Presidente da CNseg que recolocar o mercado de seguros no centro das políticas públicas do País
Os principais problemas e bandeiras dos mercados de Seguros Gerais, Previdência Privada Aberta, Saúde Suplementar e Capitalização foram destacados pelas lideranças e autoridades do setor presentes à solenidade de abertura do VI Enconseg, ocorrida nesta sexta-feira, 28, no Centro de Convenções SulAmérica, no Centro do Rio de Janeiro.
Em sua saudação de boas-vindas aos corretores, o presidente da CNseg, Marcio Coriolano, lembrou que já existem alguns sinais de recuperação da mais grave crise brasileira dos últimos 50 anos, algo positivo para um mercado pró-cíclico, como o seguro. “Trago aqui uma mensagem de otimismo. Não um otimismo vazio, mas amparado em evidências e fato. Esta crise não é só de natureza econômica, política, mas também social, moral e ética. Mas há um grande esforço de recuperação, cabendo a cada um de nós fazer parte e participar da solução”, afirmou ele.
Marcio Coriolano reconheceu que o tombo da economia - dois anos seguidos de recessão no final de 2016 - afetou também o mercado de seguros. Depois de 20 anos experimentando taxas médias anuais de crescimento na casa de dois dígitos, o mercado sucumbiu no começo do ano, ao apresentar uma expansão de pífios 3,5% no seu primeiro trimestre, exemplificou. Contudo, como demonstração da capacidade de resiliência do mercado, avançou para uma taxa de mais de 7% no segundo trimestre, mantendo a trajetória positiva até agosto, quando, pelos números da Susep, acumula alta de 8%.
Este desempenho, “expressivo e importante”, contrasta com números negativos apresentados por outras atividades, como bens de consumo duráveis (ou mesmo a formação bruta de capital), e é uma demonstração de que a população mantém a preferência na compra de seguros, sobretudo em momentos de crise, quando as pessoas se sentem mais fragilizadas e dependem mais da proteção securitária.
Apesar disso, “é evidente que o mercado não deve deitar sobre os próprios louros, mas ser proativo para colocar o setor no lugar de destaque em que merece estar, ou seja, no centro das políticas públicas do País”. Motivo? O setor canaliza R$ 840 bilhões de reservas técnicas, mobilização de recursos essa que coloca o mercado segurador, em termos de importância econômica, acima ou no mesmo status das indústrias automobilística, farmacêutica e de outros segmentos que participam do desenvolvimento nacional. “Nós vamos recolocar o mercado de seguros no centro das políticas públicas do País", repetiu Marcio Coriolano, ao final de seu pronunciamento e sob aplausos dos milhares de corretores que participaram do encontro.
Do Enconseg, tido como o maior evento da área de distribuição de seguros do Rio de Janeiro e organizado pelo Sindicato dos Corretores e Empresas Corretoras de Seguros, Resseguros, Vida, Capitalização e Previdência do Estado do Rio de Janeiro (Sincor-RJ), também participaram os presidentes da FenSeg, João Francisco Borges da Costa; da FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiro Mendes; da FenaPrevi, Edson Franco; da FenaCap, Marco Barros, da Fenacor, Armando Vergilio; dirigentes da ANS, José Carlos de Souza Abrahão, e da Susep, Joaquim Mendanha de Ataídes; além dos anfitriões do encontro - o presidente do Sincor-RJ, Henrique Brandão, e o presidente da SulAmérica, Gabriel Portela, seguradora que ofereceu as dependências do Centro de Convenções SulAmérica para o evento.
Primeiro orador do encontro, o diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), José Abrahão assinalou, após lembrar a importância do seguro como um todo para a sociedade, o fato de o mercado de Saúde Suplementar ter parado de perder segurados nos últimos dois meses (registrando até um adicional nesse período), o que pode ser um indicativo de retomada do crescimento econômico.
Para ele, a expansão contínua é fundamental para um sistema que tem o mutualismo como princípio. Nesse sentido, considera estratégica a crescente participação dos corretores de seguros, que devem liderar as vendas, tornando-se a principal porta para o produto chegar ao consumidor.
José Abrahão assinalou ainda que, na condição de órgão regulador, a ANS busca transmitir transparência e estabilidade regulatória em suas ações para oferecer mais segurança jurídica ao mercado e, em consequência, estimulá-lo.
Referindo-se ao Enconseg, José Abrahão disse que o encontro “é uma oportunidade para a troca de experiências e superação das dificuldades, ações importantes para oferecer produtos de mais fácil acesso aos consumidores, de melhor qualidade e de maior sustentabilidade, inclusive no que diz respeito à assistência.
Na sequência, o titular da Susep, Joaquim Mendanha de Ataídes, destacou que os corretores têm um papel fundamental na retomada do crescimento do mercado segurador, lembrando a importância da educação continuada desses profissionais, para que haja uma contribuição relevante em termos da oferta de coberturas mais adequadas para a sociedade.
O superintendente falou, ainda, sobre a elaboração da agenda positiva do mercado segurador, em fase de discussão com as entidades do mercado, para reunir propostas consensuais que estejam sob o escopo da Susep deliberar. Nesse sentido, lembrou a celeridade da autarquia em aprovar circulares que aumentem a segurança jurídica das empresas e, ao mesmo tempo, a proteção dos segurados. Entre os exemplos, citou a circular do Seguro Auto Popular- a autarquia também aprovou novas normas para os seguros D&O e de Riscos de Engenharia - e, para breve, o normativo do Universal Life.
