs.
Dos R$ 4,3 trilhões da indústria de fundos, a renda fixa ainda prevalece, com 46% do total, ainda que tenha caído 3 pontos percentuais em relação aos 49% em março de 2017. Por outro lado, a classe de multimercados cresceu de 19% para 21%, enquanto a de ações avançou de 4% para 6%.
Na divisão por investidores, que nesse caso considera os dados somente do primeiro bimestre do ano, destaque para o poder público, com captação de R$ 21,5 bilhões. O vice-presidente da Anbima disse que o resultado do poder público é resultado da sazonalidade, em função da arrecadação de tributos e de repasses do governo federal no período.
Também registraram captação relevante o segmento private, com R$ 9 bilhões, e o de institucionais, com R$ 7,4 bilhões. Os fundos de pensão apresentaram aportes de R$ 2,1 bilhões na indústria no período, contra R$ 5,9 bilhões no primeiro bimestre de 2017. A queda no ritmo de captação das fundações, segundo Carlos André, decorre da perda de atratividade dos fundos de renda fixa. “No primeiro bimestre de 2017 tínhamos um ambiente bastante interessante para uma captação mais relevante por parte dos fundos de pensão, principalmente em estratégias de renda fixa”. O segmento corporate foi o único que teve resgate líquido entre janeiro e fevereiro, de R$ 29,5 bilhões.
O vice-presidente da Anbima afirmou ainda que a demanda por produtos mais sofisticados impulsionou o surgimento de novos fundos – eram 15,12 mil fundos em fevereiro de 2017, contra 16,22 mil em igual período de 2018. Também cresceu o número de gestores, de 547 para 571, de custodiantes, de 36 para 41, e de contas, de 12,6 milhões para 14,1 milhões.
Fonte: Investidor Institucional, em 05.04.2018.