Por Antonio Penteado Mendonça
Os pacotes de seguros empresariais, grosso modo, oferecem as mesmas garantias. Uma cobertura básica, incêndio, e várias alternativas de garantias acessórias das mais diversas naturezas.
Em princípio, esses seguros deveriam cobrir todos os riscos, igualmente, sem necessidade de uma segmentação maior, em função da possibilidade do segurado e dos corretores de seguros desenharem seus seguros de acordo com suas necessidades.
Mas, na prática, não é assim que as coisas acontecem. O contrato de seguro é um contrato de adesão com cláusulas padrão, expressas nas condições gerais, nas condições particulares e nas condições especiais, que modificam o clausulado básico, de acordo com as necessidades do segurado.
O problema é que as cláusulas e condições são desenhadas de forma a atender o maior número de empresas possível. É um guarda-chuva amplo, sob o qual são colocadas empresas das mais diversas naturezas que têm comum o tamanho do faturamento, mas não, necessariamente, a operação e os riscos que as ameaçam.
O mundo real é mais complexo do que as condições gerais das apólices de seguros e isso faz com que as garantias padronizadas possam ser adequadas a um tipo de empresa, mas não atendam tão bem outro grupo com atividade empresarial diferente.
O mundo dos negócios pequenos e médios é vastíssimo e apresenta uma quantidade incrível de empresas de serviços, comércio e indústria, cada uma com necessidades e rotinas específicas do seu ramo de atividade e que não se confundem, nem se assemelham com a de outras empresas com faturamento ou número de colaboradores semelhantes, mas atividade fim diversa.
O risco de uma pequena metalúrgica está longe de ser o mesmo de uma padaria, que também não se confunde com uma farmácia, que não se confunde com um escritório de contabilidade e assim por diante, envolvendo dezenas de atividades empresariais que necessitam ser seguradas para proteger o patrimônio e a capacidade de ação do negócio.
Em princípio, uma indústria tem o maior risco no parque industrial e na capacidade produção. Já um comércio tem que atentar para os estoques e pontos de distribuição. Ao passo que empresas de serviços necessitam proteger suas rotinas de trabalho e seus colaborares.
Será que um mesmo pacote de seguros conseguirá atender os três grupos com eficiência, ou a garantia será genérica, incorporando e oferecendo cobertura para os riscos clássicos, sem levar em conta a tipicidade da operação e as necessidades específicas de cada atividade?
Faz tempo que as seguradoras oferecem produtos desenhados para a pequena e média indústria, comércio e serviços. Como cada setor difere significativamente dos outros, não é difícil desenhar garantias focadas nas necessidades de cada segmento empresarial de forma geral.
Mas mesmo isso pode não ser suficiente para permitir a contratação de um seguro eficiente por um preço justo. As atividades industriais variam muito de uma para a outra. E o mesmo acontece no comércio e nos serviços.
Não há como pretender que a operação de uma farmácia seja a mesma de uma loja de roupas. Como não há como confundir um restaurante com uma lavanderia. Ou um escritório de advocacia com uma clínica médica. Cada um é cada um e os riscos que realmente fazem a diferença não são, nem podem ser, os mesmos.
É aí que algumas seguradoras e corretores de seguros estão colocando suas fichas. O desenvolvimento de seguros desenhados para atividades semelhantes faz todo o sentido. Por que não um pacote de seguros desenvolvido para garantir a existência e a operação de escolas? De padarias? Metalúrgicas? Escritórios de advocacia, engenharia, arquitetura ou contabilidade?
Por que não expandir o conceito para o universo de empresas e atividades espalhadas pelo país? O conhecimento de uma atividade empresarial permite o desenho acurado das garantias que ela realmente necessita. As consequências mais evidentes são a redução do preço e a redução dos sinistros, o que é o melhor dos mundos para segurados, corretores de seguros e seguradoras.
Fonte: SindSegSP, em 24.03.2017.