Por Gloria Faria (*)
O Brasil, a maior potência econômica da América Latina, ocupa a modesta sexta posição no recorte latino americano do ranking de inovação mundial, em que o Chile é o líder.
Ainda assim, conseguimos avançar cinco posições, da 69ª para a 64ª, no Índice Global de Inovação (GIL na sigla em inglês) de 2018.
O GIL é elaborado anualmente pela Universidade de Cornell, o Instituto Europeu de Administração de Empresas (INSEAD) e publicado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).
A OMPI - em inglês World Intellectual Property Organization - WIPO -,criada na Convenção de Estocolmo de 1967, tornou-se uma das 16 agências especializadas da ONU em 1974 e objetiva “promover a atividade intelectual criativa e facilitar a transferência de tecnologia relacionada à propriedade industrial para os países em desenvolvimento”.
A melhora de desempenho entre nós é atribuída, sobretudo, aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, importações e exportações de alta tecnologia, bem como à contribuição científica de qualidade da Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A liderança mundial no GIL está com a Suíça, seguida pelos Países Baixos, Suécia e Reino Unido. Entre os países de renda média-alta, a China assumiu neste ano a liderança, e garantiu a 20ª posição do ranking mundial. Coube ao Brasil, avaliado entre as nações de renda média-alta, a 15ª posição do grupo.
Por fim, a Tanzânia é a primeira entre as nações de renda baixa seguida de Ruanda e Senegal.
Os melhores índices registrados pelo Brasil foram o 8º lugar em escala de mercado, o 10º em pagamentos em propriedade intelectual, o 22º em dispêndio de empresas em P&D e o 23°em gastos em educação. Os mais fracos, o 79º em graduados em engenharia e ciências, o 104º em crédito e em formação de capital bruto.
No que diz respeito à percepção do brasileiro sobre a importância da inovação tecnológica, a primeira amostra do Índice de Confiança Digital (ICD), pela Fundação Getúlio Vargas em maio deste ano revelou que 91% dos entrevistados esperam o melhor da tecnologia. “Ninguém, entre as 1.158 pessoas entrevistadas de todas as regiões, faixa etária, gênero ou escolaridade, discorda plenamente que espera sempre o melhor da tecnologia”, destaca André Miceli, coordenador do curso de MBA em Marketing Digital da FGV (informações do Computerworld).
Não há dúvida que temos um longo caminho a percorrer, mas não carecemos de talento e empenho dos empreendedores nacionais para traçá-lo. Nosso déficit é de investimento e de uma política de Estado que priorize e incentive o setor. A inovação pode ser a resposta para muitas questões, inclusive ambientais, que não resolvidas comprometerão um futuro sustentável.
(*) Gloria Faria é Consultora Jurídica da CNseg.
Fonte: Artigo publicado na Revista da Aconseg RJ, número 31, página 12.