Por Bruna Chieco

Estruturado, sólido e sustentado por uma governança robusta, o sistema de previdência complementar fechada reúne condições necessárias para estender sua proteção a quem hoje está fora dela. Essa foi a mensagem central do Diretor-Presidente da Abrapp, Devanir Silva, na cerimônia de posse da nova Diretoria Executiva do Serpros Fundo Multipatrocinado.
A solenidade foi realizada nesta quinta-feira, dia 1º de outubro, em Brasília (DF), com a posse de Fernanda Pereira da Rosa Gomes, indicada pelo Serpro para o cargo de Diretora-Presidente; André Ricardo de Pinho Ronzani, indicado para o cargo de Diretor de Investimentos; e Athena dos Santos Fernandes, eleita para o cargo de Diretora de Administração e Seguridade.
Compuseram a mesa de honra ao lado de Devanir Silva o Secretário-Executivo do Ministério da Previdência Social, Felipe Cavalcante Silva, que representou o ministro da pasta; o Diretor-Presidente do Serpro, Wilton Mota; o Diretor-Superintendente da Previc, Ricardo Pena; o Diretor de Pessoas e Assuntos Jurídicos do Serpro e supervisor do Serpros, Alexandre Brandão Henriques Maimoni; o Presidente da Anapar, Marcel Juviniano Barros; e o Presidente do Conselho Deliberativo do Serpros, Cléber Pereira dos Santos.
Ao apresentar a dimensão do sistema, Devanir destacou que a folha mensal de benefícios chega a R$ 10 bilhões e alcança cerca de 8 milhões de participantes, assistidos e familiares, lembrando que o segmento soma cerca de R$ 1,4 trilhão em recursos administrados. “Não é pouco, mas nós podemos muito mais”, disse. Para ele, esses números refletem a natureza do segmento, que não tem finalidade financeira ou empresarial e existe para pagar benefícios. “O nosso compromisso é com pessoas, o nosso compromisso é entrega”, afirmou.
Entre as conquistas recentes, o dirigente ressaltou a criação da Frente Parlamentar pelo Fortalecimento da Previdência Complementar, que reúne 208 deputados e senadores e tem papel central na expansão do sistema. A Frente já apresentou a proposta de um Código de Defesa do Poupador e o projeto das micropensões, voltado ao que Devanir chamou de “exército de invisíveis”, que são milhões de trabalhadores, entre motoristas e entregadores de aplicativos, que cumprem longas jornadas sem proteção previdenciária adequada.
A formação de poupança foi apontada como a grande luta do setor, em um país com forte ênfase no consumo. Nesse contexto, Devanir destacou o projeto que inclui a educação financeira e previdenciária como conteúdo do ensino fundamental.
Se, de um lado, a agenda do setor busca construir a cultura previdenciária desde as primeiras etapas da formação escolar, de outro, volta-se também às necessidades de quem já vive ou se aproxima da aposentadoria. Nesse sentido, o Diretor-Presidente abordou a longevidade e observou que o conceito de “melhor idade” vem dando lugar ao chamado Nolt (New Older Living Trend), que descreve pessoas que envelhecem com autonomia, independência e participação ativa na sociedade.
“Aposentar não é aposentar da vida, é aposentar o trabalho”, disse. Como os participantes convivem por muitas décadas com seus planos, essa visão de uma longevidade saudável deve orientar a atuação das entidades. Devanir reforçou ainda que comunicar o valor da previdência complementar é hoje o grande desafio, tanto junto aos participantes quanto à sociedade.
Por fim, lembrou que o evento acontecia em uma casa de tecnologia e apontou o uso inteligente dos dados como o próximo passo para fortalecer o sistema. “Previdência é uma corrida de longa distância”, afirmou, acrescentando que essa longa distância se traduz em confiança.
Fonte: Abrapp em Foco, em 02.10.2026.