Em sua fala, o presidente da Fenacor, Armando Vergilio, lembrou que o Enconseg “é um evento que agrega valor, gera conhecimentos e novas oportunidades para os corretores”. Depois, parabenizou o novo titular da Susep, desejando “êxito na condução do mercado segurador”.
Para o presidente da Fenacor, o País vive a crise econômica mais profunda das últimas décadas, agravada pelos percalços políticos. Mas ele está convencido de que o País voltará a crescer, já que “pelo menos paramos de piorar”. E, no caso do mercado segurador, o corretor de seguros poderá ter um papel de destaque e fundamental no crescimento acelerado do setor. Por fim, formalizou seu apoio à agenda positiva coordenada pela Susep, assinalando que, unidos, os pares do mercado se tornam uma força maior e única.
Na sua saudação, o presidente da FenaCap, Marco Barros, observou que sociedade mais protegida é fundamental para o crescimento sustentável, destacando o papel que cabe ao corretor nesse processo. Também reconheceu a importância do Enconseg, sobretudo para o mercado de capitalização. Lembrou que a aproximação iniciada a partir da edição passada do evento abriu caminho para que os corretores de seguros começassem a distribuir produtos de capitalização. Um dos títulos de capitalização preferidos é o que funciona como garantia de aluguel. Via corretores, sua demanda é crescente, informou ele, para quem esta parceria poderá se estender para outros produtos oferecidos pelas entidades de capitalização.
Em seu pronunciamento aos corretores, o presidente da FenaPrevi, Edson Franco, afirmou que o momento atual é muito difícil, mas também especial. Isso porque as crises (econômica e política) estimulam uma revisão de valores e de paradigmas que trará benefícios para todos. Na economia, por exemplo, a busca de equilíbrio fiscal exigirá a reforma da Previdência Pública, “de seus fundamentos e estrutura do sistema”. Nesse cenário, o indivíduo terá de aprender a planejar o próprio futuro, e poderá contar com a ajuda do mercado de seguros, que tende a se tornar mais relevante. Tendo este cenário em vista, acrescentou, os profissionais da intermediação deverão estar mais bem preparados para oferecer às pessoas produtos adequados às suas necessidades.
Mesmo com os problemas enfrentados pela recessão econômica, o mercado de Saúde Suplementar encontrou seu espaço e reconhecimento na sociedade brasileira, constatou a presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiro Mendes, em sua saudação. São mais de 70 milhões de beneficiários de planos, R$ 187 bilhões em receita anual e um peso de 40% na receita consolidada do mercado segurador, enumerou. Apesar do aperto da margem, Solange Beatriz assinalou que as operadoras se esforçam para manter o padrão de atendimento elevado para os segurados.
Aproveitou para chamar a atenção dos corretores de seguros sobre as oportunidade de novos negócios no segmento de Saúde Suplementar. No Rio de Janeiro, uma das praças mais desenvolvidas do País, 55% da população da capital é protegida por planos privados, taxa ainda menor no plano estadual, de 35%, o que abre um mercado potencial à espera de corretores dispostos a explorá-lo, observou ela.
O presidente da FenSeg, João Francisco Borges da Costa, alertou os corretores sobre a desaceleração ocorrida na venda de seguros para carros novos e disse que esta trajetória deverá permanecer nos próximos anos, tomando como base projeções das montadoras, que preveem retomada gradual da comercialização até 2021. Segundo ele, no atual cenário, a frota segurada recuará de 18 milhões para 15 milhões, considerando-se a venda menor de seguros para veículos zero e a saída dos veículos com mais de sete anos, idade essa em que a correlação entre preço e benefício se torna desvantajosa para as seguradoras.
O fiel da balança para mitigar o recuo da carteira das seguradoras será justamente o seguro popular de automóvel. E, nesse caso, o trabalho de campo para ditar a dinâmica desse novo nicho de mercado estará a cargo dos corretores de seguros. “O corretor é quem determinará o sucesso do seguro popular”, afirmou ele, chamando ainda a atenção para o avanço dos roubos e furtos de carros segurados na maioria dos estados. O remédio, nesse caso, consiste em combater a inteligência do crime organizado. Ou seja, regulamentação imediata, pelos estados, da Lei de Desmanche Legal, aprovada pelo Governo Federal.
Anfitrião do encontro, o presidente da SulAmérica, Gabriel Portela, destacou o momento mágico em que ocorre o Enconseg, de retomada gradual do crescimento, acrescentando que o setor, em termos de autoridades e lideranças setoriais, está em boas mãos para conduzi-lo a novos patamares, já que estão à frente dos órgãos de supervisão e das entidades de classe pessoas com responsabilidade, competência e serenidade para realizar as transformações necessárias.
Líder histórico dos corretores, o presidente do Sincor RJ, Henrique Brandão, emocionou-se ao saudar os colegas de profissão, ao lembrar momentos mais marcantes da luta sindical iniciada há décadas e do propósito recorrente de colocar o corretor de seguros no papel de protagonista do mercado que lhe cabe.
Fonte: CNseg, em 31.10.2016.