O Brasil continua a avançar no número de focos de incêndios em ritmo acelerado. Foram 164.543 focos nos nove meses do ano (até 9 de setembro), o que representa uma expansão de 107% sobre os eventos do mesmo período do ano passado, segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
O número do País é significativo, já que o total dos focos dos 15 países da América Latina soma 330 mil queimadas até agora, salto de 97% sobre o mesmo período do ano passado. Apenas Uruguai, Guiana Francesa e Chile tiveram queda nessas ocorrências, de, respectivamente, 47% (213), 58% (17) e 58% (2.335)
Alguns países chegaram a triplicar ou quadruplicar o número de ocorrências, como o Suriname, com 676 focos de queimadas, 424% a mais que no mesmo período de 2023 (129) ou a Bolívia (358%, para 58.895)
Estados brasileiros que mais sofrem com as queimadas
- No Brasil, pelo menos cinco estados apresentaram mais de 10 mil focos de queimadas entre janeiro e setembro. Por ordem, Mato Grosso (36.480), Pará (28.093), Amazônia (17.330), Tocantins (11.647) e Mato Grosso do Sul (11.029).
- Maranhão (9.175), Rondônia (7.532), Minas Gerais (7.444), São Paulo (6.365) e Goiás (4.792) fecham a lista dos 10 estados com maiores registros de queimadas
- Por biomas, a Amazônia lidera os focos de queimadas: 82.437 e 50,1% do total; Cerrado, 53.233 (32,4%); Mata Atlântica, 14.412 (8,8%); Pantanal, 9.903(6%); e Caatinga, 4.228 (2,6%).
Emergências climáticas e os impactos na saúde
Os eventos climáticos, como as ondas de calor, geram danos à saúde pública e pressionam as redes públicas e privadas de atendimento. Alguns dos problemas identificados são:
- Doenças relacionadas ao calor: aumento de ondas de calor leva a mais casos de desidratação, insolação e agravamento de doenças cardiovasculares.
- Doenças transmitidas por vetores: mudanças climáticas podem expandir as áreas de distribuição de vetores como mosquitos, aumentando a incidência de doenças como chikungunya, dengue, zika e malária.
- Doenças respiratórias: a poluição do ar, exacerbada por eventos climáticos como incêndios florestais, pode agravar condições respiratórias como asma e bronquite.
- Segurança alimentar e nutricional: secas e inundações podem afetar a produção agrícola, levando a escassez de alimentos e má nutrição.
- Transtornos de saúde mental: a exposição às mudanças climáticas, sejam os eventos extremos ou as alterações graduais, pode expor ou exacerbar sofrimentos mentais e psicossociais.
Fonte: CNseg, em 12.09.2024